Com emoção visível e orgulho no resultado, o diretor Antônio Lopes, o Tio Tony, celebrou o sucesso do espetáculo A Paixão de Cristo: Messias da Paz, que voltou a ser apresentado em Venâncio Aires e arrancou aplausos de pé do público. “Quando o público aplaude de pé, é sinal de nota máxima. E foi isso que aconteceu”, destacou.
O evento reuniu cerca de 50 atores e lotou o espaço em frente à igreja, transformando a encenação em uma experiência marcante de fé e arte. Em formato de pirâmide invertida, o espetáculo reafirmou sua força cultural ao proporcionar acesso gratuito a uma produção de alto nível, especialmente para quem não tem condições de se deslocar a outras cidades.
Segundo Tio Tony, o cuidado com os detalhes foi determinante para o impacto da apresentação. A montagem apostou em rigor histórico aliado a uma licença poética sensível, resultando em uma dramaturgia fiel e ao mesmo tempo envolvente. “Pesquisamos muito para não cometer equívocos. A dramaturgia é maravilhosa, com uma licença poética linda, mas fiel à história”, explicou.
A estética também foi destaque. Figurinos elaborados, iluminação precisa e cenografia pensada para dialogar com a arquitetura neogótica da igreja — considerada uma das maiores da América Latina — contribuíram para uma ambientação harmoniosa. “Optamos por uma linguagem que não competisse com a majestade da igreja, mas que a valorizasse”, completou o diretor.
O retorno do espetáculo à cidade tem significado especial. Após a pausa causada pela pandemia, o projeto seguiu ativo em Feliz, onde contou com a participação de integrantes de Venâncio Aires nos últimos anos. Agora, a retomada em solo venâncio-airense simboliza, nas palavras do diretor, “uma entrada triunfal”, em referência a uma das cenas da peça.
A realização do evento também evidenciou a força do trabalho coletivo. Mais de 60 pessoas estiveram envolvidas diretamente na produção, entre elenco, equipe técnica e voluntários. A Igreja Batista da Paz teve papel fundamental ao oferecer estrutura para ensaios e hospedagem durante dois meses. “Foi uma verdadeira corrente de solidariedade. Sem isso, não seria possível”, ressaltou Tio Tony.
Produtor cultural em Venâncio Aires, Saul Zart também destacou o impacto social da iniciativa. Para ele, o espetáculo cumpre uma função importante ao democratizar o acesso à cultura e promover a reflexão. “Muitas pessoas não têm o hábito ou condições de viajar para assistir a uma produção assim. Aqui, tiveram essa oportunidade, e o retorno foi emocionante”, afirmou.
Zart enfatizou ainda a organização e o comprometimento da equipe. Segundo ele, o cronograma foi seguido à risca e o resultado superou as expectativas. “Começou e terminou no horário, tudo funcionou perfeitamente. O mais importante foi tocar o coração das pessoas, e isso nós conseguimos”, avaliou.
O produtor também agradeceu aos patrocinadores, viabilizados por meio da Lei de Incentivo à Cultura, e aos apoiadores locais. Ele destacou a parceria de longa data com o diretor Antônio Lopes, iniciada em 2014, interrompida apenas durante a pandemia. “Que possamos manter esse projeto todos os anos”, projetou.
A próxima apresentação já tem data marcada: será na Sexta-feira Santa, dia 3 de abril, em Feliz, dando continuidade à quarta edição do espetáculo no município.
Ao final, o sentimento compartilhado entre organizadores e público é de gratidão e esperança. A arte, aliada à fé, mostrou mais uma vez sua capacidade de unir pessoas e emocionar — deixando no horizonte a expectativa de novas edições ainda maiores.

