Natural de Cândido Godói, no Noroeste do estado, Júlio Danzer iniciou sua trajetória empreendedora ainda na adolescência, quando passou a atuar ao lado da mãe em uma estofaria adquirida pela família. Aos 20 anos, com a esposa Daiane, então com 18, e uma filha de apenas 2 meses, decidiu buscar novas oportunidades em Teutônia, atraído pela demanda por mão de obra e pela possibilidade de construir uma nova história profissional.
Ao longo dos anos, consolidou sua carreira no varejo, especialmente nas Lojas Becker, onde completa 16 anos de atuação em agosto deste ano. Paralelamente, investiu em negócios próprios, com início pela farmácia, avançando para a construção civil e, mais recentemente, para o setor de alimentação, com a Júlio Lanches.
Em entrevista ao Grupo Popular, Danzer relembrou os desafios enfrentados, as oportunidades aproveitadas e a importância dos relacionamentos para o desenvolvimento de seus empreendimentos.
Grupo Popular – Qual a origem da tua história com o empreendedorismo?
Júlio Danzer – Sou natural de Cândido Godói. Nós morávamos no interior e depois nos mudamos para a cidade. Na época, minha mãe trabalhava como empregada doméstica e meu pai era assessor na Câmara de Vereadores. Ao ver minha mãe, que sempre foi uma costureira exímia, fazendo lingerie, abrigos e trabalhando de empregada doméstica, comecei a pensar: “Será que não daria para investir em algo próprio?”. Foi então que encontramos uma pessoa querendo vender uma estofaria. Eu tinha 14 anos. Minha mãe e eu passamos a tocar o negócio, que está ativo até hoje.
GP – Por que a decisão de vir para Teutônia?
Danzer – Eu tinha 20 anos e a minha esposa Daiane tinha 18 quando engravidou. Eu tinha uma vida muito ligada aos amigos, ao futebol, à juventude. Com 20 anos, sendo pai, percebi que precisava mudar algumas coisas. Minha esposa sugeriu que viéssemos para Teutônia. Naquele momento, havia uma demanda muito grande por mão de obra na cidade. Eu vim para cá em maio e fui procurar emprego na antiga Elegê. Era um trabalho pesado, na bica do Longa Vida, empilhando caixas de leite. A Tainá tinha apenas 2 meses quando chegamos em Teutônia. Vir para cá e criar relacionamentos foi o meu pontapé inicial.
GP – Quando você começou a atuar no varejo?
Danzer – Saí da Elegê e fui trabalhar na Bom Gosto, em Fazenda Vilanova. Na época, comecei a cursar Engenharia de Produção. Era um momento de transição da empresa e acabei fazendo algumas exigências. O gerente me disse: “Júlio, eu não sei mais o que fazer”. Eu estava com a carteira de trabalho junto e respondi: “Eu sei o que você pode fazer por mim: faça minha rescisão”. Depois disso, fui para o ramo da pintura, trabalhando durante 6 meses com o Ari Pinturas. Mais tarde, o gerente da Quero-Quero me chamou e disse que precisava de alguém para o estoque. Comecei a trabalhar lá e considero que foi meu pontapé inicial no varejo.
GP – Por que esse retorno ao Noroeste?
Danzer – Saí porque meu concunhado e minha cunhada sofreram um acidente e precisei voltar para minha região. Foi aí que as Lojas Becker entraram na minha vida. Fui trabalhar na matriz, na Loja 1, em Cerro Largo. Foi ali que nasceu o Júlio das Lojas Becker, que existe até hoje. Trabalhei cerca de 2 meses e disse que iria embora porque minha esposa voltaria para Teutônia. Ela era auxiliar na Adidas e recebeu convite para retornar à Paquetá como supervisora de produção. Foi aí que a empresa me deu oportunidade em Teutônia e que começou essa relação de gratidão que tenho até hoje. No dia 2 de agosto deste ano, completo 16 anos de Lojas Becker.
GP – Quando você começou a investir em negócios próprios?
Danzer – Surgiu a possibilidade de minha esposa acompanhar a Paquetá na mudança para Pentecoste (CE). A realidade de lá era muito diferente e ela não quis ir, mas queria trabalhar. Foi aí que incentivei ela a retomar uma área pela qual já tinha interesse e ela havia cursado um semestre, Farmácia. Compramos uma farmácia em Fazenda Vilanova, que foi uma grande escola para nós. Depois, optamos por transferi-la para Teutônia. Foi aí que começamos a entender o que dava certo e como poderíamos utilizar nossos relacionamentos em favor dos nossos próprios negócios. Da farmácia surgiu outro caminho, que foi a construção civil.
GP – Como foi esse caminho?
Danzer – Começamos a atuar em empreendimentos imobiliários e isso apareceu como uma oportunidade. Surgiu do Derli, da Konstru Klatte, junto com o Sérgio, a oportunidade de juntar a questão da mão de obra com o imóvel que eu tinha. Começamos a fazer sobrados para vender, deu certo e continuamos fazendo. Na sequência, surgiu também a lancheria.
GP – Por que a decisão de investir na lancheria?
Danzer – Conheci o gerente do Passarela e disse que queria alugar a lancheria. Dias depois, ele me disse que o supervisor queria conversar comigo, para saber se ainda tinha interesse. O principal motivo para isso foi o atendimento. Você pode ter um produto excelente, mas se o atendimento for ruim, não vai vender. No caso da lancheria, o foco do Passarela era o mercado. Eles atendiam a lancheria junto com as demais atividades, mas as pessoas queriam o pastel da Languiru. Eu enxerguei a oportunidade de entregar exatamente aquilo que as pessoas estavam procurando.
GP – Como foi a estruturação do negócio?
Danzer – Primeiro, pensei que precisava encontrar alguém disposto a abraçar o projeto comigo. Aí entra a Vera, que trabalha na cozinha e possui muita experiência. Depois surgiu a Márcia, que entrou na Lojas Becker para vender um produto e acabou saindo contratada para trabalhar como atendente. Também tivemos a oportunidade de contratar a Nair, uma excelente cozinheira. Percebi que fazer compras estava me desgastando, porque meu perfil é comercial. Conversei com meu genro, Wesley. Ele atuava na Certel, aceitou o desafio e hoje cuida da gestão e das compras. Conseguimos estruturar um negócio que funciona mesmo sem a minha presença no operacional. Minha filha vai pela manhã, cuida do marketing e, ao meio-dia, ajuda no atendimento. Procurei mostrar para ela as dificuldades que enfrentei ao longo da vida e hoje eles conseguem administrar o negócio.
