Diálogos na Contemporaneidade segue com debate sobre gênero e mídia

Crédito da foto: Sofia Kich/Divulgação

Segue até sexta-feira, dia 15, o Simpósio Diálogos na Contemporaneidade, que aborda o tema “Trans: gênero, cultura e subjetividade”. Nesta terça-feira, 12, após apresentação do Coral Vocalize, o diálogo principal foi realizado no Teatro Univates com a participação de Cláudia Álvares, doutora em Comunicação da Universidade Lusófona de Portugal e Joseph Handerson, antropólogo haitiano e professor da Universidade do Amapá, e mediação da professora Rosane Cardoso, que palestraram sobre “Gênero, Mídia e Transculturalismo”.

Sobre o prefixo trans, que norteia os diálogos desta edição do evento, Claudia abriu sua fala destacando que o termo está relacionado à ambivalência, ao impuro, algo que está entre. A partir disso, a doutora portuguesa falou sobre o pós-feminismo, explicando que o movimento dá novos significados ao feminismo e seria a oportunidade de celebrar a feminilidade, embora isso não faça sentido em alguns contextos, como o de Portugal. “O objetivo do pós-feminismo será conviver com a ideia de que as mulheres podem ser seres autônomos de desejo, porém isso vai depender dos estereótipos colocados, o que passa pela mídia”, observa ela.

Cláudia recuperou a ideia de esfera pública do sociólogo e filósofo alemão Jürgen Habermas, afirmando que ela é demasiadamente masculina. “Uma contra-esfera pública seria o pós-feminismo, que procura responder às necessidades femininas de maneira a reinterpretar definições cunhadas pelo masculino”, garantiu ela, referindo-se à ideia de silenciamento das mulheres por um longo período.

Cláudia abordou ainda a representação de gênero nas redes sociais e o feminismo ético, que aceita que não há uma essência feminina. “Ou seja, nem todas as mulheres são iguais, há diferenças entre elas e essas diferenças precisam ser respeitadas. Isso está relacionado com o estereótipo feminino, produzido e reproduzido pela mídia”, afirmou ela.

Já o antropólogo haitiano e professor Joseph Handerson abordou as três questões do diálogo – gênero, mídia e transculturalismo, articuladas com questões geográficas que podem ser observadas em seus estudos e na sua vivência, especialmente em relação às mulheres haitianas imigrantes em diversos países.

“Falando-se no contexto migratório para o Brasil, será que o gênero é tão importante para os e as haitianos no Brasil como o é no Haiti? Quando cheguei em Manaus, eu percebi que os imigrantes reproduzem os espaços de sociabilidade do Haiti, em que havia um lugar apenas com homens e um local chamado de “casa das grávidas”, pois entre as mulheres que estavam lá havia 10 grávidas”, relatou ele.

Handerson também abordou a representação da mulher haitiana pela mídia brasileira. “Essa representação vai na contramão da perspectiva das haitianas. Ao contrário do que mostra a mídia de forma homogênea, para as mulheres haitiana há uma diversidades de possibilidades de vida, de educação e de questões profissionais”, afirmou ele, indo ao encontro do feminismo ético abordado por Cláudia Álvares.

O Simpósio é realizado pelo Centro de Ciências Humanas e Sociais da Univates. A programação completa pode ser conferida em www.univates.br/diálogos. A cobertura completa do evento pode ser conferida no Facebook. Mais informações pelo telefone (51) 3714-7000, ramais 5604 e 5605.

Programação

A programação do evento é formada por  painéis, oficinas, palestras e atividades culturais que debatem sobre gênero, diferentes identidades possíveis, movimentos migratórios transnacionais e aspectos culturais e identitários envolvidos. As atividades Sá destinadas a estudantes da educação básica, à comunidade acadêmica da Univates e ao público em geral.

Na quarta-feira à noite o feminismo e a resistência serão os temas da conversa com a fundadora do projeto de mídia coletiva Casa da Mãe Joanna, Joanna Burigo, e da professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) Jane Felipe de Souza.

Na quinta-feira ocorre uma mostra artística para escolas e oficinas para estudantes de Ensino Médio, além de um sarau e de atividades voltadas aos cursos do CCHS. Já na sexta-feira o encerramento conta com a exibição e um debate dos curtas-metragens premiados “O teto sobre nós”, “Pobre Preto Puto” e “Secundas”, seguido de um debate com seus diretores.

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