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A trajetória de uma “atleta da voz”

Laura Dalmás / Crédito: Luciana Brune

Para a cantora Laura Dalmás, a música nunca foi apenas um passatempo, mas um negócio levado a sério desde a infância. Sem músicos na família, ela encontrou em seus pais, especialmente em sua mãe, o apoio necessário para profissionalizar sua paixão.

A importância da mãe na profissionalização da carreira foi determinante: aos 16 anos, Laura foi emancipada para que pudesse abrir sua própria empresa e emitir notas fiscais pelos seus shows. Hoje, a mãe é sua sócia e gere a parte financeira, garantindo um controle rigoroso sobre faturamentos e análise de dados para direcionar seu crescimento.

Laura defende que ser músico é como qualquer outra profissão: exige visão de negócio, gestão de equipe e burocracias para que o talento se transforme em rentabilidade.

A rotina de Laura exige um rigor físico comparável ao de um desportista de alto rendimento. Ela afirma que quem canta é um atleta da voz, assemelhando o cantor a um maratonista que precisa de preparo gradual e constante. Os cuidados com a voz e saúde são pilares de sua carreira e incluem técnica vocal sólida, sono de qualidade, hidratação intensa e alimentação equilibrada. Além disso, o aquecimento e o impacto das temperaturas são preocupações constantes. Mudanças bruscas e o uso excessivo de ar-condicionado são evitados para não prejudicar o desempenho no palco.

Do The Voice Brasil aos palcos do mundo

A visibilidade nacional veio com a participação no The Voice Brasil aos 17 anos, um marco que abriu portas e ajudou a artista a se entender como profissional. Desde então, a música permitiu a Laura conhecer o mundo, realizando turnês pela Europa e consolidando parcerias de peso, como sua atuação em espetáculo no Natal Luz de Gramado. Laura enfatiza a importância de o artista saber vender seu próprio trabalho. Sua entrada no Natal Luz, por exemplo, foi fruto de um contato proativo via rede social com um hotel de luxo, que gerou reuniões e, eventualmente, o convite de diretores que assistiram suas apresentações.

Desafio em alto-mar

Um dos momentos mais desafiadores de sua trajetória ocorreu em 2023, quando passou 5 meses em um cruzeiro cantando diariamente no Norte da Europa. Devido ao ambiente confinado e ao ar-condicionado ininterrupto, Laura enfrentou um episódio onde ficou sem voz logo na segunda semana de contrato. A solução para recuperar o aparelho fonador e cumprir a agenda intensa foi o repouso vocal absoluto durante o dia, passando horas em silêncio, e o uso de umidificadores de ar na cabine. Essa experiência, embora dura, serviu como um “intensivão”, que fortaleceu sua resistência vocal e sua conexão musical com seu parceiro, Cristian Sperandir.

Valorização e reconhecimento artístico

Laura entende que o mercado se transforma constantemente, o que exige pesquisas de preço frequentes para manter a coerência de seu cachê. No entanto, ela destaca que o reconhecimento como artista vai além de uma tabela de preços, pois os clientes muitas vezes buscam a identidade única da sua entrega artística e o cuidado que ela dedica a momentos especiais, como casamentos. Para ela, ser contratada pela sua identidade e história é o ápice da construção de uma carreira.

Trabalhar com o que se ama

Para a cantora, trabalhar com o que ama é um ato “revolucionário” que honra gerações passadas, como suas avós, que não tiveram as mesmas oportunidades de escolha profissional. Contudo, o sucesso exige sacrifícios: Laura compartilha do que precisou abrir mão para priorizar a carreira, citando principalmente a vida social e o tempo com amigos de infância, já que seus horários de trabalho são opostos aos do calendário convencional. Mesmo trabalhando intensamente nos fins de semana, ela garante que não faria outra coisa.

Olhando para o futuro, Laura revela o sonho de cantar pelo Brasil de forma mais ampla, expandindo seu trabalho autoral para novas regiões. Ela também destaca a relevância de eventos locais como o Festival Popular da Canção de Teutônia. Para a artista, essas oportunidades são fundamentais, não apenas para revelar talentos, mas para dar às pessoas a oportunidade de viver a música, desenvolver autoconfiança e habilidades de comunicação que impactam qualquer profissão.

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