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“O líder deve ser tanto o termômetro quanto o termostato”, defende Danielle Harth

Danielle defende ser possível treinar a mente para enxergar novas perspectivas e ser feliz / Crédito: Camille Lenz da Silva

A Câmara de Indústria e Comércio (CIC) de Teutônia realizou mais uma edição do Almoço Empresarial na quinta-feira (16/4). O evento teve a participação de Danielle Harth, gestora de felicidade e bem-estar, jornalista e especialista em Psicologia Positiva com certificação internacional como Chief Happiness Officer.

A especialista defendeu que, embora o ser humano seja biologicamente inclinado a ver primeiro os problemas para fugir deles ou solucioná-los, é possível treinar a mente através da psicologia positiva para enxergar novas perspectivas e focar na saúde, e não apenas na doença.

Nesse sentido, a ciência da felicidade foi apresentada como uma ferramenta prática para diversos fatores da vida. Sustentada pelo modelo SPIRE, desenvolvido por Tal-Ben Shahar, a sigla em inglês reúne os aspectos espiritual, físico, intelectual, relacional e emocional.

Em analogia a uma árvore, o emocional é a base de tudo (raízes). O físico é a sustentação, a saúde. O intelectual são os galhos: crescem quando buscamos aprender, experienciar. O relacional são as folhas, que fornecem oxigênio para a árvore. Já o espiritual fica no topo; tem a ver com o propósito, o que entregamos para o mundo.

Mundo empresarial

Danielle contextualizou a crise estrutural vivida no mundo do trabalho. Destacou que o Brasil ocupa o 1º lugar em casos de ansiedade, além de registrar altos índices de depressão e burnout. Estes cresceram 750% entre 2021 e 2025, afetando 20% dos trabalhadores brasileiros. “A maior pandemia do nosso tempo é emocional”, enfatizou ela.

A especialista salienta que somente 5% os 500 mil afastamentos por saúde mental foram originados no trabalho. “O trabalho não é necessariamente o vilão – pode ser um dos vetores da felicidade, pois nele enxergamos propósito e talento. No entanto, também pode ser fator de adoecimento. Antes de sermos racionais, somos emocionais. Por isso, ambientes saudáveis não têm a ver só com a estética, mas com um local psicologicamente saudável. A ciência da felicidade é ferramenta, não só teoria”, disse.

Aponta que muitos funcionários estão no “presenteísmo”, quando o corpo está presente, mas a mente divaga: “Por isso as pessoas não conseguem entregar no trabalho. Ao contrário do que muitos acreditam, é impossível separar vida pessoal da profissional”. Ela defende que as lideranças são o farol que guia os funcionários para fora do automático.

Define um líder como quem busca o extraordinário, o talento de cada um, e o coloca no local mais adequado. Mas, para isso, ele mesmo deve saber se está no lugar certo.

Um líder com fortes habilidades emocionais pode aumentar em 50% a motivação e sensação de felicidade da equipe: “Eles devem ser tanto o termômetro, que identifica como está o clima do grupo, quanto o termostato, capazes de regulá-lo”.

10 atitudes do líder positivo:

– Cultiva uma intenção genuína de ser feliz e compreende que isso influencia diretamente o clima ao seu redor;
– Valoriza pessoas e constrói relações humanas de qualidade, pois compreende que não há divisão entre casa e trabalho;
– Entende a vida como um processo contínuo de evolução, no qual errar faz parte do processo;
– Age com coerência, porque sabe que atitudes são o verdadeiro exemplo;
– Respeita a importância das pausas como parte essencial da produtividade sustentável;
– Promove conversas difíceis que partem da escuta, não do julgamento, fortalecendo vínculos;
– Reconhece o potencial de cada pessoa e desenvolve talentos; forma equipes e habilidades complementares;
– Constrói um ambiente de segurança psicológica, no qual as pessoas se sentem seguras para se expressar e mostrar vulnerabilidades;
– Celebra as conquistas do processo (não só o resultado);
– Observa e considera as emoções da equipe.

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