Um menino de apenas 10 anos chama a atenção pela impressionante capacidade de memorizar países, capitais, localizações geográficas e informações sobre astronomia. Luís Henrique Pereira Diedrich, diagnosticado com autismo nível 2, desenvolveu um hiperfoco que surpreende professores, familiares e qualquer pessoa que converse com ele por alguns minutos.
Com rapidez admirável, ele aponta qualquer continente, país ou ponto turístico mencionado no globo terrestre. Além disso, responde sem hesitar perguntas sobre capitais de diferentes partes do mundo, desde cidades mais conhecidas até locais pouco lembrados.
O garoto demonstra domínio sobre estados brasileiros, países africanos, asiáticos e europeus. Questionado sobre a capital da Turquia, respondeu imediatamente: “Ancara”. Em seguida, acertou também Índia, China, Austrália, Madagascar, Rússia e Arábia Saudita.
Apaixonado por astronomia, Luís também fala com entusiasmo sobre o sistema solar, galáxias e buracos negros. Em poucos segundos, enumerou os planetas do sistema solar em ordem e identificou a Via Láctea como a galáxia onde vivemos. Também soube responder que Andrômeda é a galáxia mais próxima da Via Láctea.
O talento começou a aparecer ainda no segundo ano da escola. Na época, professores ficaram impressionados ao perceber que Luís conseguia identificar países e capitais considerados difíceis.
Outro aspecto que chamou atenção foi a relação dele com a língua inglesa. Durante um período, o jovem se comunicava principalmente em inglês, escrevendo palavras, rotinas e até datas nesse idioma. Muitas vezes, era necessário utilizar aplicativos de tradução no celular para interpretar o que ele queria dizer.
Durante a conversa, demonstrava alegria ao localizar países no globo e falar sobre culturas, capitais e características de diferentes regiões. “Ele sabe mais do que muitos adultos”, disse a diretora da Emef Leopoldo Kleper, Evanete Horst Grave.
A habilidade precoce do garoto desperta admiração e, também, reflexões sobre a importância de identificar talentos, especialmente em crianças neurodivergentes. No caso de Luís, o hiperfoco transformou mapas, países e estrelas em uma verdadeira paixão pelo conhecimento.
Ele fala sobre a Organização das Nações Unidas (ONU), cita Jerusalém, Vaticano, Kiev, Abu Dhabi e até explica curiosidades sobre buracos negros no centro das galáxias.
“O diagnóstico não define quem ele é”
A mãe do menino, Eliane Pereira, conta que por trás desta facilidade existe uma longa trajetória. Afirma que os primeiros sinais de autismo no filho surgiram ainda no primeiro ano de vida. Começou a caminhar aos 11 meses e demonstrava sinais precoces de fala. Com 1 ano, começou a falar algumas expressões. Porém, logo depois, a fala desapareceu. “Foi uma pausa muito difícil para nós”, relembra ela.
A partir daquele momento, a família iniciou uma busca. Eliane e o marido, Adalberto Luis Diedrich, procuraram especialistas em Estrela e Lajeado, mas ouviam que ainda era cedo para um diagnóstico. “O coração de mãe sente quando alguma coisa está diferente”, conta.
O diagnóstico de autismo nível 2 veio apenas aos 5 anos de idade. Ele passou por terapias e acompanhamentos especializados e voltou a chamar “mamãe” e “papai” somente nessa fase. “Quando a gente leva um filho ao neuropediatra, ainda existe aquela esperança de que não seja o diagnóstico. Mas hoje eu posso dizer que o diagnóstico não define quem ele é”, afirma Eliane.
Auxílio na busca pelo diagnóstico
Eliane descreve o filho como uma criança carinhosa, ativa e curiosa. Um desafio enfrentado pela família foi a dificuldade de acesso a terapias especializadas na região. Ele realiza atendimentos três vezes por semana, incluindo psicologia, terapia ocupacional e atividades em grupo. “Muitas famílias enfrentam filas enormes para conseguir. Tem crianças esperando anos por terapias. Isso precisa ser melhorado”, alerta ela.
A mãe destaca a importância da escola. Um dos professores lembrados com carinho é Evandro Biondo, que incentivou o interesse de Luís pela geografia e pela história: “Ele sempre motivou, mostrava mapas, conversava sobre os países.”
Ela faz ainda um agradecimento especial à monitora Daniela. “Ele ama a Dani, porque ela foi um suporte indispensável nesses 2 anos”, diz. Apesar da facilidade para aprender conteúdos complexos, Luís precisa de paciência e acompanhamento constante. “Ele aprende muito rápido, mas precisa de alguém que o compreenda”, cita a mãe.
Hoje, o menino impressiona adultos ao citar capitais do mundo. Entre tantos que conhece, existe um que ocupa um lugar especial nos sonhos, a Austrália. O motivo é simples: “Porque lá tem cangurus”, responde com ternura.
Autismo nível 2
O autismo é dividido em três níveis de suporte, que indicam a quantidade de ajuda necessária no cotidiano para que o indivíduo possa se comunicar, interagir e lidar com as demandas cotidianas. Via de regra, quem tem autismo nível 2 ou autismo moderado apresenta dificuldades perceptíveis na comunicação verbal e não verbal, além de desafios maiores para lidar com mudanças ou compreender regras sociais implícitas. Em geral, conseguem se expressar de alguma forma, mas suas habilidades sociais podem ser mais restritas, e padrões repetitivos ou maior rigidez comportamental podem interferir significativamente nas atividades do dia a dia.
