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“Encontrei nele um amigo e um avô”

Éderson da Rocha e Kenller Eduardo com o professor Famil / Crédito: Arquivo Pessoal

Na Rádio Popular FM 96.9, o legado de Arno von Mühlen não se mede apenas por antenas erguidas ou transmissões que chegaram mais longe. Ele se revela, principalmente, nas relações que construiu ao longo do tempo, muitas delas silenciosas, feitas no cotidiano, entre orientações, exemplos e gestos simples.

Para o coordenador de Programação da emissora, Kenller Eduardo, essa relação ultrapassa o ambiente profissional. “Encontrei nele um amigo e um avô, que há muito tempo não tenho mais”, diz. A frase direta carrega o peso de uma convivência que começou nos fins de semana, ainda nos primeiros passos dentro da rádio, e se transformou em aprendizado contínuo.

Kenller descreve um comunicador atento, daqueles que escutava o outro lado antes de falar. Alguém que construía sua programação a partir dos ouvintes, respeitando gostos, histórias e pedidos. E que, mesmo com toda a experiência acumulada, nunca fechou portas. Pelo contrário: fazia questão de abrir espaço para quem estava começando.

“Além de conhecedor da parte técnica, o Famil é um comunicador exemplar. Muito utilizou as sugestões dos seus ouvintes para montar os seus programas e, principalmente, para escolher a sua trilha sonora”, relatou.

Kenller cita Famil como um exemplo por seu conhecimento incomum e a preservação da humildade. “Sempre deu espaço para os novatos e, nesse aspecto, me incluo como um dos aprendizes que seguem seu legado”, conclui o coordenador.

Aprender fazendo, ao lado de quem sabia ensinar

É nessa capacidade de ensinar sem impôr, de orientar sem distância, que o nome de Famil se consolidou também como referência para quem seguiu no rádio.

Histórias como a do jornalista Ederson da Rocha ajudam a ampliar esse retrato. Em 2002, recém-chegado de Palmitinho, encontrou na Rádio Popular mais do que uma oportunidade de trabalho – encontrou um guia.

Entre coberturas, programas e transmissões externas, o aprendizado veio na prática, muitas vezes em situações que exigiam rapidez e improviso. “Foi ele quem me ensinou as soluções técnicas que fazem tudo funcionar e a lidar com os momentos de tensão ao vivo”, relembra.

Mas não são apenas os ensinamentos técnicos que permanecem. Ficaram também as imagens que o tempo não apaga. O Jeep verde, carinhosamente apelidado de “Cipriano”, as subidas até a Lagoa da Harmonia, os bastidores de uma emissora que, para muitos, deixou de ser apenas local de trabalho para se tornar uma verdadeira escola. Entre cabos, microfones e estradas de chão, formou-se algo maior do que uma equipe. Formaram-se vínculos.

O legado que se constrói nas pessoas

E talvez seja justamente esse o traço mais forte de Famil neste ponto da série: alguém que não apenas construiu estruturas ou colocou uma rádio no ar, mas que multiplicou conhecimento, abriu caminhos e deixou marcas nas pessoas.

Um condutor de sinais, sim. Mas, acima de tudo, um condutor de histórias, de oportunidades e de afetos que ainda hoje seguem em plena transmissão.

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