A construção da Pequena Central Hidrelétrica (PCH) Vale do Leite, no Rio Forqueta, entre os municípios de Pouso Novo e Coqueiro Baixo, alcançou 30% de execução e segue dentro do cronograma estabelecido pela Cooperativa Certel. Considerado um dos maiores investimentos da história da cooperativa, o empreendimento está previsto para entrar em operação em 19 de fevereiro de 2027.
A nova usina visa ampliar a capacidade de geração de energia da região e reforçar a segurança energética para os próximos anos. Paralelamente à construção da hidrelétrica, a Certel executa uma série de investimentos voltados à modernização e ampliação da infraestrutura elétrica regional.
Segundo o vice-presidente, Daniel Luis Sechi, a obra da Vale do Leite mantém o cronograma físico e financeiro previsto. Atualmente, os trabalhos estão concentrados na margem direita do Rio Forqueta, em Pouso Novo. A expectativa é concluir essa etapa até meados de julho, quando ocorrerá a inversão das ensecadeiras. “São estruturas provisórias utilizadas para desviar o curso da água e permitir a execução das obras”, explicou.
Com a mudança do fluxo do rio para o lado oposto, os trabalhos avançarão também na margem localizada em Coqueiro Baixo, o que permitirá a união das duas estruturas da barragem. Mais de 120 pessoas atuam diretamente no canteiro de obras.
A futura usina terá potência instalada de 6,4 megawatt, suficiente para abastecer aproximadamente 20 mil pessoas. Para o presidente da Certel, Erineo José Hennemann, o empreendimento representa um investimento estratégico para o crescimento econômico da região. “O Vale e o estado precisam crescer. Isso só acontece se houver infraestrutura disponível”, afirmou.
A barragem terá 190 metros de comprimento e 30 metros de altura, equivalente a um prédio de cerca de 15 andares. Serão utilizados aproximadamente 60 mil metros cúbicos de concreto, volume equivalente a cerca de 10 mil caminhões, além de 450 toneladas de aço destinadas à estrutura da obra.
O investimento total está estimado em R$ 85 milhões, financiados por meio de uma operação conjunta envolvendo quatro cooperativas Sicredi. Conforme a direção da Certel, a energia produzida pela usina já possui comercialização garantida para os próximos 20 anos por meio do Mercado Livre de Energia.
Reforço na rede elétrica
Além do avanço da usina, os dirigentes destacam uma série de investimentos em distribuição, transmissão e atendimento executados em diferentes municípios da área de atuação da cooperativa. Entre as principais ações está a implantação de uma nova linha de transmissão até Linha Clara, em Teutônia, acompanhada da construção de uma nova subestação.
O projeto integra o programa Energia Forte no Campo, desenvolvido em parceria com o governo do Estado. Pelo modelo adotado, o governo participa com 35% dos recursos e a cooperativa aporta o restante. “A nova estrutura ampliará a capacidade energética da região e permitirá redistribuir cargas atualmente concentradas em outras subestações”, afirmou Sechi.
A medida beneficiará diretamente municípios como Teutônia, Poço das Antas e Salvador do Sul, além de aumentar a segurança operacional do sistema. “A ideia é criar redundância. Em situações de emergência, como acidentes que danificam a rede, teremos outras alternativas para manter o fornecimento de energia sem interrupções prolongadas”, explicou.
Outra iniciativa envolve a ampliação das equipes de manutenção. A cooperativa investe cerca de R$ 1 milhão na implantação de uma nova equipe de linha viva em Lajeado. A modalidade permite realizar intervenções na rede sem necessidade de desligamento da energia, o que reduz impactos aos consumidores.
Os investimentos incluem ainda a ampliação da rede trifásica em propriedades rurais e comunidades que ainda dependem de estruturas monofásicas. Para Hennemann, a combinação entre geração própria, expansão da rede e qualificação do atendimento busca preparar a cooperativa para acompanhar o crescimento econômico regional. “Não basta gerar energia. É preciso garantir que ela chegue com qualidade, segurança e confiabilidade ao associado. É isso que estamos construindo para os próximos anos”, concluiu o presidente.
