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Associação Semeadores amplia chamada para profissionais voluntários

É no cuidado e na interação que a Associação resgata a identidade dos atendidos / Crédito: Jonata Kich - Agência Domo

Fundada em dezembro de 2015 em Estrela, a Associação Semeadores nasceu com o propósito de promover inclusão social, desenvolvimento humano e fortalecimento de vínculos comunitários. O trabalho se fortalece dia após dia e, 10 anos depois, 40 voluntários atuam com 80 crianças, 30 adolescentes e 60 idosos em três espaços: na sede, no Bairro das Indústrias, com atendimento diário, e às quartas-feiras à noite e sábados pela manhã nos bairros Nova Morada e Imigrantes.

Por meio de atividades socioeducativas, culturais, recreativas e de apoio social, a organização sem fins lucrativos contribui para a construção de uma sociedade mais justa, solidária e acolhedora, como a própria diretoria define.

Com as crianças, os voluntários realizam trabalhos em sala de aula, com recreação, falam de valores, de família, e os ajudam a projetar um futuro promissor. “É um trabalho de conscientização, para que se tornem cidadãos do bem”, aponta o presidente, tenente Lúcio Rodrigues.

Com os adolescentes, a entidade trabalha sobre prevenção, relações amorosas, oportunidades de trabalho. Eles possuem uma marcenaria e oficinas diversas, desde a fabricação de alimentos até a confecção de itens como almofadas e sabão caseiro.

“Com os idosos, é um trabalho mais de escuta, de buscar tirá-los um pouco de casa, fazer com que se sintam úteis novamente. Eles também nos ajudam, especialmente na nossa cozinha. São uma enciclopédia e nos ensinam muito”, sinaliza o tenente.

A voluntária Aline Cristina Rodrigues reforça: “Hoje, com tudo que aconteceu, pandemia, as enchentes, eles vêm com o pensamento de que tudo acabou, que não têm mais vigor, força e energia para recomeçar. Aqui, entre as costuras, os bordados e o crochê, dizemos que tem luz no fim do túnel, que elas ainda têm vida e que as coisas vão melhorar”.

Busca de parceiros na Saúde

Nesse sentido, a Associação Semeadores busca novas parcerias na área da Saúde para oportunizar o cuidado integral e melhorar a qualidade de vida dos atendidos pela entidade.

A entidade procura ainda profissionais da Psicologia para atuar no atendimento emocional. Segundo Aline Cristina, um dos grandes problemas que afetam a população atendida é a depressão. “Estamos preocupados e, por isso, pedimos apoio dos profissionais. Precisamos de psicólogos que possam cuidar dessas pessoas, porque nós podemos identificar o problema, mas não temos condição de tratar eles da forma que eles merecem”, ressalta ela.

Entre as novas iniciativas, a Semeadores agora conta com atendimento odontológico ofertado por profissional especializado parceiro. Além disso, a entidade também conseguiu a doação periódica de próteses odontológicas, voltada especialmente ao atendimento de idosos. Os parceiros fornecem uma consulta e prótese dentária ao mês.

Muito além do que se enxerga

Aline Cristina, presente desde muito cedo na Associação e na comunidade, afirma que a Semeadores vem com um propósito claro. “Precisamos quebrar esse paradigma que a sociedade vive, tanto o problema da drogadição quanto o econômico. As pessoas não têm tido dinheiro, as famílias não conseguem se manter. Hoje vivemos numa crise financeira muito grande. Isso afeta as nossas crianças. Lembrando que são crianças de periferia. Isso quer dizer que falta lá o leite, o pão, a comida. Eles vão para o colégio ver o coleguinha com um tênis melhor, uma roupa melhor, não conseguem isso, e a criminalidade está ali”, aponta.

É então que, segundo ela, as crianças e jovens passam a ver uma nova realidade. “É um dos motivos pelos quais perdemos nossos adolescentes, sem falar nas meninas, que acabam se envolvendo com meninos que fazem parte de facções e que falando que tudo é bonito, tudo é legal”, desenvolve ela.

Esperançosa, ela conclui: “A associação vem para quebrar essa estatística de que para eles poderem alcançar alguma coisa é só se envolvendo no tráfico. Dizemos que não. Se eles estudarem, se dedicarem e viverem uma vida diferente dessa, podem sim, com um emprego bom, ter salários melhores e ter a vida deles transformada”.

Quem se doa é quem mais recebe

Entre as novas voluntárias da Associação está Ketlyn Maitícia de Lima. Estudante de Educação Física, ela se aproximou da entidade em dezembro passado. Além de instrutora de Pilates, a voluntária é artista. Tecladista desde jovem, foi convidada há algumas semanas pela diretoria a ser professora de Música dos adolescentes.


Ketlyn com os primeiros alunos de teclado / Crédito: Jonata Kich – Agência Domo

“Nunca fui voluntária, mas como instrutora de Pilates, tenho muito essa questão de ajudar as pessoas. Juntar esse dom com a música se tornou uma experiência muito boa e uma honra. É gratificante, porque não é todo dia que a gente consegue ensinar uma coisa nova para uma criança, um adolescente que não teria essa possibilidade de aprender”, conta.

Para ela, a música é uma oportunidade de transmitir os sentimentos. “Se estamos tristes com algo, conseguimos botar isso na música, espairecer, relaxar”, aponta.

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