Escola Professor Alfredo Schneider celebra trajetória formada por muitas mãos e trabalho comunitário

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A comunidade escolar se reuniu no sábado para prestigiar os alunos e relembrar a história do educandário / Crédito: Letícia Echer

No dia 25 de fevereiro de 1991, a Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Professor Alfredo Schneider iniciou as atividades oficialmente. Neste sábado (11/4), o educandário do Bairro Teutônia comemorou seus 35 anos com a Festa da Família sob o lema “Honrar o passado, cuidar do presente e construir o futuro”.

A programação iniciou com a fala do presidente do Conselho de Pais e Mestres (CPM), Jair Pott e da subsecretária de Educação, Shana Müller. Na sequência, os alunos se apresentaram e encantaram a comunidade.

Durante o evento, estiveram expostos os materiais didáticos do professor Alfredo Schneider, patrono da escola. Fotos e reportagens sobre o educandário também foram colocadas à disposição dos visitantes.

A ex-professora do educandário, Cláudia Ludwig, foi homenageada. Por 19 anos, ela ensinou e guiou os alunos da escola pela disciplina de Língua Portuguesa. “Dezenove anos não são apenas um ‘tempo de serviço’, são anos dedicados à construção de outras vidas. No contexto escolar, isso tem um peso emocional e social que poucas profissões carregam”, afirma.

Além da sala de aula, ela foi coordenadora da Cooperativa Escolar Alfredo Schneider (Cooperas) por 7 anos. “Ali aprendi e ensinei o que é a solidariedade, o empreender e o significado do cooperativismo na prática”, destaca. Hoje, quem está à frente da Cooperas é a professora Edileni Moraes Pereira.

“Dizem que a escola é feita de paredes e livros, mas, após tantos anos de trabalho na Alfredo Schneider, sei que ela é feita de pessoas e tempo. Olho para trás e vejo que não apenas vi a escola mudar, eu mudei com ela”, salienta. Para ela, a homenagem “foi um momento de emoção que representa o elo eterno entre a instituição e aqueles que ali trabalham”.

Linha do tempo viva

Outro momento significativo da programação foi a formação de uma linha do tempo com convidados que marcaram a história do educandário. “Reviver momentos importantes da escola através da linha do tempo humana faz com que a gente se sinta pertencente sem nem ter vivido esse tempo”, destacou Shana.

A diretora Karina Scholz ressaltou o papel dos convidados, representantes vivos da história. “Trazer todas essas pessoas que tiveram a sua parcela de contribuição foi muito marcante; suas falas foram repletas de muito carinho e orgulho em poder fazer parte da construção desta linha do tempo”, frisa.

Segundo ela, a intenção era convidar ainda mais pessoas, mas não foi possível.

Karina entrou como professora de uma turma de 4ª série em 1999. Dezessete anos depois, ao liderar as comemorações de 35 anos, tem o sentimento de gratidão e dever cumprido por resgatar e documentar essa história. “As pessoas que passaram por aqui deixaram a sua marca e sua contribuição e guardam um carinho muito grande pela instituição. Esse é um sentimento que também me acompanha. Entre erros e acertos, construímos uma história e, no futuro, quem sabe, a gente também faça a diferença”, disse.

A ex-professora Lígia Dörr Lagemann começou a trabalhar na Alfredo Schneider em 1994, com a primeira turma de Educação Infantil. Anos depois, também assumiu a primeira turma de 5ª série. Ela lecionou Língua Portuguesa e Inglesa. Com a implementação das demais séries, assumiu as turmas nos turnos da manhã e da tarde.

Para ela, educar não é apenas ensinar o conteúdo em sala de aula; é criar vínculos, escutar histórias e crescer junto. “Foram anos muito especiais nesse educandário. Participei da criação do Grêmio Estudantil, da diretoria do CPM, vivenciei as várias etapas de construção do prédio novo da escola, e, principalmente, participei da vida de muitos estudantes e familiares”, agradece.

