A Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) Taquari/Tabaí promoveu o 4º Congresso de Negócios na quinta-feira (23/4). A expectativa da entidade para a 4ª edição se confirmou com grande público de empreendedores e líderes, reunidos no Retatec Tênis Club, em Taquari.
Foram abordados temas como inteligência artificial, reforma tributária, escala de trabalho, mudanças em processos empresariais e formas de consumo do varejo. Destaque especial para a palestra de Leandro Karnal, que abordou direção emocional e caminhos para a nova era do trabalho.
A presidente da CDL Taquari/Tabaí, Gabriela Pereira Soares, aponta que o objetivo do Congresso de Negócios é trazer temas atuais e relevantes, tanto para os empresários como para seus colaboradores.
“IA, o momento atual da economia, escala 6×1, a questão das guerras, atendimento, vendas. A CDL sempre realiza uma pesquisa ao fim do evento, na qual questiona o público presente sobre o que gostaria de ouvir e o que mais pontuou nas palestras. Procuramos discutir na diretoria e trazer essa diversidade de temas para abranger o público em geral”, observa.
“Mais do que um encontro, o congresso é promovido para lembrarmos o motivo da nossa entidade, que nos juntamos para crescer e nos desenvolver a cada dia”, conclui Gabriela.
Conforme a diretora-executiva da Câmara de Indústria e Comércio (CIC) de Teutônia, Carina Schulte Bolfe, a entidade está presente desde a primeira edição do congresso. “Esses são os momentos importantes que as entidades devem proporcionar, principalmente para trazer aprendizado, conhecimento e troca entre os associados. Também é uma forma de encontro entre nós, entidades”, cita.
Para Teutônia, a CIC busca levar os aprendizados obtidos sobre liderança, atendimento e cuidado com as pessoas. “São pontos extremamente importantes em qualquer negócio hoje, tanto na indústria como no comércio e serviços”, conclui.
Programação
A manhã iniciou com a palestra “Como os agentes de inteligência artificial estão mudando os processos de negócios”, com o especialista em TI, Alan Santos.
Ele apresentou diversas formas de utilização da IA para automatizar processos, listas e tarefas. Para Santos, há três pilares no uso da inteligência artificial: impacto em produtividade e eficiência, execução de processos reais e capacidade para além dos chatbots.
Em seguida, ocorreu painel com a jornalista Rosane de Oliveira (Grupo RBS), com o presidente da Federasul, Rodrigo Sousa Costa, Oscar Frank (CDL POA) e André Brito (prefeito de Taquari). A discussão foi mediada pelo diretor da CDL Taquari/Tabaí, César Marques Fazenda.
Na sequência, Fabiano Zortea abordou o tema “O novo varejo raiz”. Ele ensinou os ouvintes a celebrar o cliente não só quando a compra é efetivada, mas assim que o mesmo entra na loja. “Ele já te deu o voto de confiança ao vir até você. Fazer o básico bem-feito é difícil, por isso é ali que precisa ser depositada a maior quantia de energia”, simplifica.
Ele ressalta que hoje existem seis gerações convivendo, das quais quatro estão no mercado de trabalho. “Perdemos muito tempo para ver quem tem razão, enquanto deveríamos focar nas soluções. Antes de vendermos, precisamos estabelecer vínculos comunitários”, aponta.
O diretor comercial da Motasa, Luciano Fragapani, abordou as estratégias para fortalecer líderes que mantêm a empresa entre as melhores para se trabalhar no Brasil. Segundo ele, o salário emocional deve estar acima do salário financeiro, e isso só se consegue ao cuidar bem das pessoas, dos colaboradores. “As empresas precisam ter um bom setor de RH. Mas, acima de tudo, devem capacitar suas lideranças para incentivar nos liderados a confiança e o orgulho de trabalhar na empresa”, ressalta. Segundo ele, só assim é possível pensar atitudes para supreender e conquistar clientes.
Por fim, Leandro Karnal trouxe reflexões sobre direção emocional e caminhos para a nova era do trabalho. O historiador enfatizou a necessidade de fazer negócios levando em conta a terceira idade, faixa populacional que mais cresce no Brasil. “Em geral, tem renda para viajar e comprar. Enquanto isso, agências de viagens e academias só esbanjam fotos de jovens. Meu negócio não pode ser preconceituoso, pois as pessoas gastam independente de classe social, cor ou orientação sexual”, aponta.
Para ele, o maior problema atual é o descompasso entre as habilidades dos funcionários e as necessidades da empresa. Por isso, a afinação da equipe precisa ser constante, e o líder é quem faz o trabalho invisível.
Por outro lado, Karnal aponta para a solidão do líder, pois há tendência em concentrar tarefas e dificuldade de delegar. Por fim, cita que, enquanto a expectativa é gerir, a realidade é que o líder é um administrador de egos. Dessa forma, insiste na importância de manter o aprendizado constante. “39% das habilidades entre 2025 e 2030 estão sendo transformadas ou tornadas obsoletas”, conclui.
