A Associação Esportiva do Vale do Taquari (AEVT), de Estrela, consolida um trabalho consistente com o futebol feminino de base na região. Criada a partir da necessidade de oferecer oportunidades reais às meninas que sonham em competir em alto nível, a entidade já colhe resultados esportivos e sociais em pouco tempo de atuação.
O projeto teve início em 2025 e, logo no primeiro ano, colocou equipes nas disputas de campeonatos estaduais organizados pela Federação Gaúcha de Futebol (FGF), nas categorias Sub-13 e Sub-15.
Em um cenário no qual quase não há clubes estruturados para o futebol feminino de base no interior do estado e de tanta desconfiança sobre alguns dos “cartolas”, a AEVT assumiu o desafio de preencher essa lacuna no Vale do Taquari.
“Começamos esse trabalho no ano passado justamente porque quase não existe futebol feminino de base na nossa região com competições oficiais. Há escolinhas, mas competir pela Federação é outra realidade”, explica o presidente da AEVT, Odilo Vicente.
De acordo com ele, a proposta é ambiciosa e mira voos mais altos. “Neste ano, o nosso objetivo é disputar todas as categorias do futebol feminino no Rio Grande do Sul”, afirma.
Hoje, o clube tem cerca de 40 meninas, distribuídas nas categorias Sub-11, Sub-13, Sub-15 e Sub-17. Elas vêm de diversos municípios do Vale do Taquari e de regiões próximas, como Estrela, Lajeado, Teutônia, Encantado, Taquari, Arroio do Meio, Capitão, Soledade e Santa Cruz do Sul. Muitas delas reencontraram a chance de continuar na ativa após dificuldades enfrentadas em outros clubes.
Treinos semanais
“Não paramos os treinos nem durante as férias. Isso fez o grupo crescer bastante. Recebemos meninas de Teutônia e de outros municípios, todas muito bem-vindas. Temos um projeto amplo, que ainda pode crescer muito mais”, destaca Vicente.
Os treinamentos são realizados três vezes por semana no turno da noite, em respeito à rotina de estudos e trabalho das atletas e de suas famílias. As atividades são realizadas no Ginásio Ito João Snel, em Estrela, em um campo society próximo à Ponte Alta e no campo de Linha Lenz, onde também ocorrem os jogos oficiais como mandante no Campeonato Gaúcho.
A comissão técnica é formada por profissionais, com preparador físico, auxiliares e o coordenador técnico, Gebran Zogbi, que acumula quase quatro décadas de experiência no futebol. Ele tem passagens por Grêmio, Internacional, clubes do exterior e pela formação de treinadores no Rio Grande do Sul.
Trabalhar com o futebol feminino, segundo Zogbi, tem sido uma experiência especialmente positiva. “Atuar com essas meninas é muito gratificante. Elas prestam muita atenção no que é ensinado, conseguem corrigir vícios com mais facilidade e aplicam o que é trabalhado nos treinos. Isso dá gosto para quem está dentro e fora de campo”, ressalta.
Ele também destaca a importância de conciliar esporte e educação para garantir um futuro melhor. “Sempre reforçamos que os estudos vêm junto, e elas entendem isso com facilidade. Jogar é divertido e ajuda até a mente, mas há necessidade de fortalecer o intelectual”, comenta o coordenador.
A AEVT já mostrou competitividade dentro de campo. No Campeonato Gaúcho Sub-15 de 2025, a equipe terminou na 3ª colocação geral, atrás apenas da dupla Gre-Nal, e com o título de campeã do interior. “Foi uma experiência muito válida. Muitas meninas nem imaginavam disputar um Gauchão, e terminar no 3º lugar foi uma grande conquista para todas”, lembra Zogbi.
Além do campo e futuro em 2026
Fora do aspecto esportivo, o projeto tem forte viés social. A AEVT não cobra mensalidade de meninas em situação de vulnerabilidade e busca parcerias com prefeituras para viabilizar o transporte das atletas até os locais de treino. “Se conseguirmos levá-las até o treino, o resto é com a gente. Treinamento, estrutura e oportunidades não vão faltar”, afirma o presidente.
A Associação se mantém por meio de patrocínios e apoio da comunidade. Toda a documentação está regularizada, com CNPJ, filiação à FGF e à Confederação Brasileira de Futebol (CBF), além de prestação de contas via banco e nota fiscal. “É tudo feito de forma transparente e legalizada. Quem quiser ajudar, pode ficar tranquilo”, garante Odilo.
Para 2026, o calendário prevê competições estaduais de futsal e futebol de campo, além das disputas do Campeonato Gaúcho nas diferentes categorias de base. A filosofia do clube segue apontada para a inclusão e oportunidade. “Aqui, todas as meninas jogam. Pode ser que a gente abra mão de um título em algum momento, mas nenhuma atleta fica de fora. Queremos ser um clube diferenciado e formador”, completa Zogbi.
Pais, atletas e empresas interessadas em conhecer ou apoiar o projeto podem entrar em contato diretamente com a AEVT pelas redes sociais ou pelo telefone da diretoria.
A Associação quer ser um dos principais caminhos para transformar sonhos em realidade, tanto para meninas interessadas em praticar o futsal ou o futebol quanto para aquelas que querem descobrir um novo talento.

