Nascido em Lajeado em 1958, Enio Egon Bergmann Bacci atua de forma efetiva na política desde 1989, quando ingressou no Legislativo pela primeira vez. Desde então, acumula cinco mandatos como deputado federal e um como deputado estadual.
Um dos fundadores do Partido Democrático Trabalhista (PDT), Enio deixou a sigla após 30 anos, em 2018, quando ingressou no Partido Trabalhista Brasileiro (PTB, atual PRD após fusão com o Patriota). Em 2022, se filiou ao União Brasil e tentou voltar à Câmara dos Deputados, sem sucesso. Agora, retorna ao PDT.
Bacci foi o último deputado a representar o Vale do Taquari, tanto em nível federal (2014) quanto estadual (2018). Ele concedeu entrevista à Rádio Popular na manhã dessa segunda-feira (15/6).
Grupo Popular – O retorno ao PDT é uma decisão mais ideológica ou uma estratégia eleitoral?
Enio Bacci – É um reconhecimento de que o partido é o meu lugar. A consciência diz “daqui eu não deveria ter saído”. Principalmente agora com a pré-candidatura da Juliana Brizola, amiga pessoal de longos anos, desde a época do avô dela, Leonel Brizola. Tinha esse dever moral de jamais deixar alguém que represente o Leonel caminhar sem a minha presença ao seu lado. Estou aí para contribuir nessa pré-campanha e, quem sabe, depois, numa campanha vitoriosa.
GP – Quais são as tuas bandeiras caso seja eleito?
Bacci – Ainda não sou pré-candidato. Estou avaliando, conversando com a região, com as lideranças do nosso partido, com a própria Juliana, para ver de que forma eu posso contribuir mais nessas eleições. Devo decidir até a semana que vem, prazo legal para eu me afastar da presidência do Conselho Estadual de Trânsito (Cetran-RS). Essa possibilidade vem ao encontro do que a região precisa. Nós tínhamos uma representação poderosa em 2002. Em 2010, nosso Vale começou a fragilizar. A região elegeu apenas um federal, eu. Em 2014, apenas um estadual, eu. E, de 2018 para cá, ninguém. O Vale do Rio Pardo tem hoje dois federais e quatro estaduais. Não dá para imaginar que a nossa região permaneça sem ter deputado federal e estadual. Nós temos que estar no centro do poder. Os recursos estão em Brasília e, quando é alguém da região que conhece, tem facilidade para isso. Infelizmente, hoje, não se vota mais a favor de alguém ou a favor da região.
GP – Qual a tua análise dessa derrocada? Por que essa escassez?
Bacci – Aos poucos foi mudando a prioridade do eleitor, não só no Vale. A prioridade anterior era eleger alguém com raízes e compromissos com a nossa região. Hoje, infelizmente, é ser contrário a um ou outro candidato. O melhor candidato não é o mais conhecido, mas aquele que é da nossa região. Acho que esse critério de definir voto vai mudar de novo e que a minha missão principal nesse processo é dizer para as pessoas: o nosso sempre é melhor que o dos outros.
GP – O que ainda te motiva, em 2026, a disputar uma eleição?
Bacci – Sinto que tenho essa missão, esse dever com a minha consciência. Eu, que fui 20 anos deputado federal, depois mais 4 anos deputado estadual, sei o quanto é importante uma região estar representada. Não importa o partido político nesse caso, tem que pegar o voto regional de pessoas que são eventualmente de outras siglas ou até aqueles que não têm afinidade partidária. Acho que é uma contribuição que eu tenho a dar para a região, que sempre me deu carinho e apoio. Independente de eu sair como pré-candidato, volto a dizer: comece a escolher candidatos do Vale do Taquari, porque o Vale com isso vai ter um crescimento gigantesco no seu desenvolvimento. O voto para deputado é como eleger um síndico do prédio de alguém, o síndico do nosso Vale. Você não elege alguém que não mora nesse prédio, que não está por dentro da realidade. O nosso representante tem que conhecer cada canto da região.
GP – Qual o papel de um deputado federal para desenvolver a região?
Bacci – O parlamentar tem que ter consciência que o mandato não é dele, mas das pessoas que o elegeram. Em todo esse tempo em Brasília, tive essa consciência que era o Vale do Taquari sobre o meu mandato e que era sobre ele que eu tinha responsabilidade. Por isso que as grandes prioridades foram para a região. O segundo ponto é não envergonhar a nossa gente. Hoje me orgulho em dizer, nunca fui investigado por nenhum tipo de suspeita, eu saí de cabeça erguida. Agora, tenho credibilidade para dizer para o eleitor do Vale do Taquari: não desperdiça o seu voto e vamos eleger um federal e dois ou três estaduais na nossa região.
GP – Como era a eleição nos anos 1990 e como é em 2026?
Bacci – Não adianta eleger um parlamentar que só chega no Vale usando o GPS. Essa polarização tem um ciclo histórico, mas vai diminuir agora. Porque uma coisa é o cidadão ter a sua ideologia e defendê-la. Outra coisa é essa ideologia prejudicar a região onde ele vive, a ele próprio e a sua família. Por isso que a minha volta ao PDT me deixa muito tranquilo. A gente navega num rio pelo leito, pelo curso da água, não é pelas margens. Eventualmente, quem navega no leito de um rio vai um pouco para a esquerda, para a direita. Agora, o centro, o dorso do rio, nos permite dialogar e o diálogo com qualquer tipo de ideologia é essencial. Alguém que faz política não pode só conversar com os seus, tem que conversar com todos.
