Desde 2014, o cenário do empreendedorismo feminino no Vale do Taquari conta com uma força mobilizadora singular: Graziela Muniz. Especialista em marketing estratégico e sócia-fundadora da Pipocando Networking, Graziela, ao lado de sua sócia, Bárbara Bottoni, lidera uma comunidade de mulheres que promove oportunidades de negócios através das conexões. Em entrevista ao programa “Empreendedoras em Ação”, a empresária compartilhou os bastidores de sua trajetória e as lições que guiam seu trabalho de ajuda mútua.
Apaixonada por resolver problemas
A semente do empreendedorismo brotou cedo para Graziela, aos 18 anos, quando deixou seu primeiro emprego formal para vender cachorro-quente nas ruas de Lajeado. A partir dali, o desejo de inovar a guiou por caminhos diversos no mundo dos negócios.
Para ela, a característica essencial de qualquer mulher que deseja empreender é ser apaixonada por resolver problemas. Essa paixão exige curiosidade para observar a dinâmica do mercado, interesse pelos negócios das outras pessoas e a autopermissão para tentar soluções de formas diferentes, sem se desesperar.
A vida é movimento
A jornada de Graziela não foi feita apenas de sucessos ininterruptos. A empresária relata ter enfrentado desafios significativos ao longo dos anos, incluindo uma falência. No entanto, em vez de se deixar paralisar, ela ressalta que “a vida é movimento”. Para a empresária, a grande diferença está em como encaramos as histórias que vivemos: sua história triste envolve a falência e ter magoado pessoas próximas, mas sua história feliz é lembrar que vendeu melancia e cachorro-quente e deu tudo certo.
O fundamental é acolher a própria narrativa como aprendizado e rejeitar a ideia de esperar por um momento em que se esteja totalmente “pronta”, pois esse cenário idealizado nunca chegará. Há mais de 10 anos, Grazi contribui significativamente na jornada de mulheres empreendedoras e vibra com os resultados possíveis.
“A vassoura era meu microfone”
Muitas das barreiras que as mulheres enfrentam nos negócios estão ligadas ao medo do julgamento e da exposição. Graziela, no entanto, sempre teve facilidade nessa área. Desde a escola, sua desenvoltura para a comunicação chamava atenção. “A vassoura era meu microfone na sala de aula”, relembra. Conta que adorava ser a primeira a apresentar trabalhos para demonstrar com orgulho o que sabia. Ainda jovem, sua passagem por veículos de rádio, TV e jornal impresso aprimorou essa habilidade.
A maior contribuição do jornalismo, segundo ela, foi ensiná-la a tomar a iniciativa nos espaços coletivos. Escalada para cobrir eventos nos quais muitas vezes não conhecia ninguém, ela precisava ir à frente de autoridades para fazer fotos ou entrevistas sem tempo para sentir vergonha. “Para mim, a comunicação nunca foi um problema”, reflete. Hoje, a empresária utiliza essa experiência para encorajar mulheres a exibirem seus talentos e superarem a timidez.
A cocriação e o propósito de conectar mulheres
A transição de uma escola tradicional de negócios para uma poderosa rede de networking aconteceu de maneira natural. Percebendo a expectativa e a necessidade que as alunas tinham por momentos de interação além da sala de aula, Graziela começou a unir turmas diferentes e a conectar mulheres que poderiam se ajudar. Essa dinâmica de unir quem precisa de visibilidade com quem tem o serviço a oferecer transformou os encontros em eventos.
O motor de tudo isso é o que ela considera um pilar muito importante em sua vida pessoal e profissional: a cocriação. Unir mulheres de confiança para cocriar soluções e enxergar problemáticas sob novas perspectivas é o que faz a comunidade crescer.
O mais gratificante de ajudar mulheres
Quando questionada sobre o impacto do seu trabalho, Graziela revela que ver a evolução das empresárias é o que realmente a move e a motiva. “Ver aquela mulher que achava que não sabia falar, que era tímida, brilhar no palco depois ou liderar uma mesa me orgulha demais”, afirma. Para ela, o mais gratificante é perceber que essas mulheres descobriram do que são capazes e compreenderam que não precisam correr sozinhas o resto da maratona, pois juntas é muito melhor.
Ensinar a dizer “não” e o valor do autocuidado
Empreender muitas vezes traz a falsa expectativa de mais tempo livre, mas a realidade costuma ser de agendas lotadas e culpa constante. Atenta a isso, a Pipocando trabalha intensamente com o grupo para ensinar as empresárias a dizer “não”. É preciso ter consciência sobre para quem ou para o que dizer “não”, como forma de afastar ambientes tóxicos. “Muitas vezes, esse ‘não’ para terceiros é um ‘sim’ para nós”, destaca Graziela.
A empresária aplica essa premissa na sua rotina através do que chama de “manhãs sabáticas”. Reconhecendo que não rende bem de manhã para aparições públicas, ela reserva esse turno para ficar em casa, lidar com as plantas, cozinhar e resolver questões burocráticas, e guarda sua energia para os compromissos noturnos e agendas da tarde. É justamente nesses momentos de descompressão e de leituras aleatórias que surgem os melhores insights para o futuro e a inovação nos negócios.