Lígia se afastou em 2020, quando se aposentou. Mas deixa sua mensagem para os alunos: “Agradeço pela convivência, pelas trocas, aprendizados e desafios superados. Tenho muito orgulho do crescimento de cada um e espero que levem os conhecimentos adquiridos como base para construir um futuro brilhante”.

História de trabalho e dedicação

A ex-professora Jeane Beatriz Unnewehr representou 1991, ano de fundação da escola. “É o educandário no qual eu iniciei e onde eu também me aposentei. No Bairro Teutônia, na época, só havia uma escola particular, o Colégio Teutônia. O bairro reivindicava uma escola pública, as lideranças escutaram e se criou a Emef Professor Alfredo Schneider”, conta Jeane. O Colégio Teutônia, inclusive, emprestou as primeiras mesas e cadeiras para as salas.

As professoras Haide Dannebrock e Iara Dreyer iniciaram esta trajetória junto de Jeane. O prédio tinha apenas quatro salas e mais de uma turma estudava na mesma sala. “Foi um ano bem desafiador, mas de muitas alegrias e conquistas. Nós dávamos aula até sábados de manhã, professores e alunos faziam a faxina”, lembram.

Além do esforço dos professores, o apoio do CPM foi muito importante desde o início das atividades educacionais. No início, cada aluno trazia seu lanche. Com a instalação de uma cozinha improvisada, os estudantes passaram a trazer os ingredientes para a merenda. A construção do espaço atual, por exemplo, é fruto do trabalho voluntário do CPM aos fins de semana. Com picaretas e pás, os voluntários escavavam para construir a cozinha no subsolo da atual biblioteca.

O primeiro prédio da escola se localizava no atual Espaço Pró-Cultura da Comunidade Paz, próximo à igreja católica do bairro. Algumas aulas aconteceram temporariamente em espaços emprestados devido ao crescimento da escola. A inauguração do segundo prédio ocorreu em 2004, na atual localização. Em 2008, o terceiro prédio foi aberto e a escola passou a funcionar em um único espaço.

Neste ano, iniciaram as obras de ampliação do educandário. O projeto prevê uma ampliação de 526,38 metros quadrados, com a construção de quatro novas salas de aula, banheiros, área administrativa e recepção/secretaria. “A ampliação vem ao encontro de uma necessidade que a escola apresentou recentemente, com o aumento de matrículas”, afirma a subsecretária Shana Müller.

A expectativa é que o novo bloco de salas esteja concluído até o fim de 2026. “Nós não conseguimos atender todas as solicitações de matrículas no início do ano. Alguns alunos do bairro foram direcionados para escolas em outros locais, mas com essas salas novas vamos dar conta da necessidade real de matrículas do Bairro Teutônia”, ressalta a diretora Karina.

“Durante o recreio, os alunos param e veem os pedreiros levantando as paredes, construindo. Eles também acompanham e vão poder dizer no futuro que viram o prédio ser construído”, aponta.

Linha do tempo

1994 – Implantação da 1ª turma de Pré-escola
1999 – Implantação da 1ª turma de 5ª série
2000 – Implantação da 1ª sala de informática nas escolas municipais
2002 – Integração do primeiro prédio do novo espaço
2004 – Inauguração do segundo prédio da escola
2005 – Criação da logo da escola
2008 – Inauguração do terceiro prédio da escola
2010 – Construção da rampa de acesso da escola
2012 – Climatização das salas de aula
2013 – Inauguração do ginásio e reinauguração da biblioteca
2015 – Prêmio de destaque em Gestão de Qualidade
2016 – Criação da Cooperativa Escolar Cooperas
2022 – Mutirão de embelezamento da escola e reinauguração da Sala Verde
2023 – Construção da quadra poliesportiva da escola
2026 – Prêmio destaque em Fluência Leitora e construção do novo módulo de salas

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