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Meliponário ensina alunos da Emef Leopoldo Klepker a preservar as abelhas sem ferrão

Aos poucos, os alunos aprendem a não temer as abelhas sem ferrão e a reconhecer sua relevância / Crédito: Camille Lenz da Silva

A Escola de Ensino Fundamental (Emef) Leopoldo Klepker, do Bairro Alesgut, é conhecida na região por seu projeto LK Sustentável. A iniciativa ambiental e educativa surgiu em 2022 em busca de incentivar o empreendedorismo, a economia circular e campanhas solidárias a partir do ensino destes princípios aos alunos. O projeto dá tão certo que suas ações engajam não só a comunidade escolar, mas a cidade.

Com o LK já consolidado e inserido na cultura escolar, a Emef agora ousa em mais uma proposta. Desde o fim de 2025, o projeto “Meliponário Escolar – Educação Ambiental e Preservação das Abelhas Sem Ferrão (ASF)” abriu as portas para que estes insetos pudessem povoar o educandário.

O projeto é desenvolvido nas turmas de 8º anos, sob a orientação dos professores Margarete Warken Klein, Clovis Adilson Hauenstein e da diretora Evanete Inez Horst Grave. A iniciativa foi proposta por Ronei Zwirtes, pai da aluna Evellyn Bianca Grüngs Zwirtes (13) e criador de ASF.

“Os projetos vêm da comunidade e dos professores e a escola abraça. Esse conhecimento trará outra visão de mundo sobre o meio-ambiente e os alunos serão propagadores”, aponta Evanete.

Enquanto os alunos estudam sobre ecossistemas nas aulas de Ciência com a professora Margarete, se preparam para aprender na prática a lidar com animais tão pequenos, mas com importância significativa para a manutenção da vida na Terra. Com auxílio de Ronei, tanto crianças como adolescentes – e a própria equipe da Emef – são inseridos aos poucos no mundo mágico das abelhas sem ferrão.

“É para que a comunidade aprenda a preservar e desmistifique a cultura de fugir ou matar as abelhas. Poucos conhecem a palavra “meliponicultura” (criação e manejo de ASF), muito menos que ela se diferencia da apicultura (abelhas com ferrão). O certo é que, sem elas, os humanos estarão extintos entre 4 e 5 anos”, assinala Ronei.

As abelhas desempenham papel fundamental no equilíbrio ambiental, sendo responsáveis pela polinização de grande parte das plantas cultivadas e nativas. Isso garante a produção de alimentos, a manutenção da biodiversidade e a estabilidade dos ecossistemas.

No país, há mais de 300 espécies sem ferrão. No Rio Grande do Sul, são cerca de 20 catalogadas. Zwirtes possui 70 colmeias de 12 espécies em casa. Imerso neste mundo desde os 4 anos de idade, o meliponicultor revela que atuar com as abelhas é uma terapia. “Assim como é para mim, pode ser para outras pessoas. É uma gratidão enorme ver esse trabalho ser executado aqui na escola”, ressalta ele.

“É essencial promover ações educativas que conscientizem a sociedade, principalmente crianças e jovens, sobre a importância da preservação das ASF. E a escola, enquanto espaço de formação cidadã, atua de forma estratégica e colaborativa, promovendo projetos que integrem conhecimento científico, educação ambiental e práticas sustentáveis”, defende Margarete.

Caixas foram abertas para monitorar as espécies e alunos puderam ajudar a alimentá-los / Crédito: Camille Lenz da Silva

Olhares atentos

Em cerca de 3 meses, a escola já possui seis espécies destes insetos: Jataí, Mirim-Droryana, Mirim-Preguiça, Mirim-Guaçú, Tubuna – e não descarta a vinda de outras. Em 2025, os alunos produziram as armadilhas e as espalharam pela escola, levaram para suas casas e quatro deles conseguiram capturar abelhas.

Nessa quinta-feira (26/2), o próximo passo foi dado: transferir a colônia em formação para uma caixa. O trabalho foi realizado por Ronei, com olhos atentos da filha Evellyn e seus colegas. Agora, os alunos esperarão cerca de 1 ano para colher o mel.

“Meu pai sempre ensinou a importância das abelhas sem ferrão, tanto para mim quanto para a minha irmã. É gratificante ver esse projeto sendo instalado aqui na nossa escola. Que ele possa mostrar isso para mais pessoas, abrir seus olhos para o mundo e dizer que as ASF são essenciais nas nossas vidas. Elas ajudam muito e muitos não enxergam isso”, argumenta Evellyn.

A aluna Letícia Isabeli Welter (13) já tinha certo conhecimento com relação às abelhas, pois seu pai também é criador, o que facilitou seu entendimento. “Aprender sobre é muito bom, até para evitarmos que elas entrem em extinção. Sem elas, não teremos uma variedade de alimentos”, reforça.

O coordenador do LKS Sustentável, Clovis Adilson, explica que, a partir deste ano, o meliponário será integrado ao LKS. Assim, a escola busca expandir o projeto e incentivar os alunos a criar as ASF junto de suas famílias. “O educandário será um laboratório vivo, outros poderão visitar”, cita.

“É uma estratégia educativa contínua, capaz de formar estudantes mais conscientes, participativos comprometidos com a sustentabilidade. Os alunos poderão observar de forma direta o comportamento das abelhas, o processo de polinização, a produção de mel para merenda escolar e a relação desses insetos com os ecossistemas, de forma segura”, complementa a professora Margarete.
Com iniciativas como essa, planejadas pela e para a comunidade, observa-se a verdadeira essência de uma educação que poliniza o presente para garantir que o amanhã floresça com vida e consciência.


Professores incentivam os alunos a partir do que também aprenderam com Ronei / Crédito: Camille Lenz da Silva
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