Completar o álbum da Copa do Mundo sempre foi um exercício de sorte, insistência e paciência. Comprar pacotes, repetir dezenas de figurinhas, trocar com amigos e torcer para encontrar justamente aquela peça que falta faz parte do ritual de gerações.
Em Teutônia, um bazar decidiu desafiar a lógica tradicional do colecionismo e transformou a busca pela “figurinha que falta” em uma experiência diferente de consumo.
Proprietário do Bazar Teutônia, Valdemir Datsch teve a ideia de oferecer aos clientes uma forma de completar o álbum sem depender do acaso. Ele abre centenas de pacotes, organiza as figurinhas por seleções e as coloca à venda por R$ 1 a unidade – o mesmo valor médio pago por figurinha em um envelope lacrado (vendido por R$ 7).
A proposta simples se revelou uma estratégia capaz de movimentar a loja e atrair consumidores de diferentes cidades. “Há 4 anos eu fiz isso também. O pessoal gostou e aprovou, então resolvi repetir. Neste ano, em duas semanas vendi 25 mil figurinhas”, relata Datsch.
Até o fim do campeonato mundial, a expectativa é comercializar cerca de 150 mil figurinhas. “A movimentação é tão grande que não consigo quantificar. São clientes que chegam de Teutônia, Lajeado, Estrela, Paverama, Bom Retiro do Sul e outras cidades em busca das peças que faltam para completar suas coleções”, relata ele.
O casal Cassiano Giovanaz e Amanda Jung veio de Imigrante para procurar as figurinhas que faltavam nos álbuns das filhas de 6 e 7 anos. “Ouvimos falar sobre a venda das figurinhas individuais e viemos comprar. É uma ideia ótima que vai nos ajudar muito”, afirmam.
Conforme Amanda, a ideia de montar o álbum em família visa criar uma lembrança afetiva que possa ser revisitada no futuro. “Na próxima Copa, elas já estarão maiores. Então, pensamos em aproveitar esse momento agora. É uma recordação que fica guardada para sempre”, relata a mãe.
Preço justo
Conforme Datsch, a proposta de vender as unidades avulsas não visa ao lucro, mas sim, a criar uma rede espontânea de convivência em torno do álbum da Copa. Por isso, mesmo diante da procura por figurinhas consideradas raras, como as dos grandes craques mundiais, ele mantém a regra de cobrar o mesmo valor para todos, com exceção das figurinhas Lendárias, vendidas por R$ 10.
“Um cliente ofereceu R$ 30 por uma figurinha do Cristiano Ronaldo. Eu não aceitei. Se vendo por R$ 1 para uma pessoa, não é justo cobrar R$ 30 de outra”, afirma. Segundo ele, a intenção é incentivar as pessoas a conhecerem a loja, que completou 10 anos no mesmo endereço nessa terça-feira (30/6).
Além da venda das figurinhas avulsas, o Bazar Teutônia também vende os pacotes fechados e promove encontros de troca aos fins de semana. No dia do aniversário, o empresário também presenteou consumidores com álbuns da Copa. “Ganhei eles de brinde, então decidi oferecer como brinde aos meus clientes”, completa.
Interação em família
Além de movimentar o comércio, a iniciativa conquistou famílias que encontraram no álbum uma oportunidade de convivência e lazer. Entre os clientes está Marco André Pletsch, que acompanha a coleção ao lado da filha, de 11 anos. Segundo ele, a experiência se tornou um programa em família.
“A gente entra na onda junto e eles saem um pouco do celular. É uma atividade diferente e saudável”, comenta. Para Pletsch, a possibilidade de encontrar diretamente as figurinhas desejadas facilita o preenchimento do álbum e torna a experiência mais acessível.
A mesma percepção é compartilhada por Deise Fensterseifer. Mãe do estudante Arthur, de 12 anos, ela afirma que este é o primeiro ano em que o jovem acompanha o torneio mundial com maior compreensão sobre o futebol. “Ele nasceu em um ano de Copa e é o nosso primeiro álbum”, destaca ela.
Para a mãe, a coleção ultrapassa o aspecto esportivo. “Além de completar o álbum, existe cultura e conhecimento. São países, jogadores, histórias. Toda a família ajuda e se engaja em torno do álbum”, afirma Deise.
