Ícone do site Folha Popular

Teutônia é estratégica para o crescimento do Grupo Passarela

Alexandre Simioni / Crédito: Thiago Maurique

De uma pequena mercearia de 250 metros quadrados em Concórdia, no Oeste de Santa Catarina, para uma rede em expansão no Sul do país. A trajetória do Grupo Passarela foi destaque no programa Inteligência Empresarial da Rádio Popular. CEO da empresa, Alexandre Simioni falou sobre a história da companhia, cuja origem remonta a uma lanchonete familiar. A migração para o setor supermercadista ocorreu em 1990 e marcou o início de um crescimento que tem em Teutônia um dos pontos estratégicos.

O município escolhido para receber um Centro de Distribuição concentrará toda a logística da rede no Rio Grande do Sul. O projeto prevê investimento superior a R$ 60 milhões e uma estrutura com mais de 15 mil metros quadrados de área de armazenamento. A unidade deve gerar mais de 100 empregos diretos e ampliar a movimentação de fornecedores e transportadoras no município.

Grupo Popular – Quais as origens do Grupo Passarela e da família Simioni?

Alexandre Simioni – Nossa família é toda da cidade de Concórdia. Nós éramos do interior, como a gente costuma dizer, e criávamos aves para a antiga Sadia, hoje BRF, em uma granja do meu avô. Depois, fomos para uma lanchonete no centro de Concórdia, um grande bar que movimentava bastante a noite da cidade. Eu comecei a trabalhar lá com 9 anos, como garçom, e foi ali que comecei a ganhar experiência. Trabalhava todos os dias depois do colégio, cumprindo minhas obrigações, e a família era toda envolvida no negócio.

GP – Quando a empresa migrou para o ramo de supermercados?

Simioni – Em 1986 estávamos na lanchonete e, em 1990, migramos para o ramo de supermercados. Abrimos nossa primeira loja, pequena, embaixo de um prédio que tínhamos construído. Era um espaço de cerca de 250 metros quadrados, praticamente uma mercearia. A mudança também teve uma questão prática. O terreno da lanchonete era do meu tio e ele acabou vendendo. Quem comprou solicitou o espaço, então não havia muito o que fazer.

GP – Por que o nome Passarela e como a empresa passou a expandir?

Simioni – Havia um pequeno rio ao lado da lanchonete e existia uma passarela que levava até o local. Por isso o nome Passarela. O crescimento foi mais lento no início. Abrimos a primeira loja em 1990 e demoramos 10 anos para abrir a segunda, no centro. Depois, em 2007, abrimos a terceira loja em Herval d’Oeste, quando saímos pela primeira vez de Concórdia. Esse foi um marco importante na nossa história. A partir daí, os intervalos entre aberturas foram diminuindo: primeiro, 10 anos, depois 7, depois 6, depois 5. A partir de 2018 e, principalmente, em 2019, houve uma aceleração maior no crescimento do grupo.

GP – Como foi a chegada ao Vale do Taquari?

Simioni – Aconteceu quando nós já estávamos presentes na Serra gaúcha, com lojas em Bento Gonçalves, Farroupilha e Caxias do Sul. Surgiu então a oportunidade das lojas da Cooperativa Languiru, tanto em Lajeado quanto em Teutônia. É uma região próspera, com economia sólida. Quando você chega a uma cidade onde ainda não é conhecido, como foi o caso de Lajeado, o desafio é maior para ganhar a credibilidade do consumidor. No início tivemos bastante trabalho, trouxemos colaboradores de outras filiais para ajudar. Hoje já conseguimos formar uma base de equipe e seguimos evoluindo.

GP – Qual a relação da empresa com Teutônia?

Simioni – Em Teutônia também estamos consolidando a equipe. As pessoas começam a perceber que a empresa oferece boas condições de trabalho e oportunidades de crescimento. Como crescemos bastante, surgem oportunidades rápidas de desenvolvimento profissional. Já temos pessoas que começaram em Teutônia e hoje ocupam posições de liderança em outras lojas. Isso fortalece a imagem da empresa como empregadora e, consequentemente, melhora o serviço ao consumidor. O Centro de Distribuição foi decidido para Teutônia justamente pela questão estratégica de localização.

GP – Como está esta obra?

Simioni – É um terreno grande, com mais de 100 mil metros quadrados. A terraplenagem começou há cerca de 30 dias e a previsão é de que a operação comece entre outubro e novembro. O CD terá mais de 15 mil metros quadrados de área de armazenamento e vai atender todas as lojas do Rio Grande do Sul, com exceção de Erechim. Terá estrutura para congelados, resfriados, hortifruti e para a parte seca. Será um Centro de Distribuição completo. É um grande empreendimento para Teutônia, com investimento superior a R$ 60 milhões apenas na obra.

GP – Quais as consequências dessa estrutura para a cidade?

Simioni – Vai trazer bastante movimentação. Todos os nossos fornecedores, transportadoras e prestadores de serviço passarão pelo Centro. Além disso, serão gerados mais de 100 empregos. É um tipo de emprego interessante, porque o CD funciona de segunda a sexta-feira, diferente das lojas, que têm o desafio de operar também nos fins de semana. Existe uma preocupação com a mão de obra, que já é escassa em Teutônia. Precisaremos criar alguns atrativos para completar o quadro de funcionários, porque o CD é o coração do negócio.

GP – O que você imagina para o futuro do Grupo Passarela?

Simioni – O grupo está crescendo com planejamento e com os pés no chão. Neste ano, estamos abrindo oito novas lojas e construindo o CD aqui em Teutônia. Além disso, temos outros investimentos. Temos uma indústria de água mineral em Chapecó, estamos ampliando a D’elena Alimentos, nossa operação de panificação, com investimento de cerca de R$ 29 milhões em equipamentos para automação. Também temos um frigorífico para facilitar o modelo de autosserviço de carnes e uma fábrica de suco de laranja. Somando todos os projetos, investiremos cerca de R$ 441 milhões no Rio Grande do Sul entre este ano e o próximo. A dica que deixo para os empreendedores é ter planejamento e governança dentro do negócio, especialmente em empresas familiares.

Assista à entrevista

Sair da versão mobile