Em comunicado oficial, a Prefeitura de Salvador do Sul anunciou, nesta segunda-feira (2/3), o pedido de desligamento do Secretário Municipal de Saúde e Ação Social, José Igor Magalhães Marins.
O mesmo foi presidente da Associação Beneficente Hospital São Salvador entre 2023 e 2025, foi alvo da segunda fase da Operação Lamaçal, deflagrada pela Polícia Federal na semana passada. A PF esteve no local para realizar diligências.
De acordo com a nota oficial divulgada pela Associação Beneficente, a instituição teve contrato firmado em maio de 2023 com a empresa Plati Serviços, para a intermediação da contratação de médicos junto à Prefeitura de Lajeado.
Segundo a nota, o contrato foi estabelecido diante da insuficiência de capacidade de atendimento no hospital de Lajeado, que buscou casas de saúde da região para auxiliar na diminuição da demanda, priorizando parcerias com instituições filantrópicas.
Conforme a Associação, a formalização da parceria ocorreu durante as enchentes, após análise e parecer favorável de equipes jurídicas, que atestaram tratar-se de prática comum no contexto emergencial daquele período. O contrato foi encerrado em novembro de 2025, formalizado pelo atual presidente da associação, Marcos Rovian Klein.
Segundo a nota, Klein recebeu as autoridades e prestou informações solicitadas, assim como o ex-presidente, José Igor Magalhães Marins.
Operação Lamaçal
Na quinta-feira (26/2), a PF realizou buscas em oito municípios, durante a segunda fase da Operação Lamaçal. O objetivo da investigação é apurar um suposto desvio de recursos públicos federais do Fundo Nacional de Assistência Social (FNAS), repassados devido a enchente e incluindo indícios de direcionamento e pagamento de valores acima do mercado. O valor total dos contratos, de acordo com a investigação, soma aproximadamente R$ 120 milhões.
Entre os 20 endereços em que ocorreram diligências está o Hospital São Salvador, de Salvador do Sul.
No mesmo dia, foram presos o ex-prefeito de Lajeado e ex-secretário de Desenvolvimento Urbano e Metropolitano do RS, Marcelo Caumo, e a empresária ligada à Arki, beneficiada pelos recursos. Uma vereadora de Encantado foi afastada do cargo. Foi determinado também o sequestro de veículos e o bloqueio de ativos no montante de até R$ 5 milhões.
Os alvos da apuração são investigados pelos crimes de desvio de verbas públicas, crimes em licitações e contratos administrativos, além de lavagem de capitais.

