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Empresário une formação de condutores e o mercado imobiliário

Jeferson Althaus / Crédito: Thiago Maurique

A trajetória de Jeferson Althaus no empreendedorismo passa por diferentes fases e setores, sempre com foco em adaptação às mudanças de mercado. À frente do CFC Schneider, empresa na qual atua faz 15 anos, ele acompanhou transformações relevantes na formação de condutores, desde alterações na legislação até mudanças nos modelos de ensino e exigências operacionais.

Neste ano, Althaus ampliou sua atuação ao ingressar como sócio na ZeroOito Imóveis, movimento que acompanha o aquecimento do mercado imobiliário em Teutônia. Impulsionada pelo aumento populacional e por novos empreendimentos, a cidade tem atraído investimentos e ampliado a demanda por moradia, cenário que abre novas oportunidades na região.

Grupo Popular – Como começa a sua trajetória no empreendedorismo?

Jeferson Althaus – Minha vida profissional iniciou em uma empresa familiar. Meu pai teve uma videolocadora em Teutônia por muitos anos. Com a mudança para o streaming, percebi que não conseguiríamos mais manter o negócio. Migrei para outra atividade e tive uma experiência com uma fábrica de sofás. Com o tempo, vi que não era meu nicho, pois tinha experiência em gestão, mas não em produção. Vendemos a fábrica e surgiu o convite do Valmir e da Márcia, meus sogros, para participar do CFC Schneider. Comecei como instrutor de aulas teóricas e práticas e, aos poucos, fui assumindo funções na gestão.

GP – De que forma o negócio começou?

Althaus – Antes de 1997, quando entrou em vigor o Código de Trânsito Brasileiro (CTB), o Valmir já possuía uma autoescola onde preparava os alunos, tanto para a parte prática como a teórica e levava até Estrela, que era a sucursal mais próxima para fazer as provas práticas. Na época, não era exigido que o aluno procurasse uma autoescola para fazer essa parte de habilitação, de preparo. Ele foi incentivado por um amigo que possuía uma autoescola em Santa Cruz do Sul e resolveu abrir aqui em Teutônia. Quando o Detran-RS assumiu a gestão das habilitações, a partir do CTB, as autoescolas passaram a ser Centros de Formação de Condutores.

GP – Como funcionava o processo de habilitação quando você ingressou no negócio?

Althaus – Entrei em 2001, quando a parte teórica tinha 30 horas/aula e depois passou para 45. A prova era feita no papel. As aulas práticas eram 15 e passaram para 20. Nesse período, também tivemos a implementação do simulador de direção. Para o CFC, ele ajudava na preparação inicial, principalmente para quem não tinha noção de condução. Quando o aluno ia para a prática, já estava mais preparado. Muitos chamavam de videogame, mas é semelhante ao que acontece com pilotos de avião, que passam por simuladores antes de operar uma aeronave.

GP – Quando caiu a exigência do simulador? Como vocês realizam esse tipo de investimento?

Althaus – Entre 2023 e 2024. Foram retiradas as aulas obrigatórias no simulador, voltando para 20 aulas práticas. O investimento no simulador era alto, próximo ao valor de um carro zero na época. Ele se pagou, mas hoje é um equipamento sem uso. É um setor desafiador, porque investimentos obrigatórios podem deixar de existir de uma hora para outra. Hoje temos 12 veículos na categoria B e a nossa última aquisição foi uma Sprinter zero-quilômetro, com valor acima de R$ 500 mil. O desgaste dos veículos é muito maior do que em uso comum, principalmente embreagem e pneus. Hoje, trabalhamos apenas com recursos próprios. É uma filosofia da empresa. Se não há caixa, aguardamos o momento certo para investir.

GP – Como é trabalhar em família?

Althaus – Conseguimos gerir bem. Existem discussões, mas resolvemos com diálogo. Hoje na empresa trabalham a minha esposa e meus sogros. Quando a gente conversa, discute e não tem como resolver naquele dia, cada um vai para casa, pensa, e no outro dia volta a conversar de novo. Um combinado que a gente tem é tentar não falar sobre o CFC nos fins de semana. Às vezes dá certo, às vezes, não. Mas, quando surge o assunto, combinamos de marcar uma reunião para conversar sobre o negócio na segunda-feira.

GP – As mudanças recentes na legislação impactaram o setor?

Althaus – Sim. Com a Resolução 1.020, aumentou a procura, mas o faturamento caiu. A exigência mínima passou para duas aulas práticas, o que considero um retrocesso pedagógico. Muitos acabam precisando comprar mais aulas depois. A baliza saiu da prova, mas continua necessária na prática. Muitos clientes voltam para aprender. Criamos, inclusive, um plano específico para isso.

GP – Porque o ingresso na ZeoOito Imóveis?

Althaus – Eu conheço o Francis e o Mário, que hoje são nossos sócios, há mais de 4 anos, porque eles prestavam consultoria para o CFC Schneider. Nesse período, criamos um vínculo que evoluiu para uma relação de confiança. No ano passado, eles manifestaram o interesse de expandir a atuação da empresa para Teutônia. Eu entrei como sócio nesse projeto, mas deixei claro desde o início que não poderia atuar diretamente na operação, porque o CFC ainda exige bastante da minha rotina. A unidade foi inaugurada no dia 2 de abril e hoje temos a Jennifer como sócia-operadora e gerente.

GP – Por que Teutônia passou a atrair mais empresas do setor imobiliário?

Althaus – No ano passado, estimou-se que Teutônia recebeu entre 4 mil e 5 mil pessoas em função das enchentes na região. A cidade absorveu essa demanda e isso impactou fortemente o mercado imobiliário. Além disso, Teutônia já apresentava potencial de crescimento, com o surgimento de novos empreendimentos. O setor imobiliário tende a movimentar a economia local, com construções, entrada de investidores e diferentes modalidades de aquisição, como programas habitacionais e financiamentos.

GP – Como você enxerga o futuro dos negócios?

Althaus – Na ZeroOito, a proposta é trabalhar de forma consultiva, entendendo primeiro a necessidade do cliente para depois apresentar as opções. A compra de um imóvel é uma decisão de longo prazo, então é fundamental que o cliente se identifique com o espaço e com a localização. É um mercado promissor e a expectativa é de crescimento consistente nos próximos anos. No CFC, buscamos continuidade e adaptação. As mudanças nos tiram da zona de conforto e exigem inovação constante.

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