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“Não é só o futebol, é a união e respeito entre mulheres que antes não tinham possibilidades”

A ideia é dar chance a quem não teve muitas oportunidades - Crédito: Arquivo Pessoal

O que começou como uma ideia simples entre amigas rapidamente se transformou em um movimento que ganha força no esporte de Teutônia.

O projeto “Amigas da Thaina” nasce com um propósito de criar espaço, incentivar a participação feminina e construir um ambiente de acolhimento dentro e fora das quadras.

A iniciativa surgiu a partir da vontade de Thaina Herder de se manter próxima do futebol, mesmo sem ter seguido carreira como atleta, o que era um sonho de criança.

“Sempre quis ser jogadora ou atuar na área de futebol, mas acabei por não ter as oportunidades e tive que seguir outros caminhos”, lembra. A falta de chances no passado não a afastou totalmente do esporte, mas serviu de motivação para dar um novo passo.

A ideia inicial era simples: reunir amigas para jogar em um horário específico. Mas o projeto tomou outra dimensão. “Como ficou uma coisa bem grande, pensei em não fazer só um elenco de horário, mas um time sério, com bases mantidas em família, união e respeito”, comenta.

Mesmo com pouco tempo de existência, o projeto já apresenta números e resultados que chamam atenção. Com cerca de 2 meses de atividades, o grupo reúne aproximadamente 30 atletas, divididas em dois times, e participa de competições locais.

O engajamento crescente tem sido fundamental para atrair novas participantes e possíveis apoiadores. “Conseguimos bastante envolvimento nas redes sociais e crescemos cada vez mais. Isso auxilia muito na nossa divulgação”, afirma Fernanda Prediger, uma das atletas.

Formação e acolhimento

O projeto vai além da prática. A proposta das Amigas da Thaina envolve a formação de cidadãs e a criação de um ambiente seguro e inclusivo para meninas e mulheres.

“Não é só botar as gurias na quadra. A ideia é estruturar uma escolinha com acompanhamento completo, suporte psicológico, preparação física e participação da família no processo”, almeja Thaina.

O objetivo é deixar um legado duradouro. Fernanda compartilha dessa visão e destaca a importância de formar pessoas, além de atletas. “Queremos garantir uma base para elas, para que se transformem em mulheres prontas para o mundo lá fora”, aponta.

Um dos momentos mais marcantes do início do projeto resume bem o impacto que a iniciativa tem gerado. Durante um dos primeiros jogos, uma menina emocionou o grupo. “Ela começou a chorar no jogo, e disse que estava assim por ter oportunidades de receber passes e atuar com a bola”, recorda Thaina.

Isso revela uma realidade ainda presente no esporte e reforça a importância do acolhimento. Para a fundadora, esse episódio reforça o verdadeiro sentido do projeto.

“Não é só o futebol, é a união, o respeito e a socialização entre mulheres que antes não tinham essas possibilidades e agora podem jogar, atuar ou simplesmente passar a bola”, considera.

Desafios e futuro

Apesar do crescimento, o futebol feminino ainda enfrenta obstáculos na região. A falta de incentivo e de competições é um dos principais pontos levantados pelo grupo.

“Há uma carência de times femininos. Teutônia não é sede de nenhum campeonato, o que complica ainda mais a situação”, observa Thaina.

Mesmo assim, algumas iniciativas representam avanços para o cenário. Fernanda reconhece as dificuldades, especialmente no início da trajetória das meninas.

“Ainda temos muitas restrições, especialmente por ser um esporte masculinizado e dominado por homens. Contudo, há uma crescente muito interessante e que tem mudado essa realidade”, afirma.

Ao pensar no crescimento sustentável, o próximo passo das Amigas da Thaina é a criação de uma escolinha voltada para meninas entre 6 e 12 anos. A ideia é formar uma base sólida e incentivar o ingresso no esporte desde cedo.

O plano inclui parcerias com profissionais e instituições para oferecer uma estrutura completa de desenvolvimento. Além disso, o grupo pretende buscar formalização e apoio de empresas para viabilizar a expansão.

Legado começa a ser escrito

Entre treinos, jogos e planos, o projeto cresce com uma identidade definida. Quer competir, vencer e conquistar títulos, mas sem perder o propósito inicial.

Aberto a todas que desejam participar, o grupo reforça que o futebol pode – e deve – ser um espaço para todos. “Não selecionamos por talento, damos oportunidade a todas que queiram jogar”, acrescenta Thaina.

Em Teutônia, o movimento liderado pelas Amigas da Thaina começa a ganhar forma e relevância.

E, enquanto novas meninas chegam, novos jogos acontecem e novas histórias são construídas, o grupo segue firme naquilo que motivou tudo desde o início: a vontade de fazer diferente e abrir caminhos onde antes havia espaço vazio.

Assista à entrevista:

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