Teutônia, Arroio do Meio, Bom Retiro do Sul, Poço das Antas e Cruzeiro do Sul são cidades do Vale do Taquari que decidiram dar uma nova chance a antigos prefeitos. Os municípios elegeram, no domingo (6/10), chefes do Executivo que já ocuparam o cargo em anos anteriores e que, agora, derrotaram até mesmo os candidatos à reeleição. A experiência no cargo e o conhecimento sobre a cidade contaram pontos, mas é preciso saber se adaptar às novas realidades.
Sidnei Eckert foi prefeito de Arroio do Meio por dois mandatos, entre 2009 e 2016, e agora retorna ao comando de uma cidade que precisa ser reestruturada em função das enchentes. Conforme Eckert, a prioridade do primeiro mandato era impulsionar o crescimento econômico do município, com a atração de novas empresas. Agora, a urgência é outra.
“Nós precisamos, em primeiro lugar, trabalhar pela ponte entre Arroio do Meio e Lajeado, para que ela esteja pronta e concluída o quanto antes. Ela é de fundamental importância para a economia e qualidade de vida das pessoas. O segundo ponto muito importante é a construção de casas e a garantia de moradias dignas. É um desafio disponibilizar áreas internas para que os recursos do Governo Federal possam ser investidos e as casas, construídas”, comenta. Ele ainda aponta os desafios nas áreas de agricultura, comércio, limpeza e organização da cidade.
Novos desafios, novas visões
O professor de História Carlos Campos aponta o desejo de mudança que surge em uma eleição. “O ser humano, por natureza, costuma fazer comparações. Entre um mandatário que está no cargo, como aqueles que tentam a reeleição, e um ex-prefeito, ele vai comparar sua condição de vida e a situação da sociedade, mesmo que sejam realidades diferentes”, afirma. Em cenários com poucas opções de voto, as experiências passadas podem parecer mais atraentes do que a situação atual.
É o que aconteceu em Poço das Antas. Glicério Ivo Junges assumiu o governo do Município pela primeira vez em 1997. Há 27 anos, a principal demanda era a atração de novas empresas, uma necessidade atendida durante anos com a chegada do frigorífico da Cooperativa Languiru. Hoje, com a cooperativa em liquidação extrajudicial e o frigorífico parado, a diversificação da economia volta à pauta. E a novidade desta vez é a atenção ao meio ambiente.
“Um dos nossos grandes desafios é o Marco do Saneamento Básico. A questão ambiental é a grande preocupação. Sabemos que a política é dinâmica, a cidade muda e os desafios também”, avalia. Esta será a terceira vez de Junges como prefeito.
A mudança de foco e atenção também é compartilhada por Celso Pazuch, que retorna ao Executivo de Bom Retiro do Sul após 12 anos. “Em 2009, quando assumi, grandes empresas estavam fechando as portas na cidade. A principal preocupação era essa. Agora, ouvi muito nas ruas durante a campanha sobre a falta de mão de obra”, destaca. Pazuch também fala sobre a evolução da infraestrutura da cidade e a vivência em mais de 10 anos longe do Executivo. “A gente fica mais velho e mais experiente também. Com certeza isso conta muito.”
Primeira viagem
A experiência, no entanto, pode vir de diferentes formas e gerar impactos positivos variados. Em Brochier, por exemplo, o eleito José Henrique Dapper, conhecido como Pigue, nunca foi prefeito, mas já ocupou os cargos de vice-prefeito, secretário de Obras e vereador por duas vezes. Já Carine Schwingel, em Estrela, nunca havia se candidatado a nenhum cargo, mas foi primeira-dama por 8 anos e secretária de Cultura da cidade.
PREFEITOS QUE VOLTARAM PARA O EXECUTIVO
| CIDADE | ELEITO | GOVERNOS |
| Poço das Antas | Glicério Ivo Junges | 1997 – 2000 2013 – 2016 |
| Arroio do Meio | Sidnei Eckert | 2009 – 2012 2013 – 2016 |
| Teutônia | Renato Airton Altmann | 2009 – 2012 2013 – 2016 |
| Bom Retiro do Sul | Celso Pazuch | 2009 – 2012 |
| Cruzeiro do Sul | Cesar Leandro Marmitt(Dingola) | 2013 – 2016 |
