O som das bandinhas, o aroma das comidas típicas e a pista cheia marcaram o primeiro baile do 58º Festival do Chucrute, realizado neste sábado (16/5), no Ginásio da Comunidade Cristo Rei, em Estrela. Com cerca de 1,5 mil pagantes, mais de 400 dançarinos e aproximadamente 200 voluntários envolvidos na organização, decoração e gastronomia, o evento reafirmou seu papel como um dos maiores símbolos de preservação da cultura germânica no Vale do Taquari.
O ponto alto da noite, aguardado tanto pelos dançarinos quanto pelo público, foram as apresentações folclóricas dos 14 grupos do Grupo de Danças Folclóricas Alemãs de Estrela, reunindo participantes com idades entre 3 e 88 anos. As coreografias, os trajes típicos e a integração entre diferentes gerações emocionaram o público e reforçaram o caráter familiar e comunitário do festival./5
As apresentações iniciaram pontualmente às 20h e encerraram às 22h30, como é da tradição do baile, finalizando com uma apresentação especial em homenagem aos 150 anos de Estrela. Após as apresentações folclóricas, a banda La Montanara subiu ao palco e embalou o público durante o baile.
Um trabalho construído por gerações
Por trás da decoração impecável, dos pratos típicos, da recepção amorosa e das apresentações folclóricas existe uma rede de voluntários que mantém viva uma tradição passada entre famílias e gerações. Uma dessas histórias é a de Rosângela Landmeier, integrante da comenda organizadora e participante do Grupo de Danças Folclóricas Alemãs de Estrela há cerca de 30 anos. É a primeira vez que ela e seu esposo Vandré Landmeier participam da organização, contudo, dançam há 3 décadas no grupo.
“Quando nós viemos para cá logo a gente iniciou porque a gente gosta do trabalho comunitário. Nós sempre auxiliamos, trabalhamos, mas na comenda mesmo é a primeira vez.”
Mesmo tendo origem italiana, Rosângela encontrou nas danças alemãs uma forma de expressão e conexão cultural. Assim, a dança acabou se tornando também um espaço de pertencimento para a família. “No grupo de dança nós somos da família. Como nós não temos ninguém em Estrela, chegamos, dançamos, porque realmente ele é comovente. Faz parte, é uma identidade participar dos grupos folclóricos.”Além de ajudar na organização, o casal participou de duas apresentações e já pensavam na apresentação de domingo n o café colonial
Tradição que segue nos netos
Outra história que atravessa gerações é a de Andrea Benz, que voltou ao festival para acompanhar os três netos dançando. Ela começou danando quando criança, depois sua filha seguiu e agora os três netos dançam e orgulham a família. Andrea também integrou a comenda organizadora nos anos 2000 e lembra das mudanças na estrutura do evento ao longo das décadas. Naquela época a organizaçãoo e divulgação era feita de forma analógica, no “boca a boca”, de casa em casa, com o passar do tempo os arquivos de organização para as próximas edições eram armazenadas em disquetes.
O festival pode até se reinventar na forma de divulgação e de aproximar públicos de outros estados e países em torno da cultura alemã, porém a traidição das danças e dos trajes perpassa o tempo.
Na família de Andrea, a emoção está em acompanhar a continuidade da tradição na família.
“Neto é filho com açúcar. Eu tenho duas netas e um neto dançando. Toda vez eu choro de tão bonitinho que são.”
O maior grupo de danças alemãs do mundo
O Festival do Chucrute também carrega a força do Grupo de Danças Folclóricas Alemãs de Estrela, considerado o maior grupo de danças alemãs do mundo.
Atualmente, o grupo reúne,14 categorias, 452 dançarinos e 62 anos de história no folclore. Ao longo da trajetória, o grupo já realizou cerca de 2,4 mil apresentações, passou por 720 cidades e levou a cultura alemã de Estrela para 16 países.
Entre chucrute, joelho de porco, música e dança, o festival segue mantendo viva uma herança cultural construída coletivamente e transmitida entre gerações. O segundo baile do festival ocorre no próximo dia 23 de maio.
O Grupo Popular realizou a transmissão e você confere aqui.
