Sócia-proprietária da Cremolatto Teutônia, Lizandra Lermen falou sobre a consolidação da unidade Cremolatto, instalada no Bairro Languiru, em entrevista ao programa Inteligência Empresarial. Teutoniense e formada em Contabilidade pela Univates, ela destacou os desafios enfrentados desde a decisão de investir em uma franquia no segmento de sorvetes e açaí.
Durante a entrevista, Lizandra abordou temas como sazonalidade, gestão financeira, marketing, participação da rede de franqueados nas decisões da marca e a importância da presença diária dos proprietários na operação. Segundo ela, o crescimento da unidade está diretamente ligado à combinação entre planejamento, experiência do cliente e adaptação constante às demandas do público.
Grupo Popular – Como foi a sua trajetória até chegar ao empreendedorismo?
Lizandra Lermen – Sou natural de Teutônia e sempre morei no Bairro Canabarro. Sou formada em Contabilidade pela Univates e atuei por mais de 10 anos em escritório, com experiência específica em departamento pessoal e nas questões burocráticas, mas sempre muito voltada para pessoas e atendimento aos clientes. A vontade de empreender sempre existiu em mim e no meu companheiro, o Joel, que também é sócio da Cremolatto e tem mais de 20 anos de experiência no comércio supermercadista. Em uma das andanças como vendedor, o Joel conheceu a Cremolatto em Lajeado, que já atuava há mais de 3 anos, e chegou em casa dizendo que havia encontrado algo no qual realmente valia a pena investir.
GP – Por que a Cremolatto?
Lizandra – Para vender algo, a gente precisa acreditar. O Joel experimentou os produtos e percebeu que eram inesquecíveis, especialmente o açaí e os sorbets, como os sabores maracujá, uva e morango, que mesmo sendo à base de água, são muito cremosos. A organização, a limpeza e a apresentação da loja também chamaram muito a atenção dele. Nós visitamos outras lojas além da indicada pela indústria, em cidades como Dois Irmãos e Igrejinha. Conversamos diretamente com franqueados que estavam na linha de frente para entender a rentabilidade e a realidade da operação. Vimos na Cremolatto valores semelhantes aos nossos e a responsabilidade de entregar a melhor experiência possível.
GP – Como foi o processo de escolha do ponto?
Lizandra – A franqueadora detém o know-how e nos direcionou para um local com bastante visibilidade. Estamos na Rua Major Bandeira, que é muito conhecida. Eles orientam a busca por espaços amplos para acomodar os dois bufês, de açaí e sorvete, além da área de atacado, com potes e picolés, e o espaço kids. Decidimos fazer a melhor loja possível, com ambiente climatizado e confortável para que os pais possam saborear o sorvete tranquilamente enquanto enxergam os filhos brincando com segurança, seja no frio ou no calor intenso. Olhamos os números de outras lojas e percebemos que Teutônia precisava de um espaço amplo. Chegamos a atender mais de mil pessoas nos fins de semana.
GP – De que forma a marca trabalha a questão da sazonalidade?
Lizandra – Abrimos em fevereiro de 2025, no fim do verão. Tivemos um grande movimento inicial e, logo depois, veio o inverno, quando existe uma queda no consumo, mas isso tem diminuído. Recentemente, a indústria lançou o sabor Popcorn, de pipoca, que combina muito com sofá e filme. Também lançamos o cardápio de inverno da rede, com chocolate quente, café gourmet, petit gâteau, brownie e taças para compartilhar. Temos ainda uma linha de salgados e congelados, como pizzas, que as pessoas levam para casa ou consomem na hora. O Joel é formado em Administração, então sempre olhamos muito para o planejamento.
GP – Como equilibrar as contas no inverno?
Lizandra – Por meio de uma gestão muito planejada. Planilhamos todas as compras e gastos, mantendo um fluxo de caixa rigoroso. Hoje, 2026 já está todo planejado, com projeções de vendas e metas. Inicialmente, pensamos apenas em investir, mas percebemos que a nossa presença diária fazia diferença. Eu saí do meu emprego para estar em tempo integral na loja. O dono precisa conhecer a rotina, desde limpar uma máquina de cremes ou um freezer até operar o caixa e atender o cliente para entender suas necessidades.
GP – A rede de franqueados participa das decisões da marca?
Lizandra – Sim, inclusive nós participamos de um comitê de marketing. Fomos convidados a criar produtos para o cardápio de inverno e a loja de Teutônia desenvolveu a Taça Cremofloresta, com sorvete de iogurte, amarena, frutas do bosque, brownie, chantilly e cereja. Outras lojas também contribuíram, como a de Lajeado, no Bairro São Cristóvão, com o Peti Americano, e as de Canoas, com o Banoffee e o Coffee Supremo. É muito gratificante ver uma ideia nossa vendendo bem em outras cidades. Temos autonomia para criar conteúdos para o Instagram da loja, sempre sob avaliação da franqueadora, para manter a responsabilidade da marca.
GP – Vocês também elaboraram uma estratégia de marketing na Festa de Maio?
Lizandra – Quem não é visto não é lembrado. Não estávamos fisicamente com estande, mas fizemos uma parceria com a Rádio Popular para exibir vídeos no telão do estande, com um QR Code que dava brindes e descontos. Também estivemos no Show da Família, distribuindo picolés e vouchers com o nosso carrinho. Foi uma ação muito interessante. Participamos ainda de promoções interativas, como as charadas no programa Misturadão.
GP – O que alguém que quer abrir uma franquia deve colocar no papel?
Lizandra – É importante analisar os recursos e os dados da franqueadora, como custo inicial e payback, que é o tempo de retorno do investimento. É preciso comparar se vale mais a pena do que uma aplicação financeira, lembrando que o negócio exige não apenas dinheiro, mas também, a tua vida e a tua energia. Se for empreender do zero, é fundamental estudar se o mercado local realmente comporta a ideia.
