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Reload desvenda os desafios e oportunidades do varejo

Evento reuniu mais de 300 empresários e profissionais do varejo no Clube Tiro e Caça, em Lajeado / Crédito: Thiago Maurique

Mais de 300 pessoas participaram do 11º Reload Sindilojas na noite de quinta-feira (16/4) no Salão Social do Clube Tiro e Caça, em Lajeado. Promovida pelo Sindilojas Vale do Taquari, a programação foi estruturada para provocar o público a sair do automático e repensar estratégias diante de um cenário de constantes transformações.

A primeira palestra foi conduzida por Carolina Felipelli, líder de desenvolvimento do Lab Fecomércio-RS, que abordou o uso prático da inteligência artificial no varejo. Segundo ela, a tecnologia não deve ser encarada como solução automática, e sim como uma ferramenta estratégica.

Para Carolina, a primeira ação para usar a IA de forma adequada é entender onde está o gargalo do negócio. “Pode ser no atendimento ao cliente, vendas, estoque ou logística. Hoje, competir com o digital exige automatizar atendimentos e ganhar escala”, explicou.

Conforme a especialista, mais importante do que o custo é a mentalidade do empresário. “Nem toda ferramenta é gasto, muitas são investimento para manter a continuidade do negócio”, pontuou ela.

Vendas

Na sequência, a economista-chefe da Fecomércio-RS, Patrícia Palermo, abordou vendas. Ela percebe que os resultados dependem mais das ações realizadas na empresa do que da macroeconomia. “Temos uma tendência de colocar a culpa na economia, mas vemos resultados distintos dentro de um mesmo setor”, alertou.

Patrícia chamou atenção para a mudança no perfil demográfico da população brasileira. “Nunca tivemos um percentual tão grande de pessoas com mais de 60 anos. Isso muda a forma de atender e vender”, disse ela.

Outro ponto é a necessidade de se adaptar ao comportamento do consumidor e estar presente nos canais que o cliente usa. Patrícia ainda discorreu sobre como contratar as pessoas certas, treinar equipes de acordo com a cultura da empresa, precificar corretamente e evitar descontos que apenas corroem a margem. “Em cenários positivos, isso potencializa resultados. Nos difíceis, ajuda a reduzir impactos”, destacou.

Emoção e comportamento

Por fim, o especialista em comportamento e diretor da Vithall Treinamentos, Rafael Müller, destacou o impacto das emoções nas decisões de compra e na gestão de equipes. Segundo ele, cerca de 95% dessas decisões são emocionais e quem entende esse mecanismo consegue se diferenciar no mercado.

Rafael também abordou a relação entre engajamento de equipes e resultados financeiros. Indicou que ambientes mais positivos tendem a aumentar a produtividade e a lucratividade. Segundo ele, muitas empresas deixam de crescer não só por questões de mercado, mas pela dificuldade em formar e manter equipes preparadas. “O comportamento virou um diferencial estratégico dentro das empresas”, pontuou.

Ele enfatizou ainda a importância do controle emocional no atendimento e na liderança, especialmente em um cenário de pressão e alta competitividade. Para ele, o varejo físico tem vantagem clara frente ao digital quando transforma o contato humano em experiência. “Quem souber usar ‘olho no olho’ para criar conexão vai vender mais”, reforçou o especialista.

Ainda, chamou atenção para a mudança de comportamento dos profissionais, sobretudo das novas gerações, que valorizam mais o ambiente de trabalho do que apenas a remuneração. Para Muller, compreender essa mudança pode decidir a sustentação de resultados no longo prazo e construir equipes mais engajadas e alinhadas aos objetivos do negócio.

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