A agricultura familiar contará com R$ 97,3 bilhões em recursos no Plano Safra 2026/2027. O valor foi anunciado pelo governo federal para financiar custeio, investimentos, seguro rural, compras públicas e assistência técnica. A maior parcela dos recursos, R$ 85,2 bilhões, será destinada ao Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), principal mecanismo de financiamento das pequenas propriedades rurais do país.
As novas condições incluem redução das taxas de juros e ampliação de limites de financiamento. Também estão previstos incentivos voltados à produção de alimentos, modernização das propriedades, permanência dos jovens no campo e fortalecimento da participação feminina nas atividades rurais.
Presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais (STR) de Teutônia, Poço das Antas e Westfália, Liane Brackmann avalia que o anúncio ficou dentro das expectativas do setor, especialmente em função da diminuição das taxas de juros. “Houve redução em linhas importantes, principalmente para alimentos básicos, leite e juventude rural. O aspecto positivo é que nenhuma modalidade teve aumento nas taxas”, afirma.
Segundo ela, os recursos anunciados permitem que os agricultores tenham acesso ao capital necessário para manter as atividades agrícolas e pecuárias ao longo do ciclo produtivo. “O Plano Safra precisa atender às necessidades das propriedades, oferecendo condições para realizar custeios, manter o capital de giro e garantir investimentos que tragam sustentabilidade econômica para as famílias”, destaca Liane.
Entre as principais mudanças anunciadas para a safra 2026/2027 está a ampliação do Pronaf B, modalidade voltada aos agricultores de menor renda. O limite por unidade familiar passou de R$ 53 mil para R$ 74 mil, enquanto o teto de renda anual para enquadramento subiu de R$ 50 mil para R$ 60 mil. As condições permanecem com juros de 0,5% ao ano, prazo de até 3 anos para pagamento e desconto de até 40% para operações quitadas em dia.
As linhas direcionadas às mulheres rurais também receberam reforço. No Pronaf Investimento, a taxa de juros caiu de 3% para 2% ao ano, com limite de até R$ 100 mil por beneficiária. Já o Pronaf Jovem ampliou o teto de financiamento de R$ 35 mil para R$ 50 mil, também com juros reduzidos para 2% ao ano.
Máquinas e seguro agrícola
A partir dessa safra, o Pronaf Mais Alimentos permitirá o financiamento de máquinas de pequeno porte com juros de 1,5% ao ano. Já o limite de crédito foi ampliado de R$ 100 mil para R$ 120 mil. Equipamentos destinados à irrigação, armazenagem, conectividade, aquicultura, ordenha e resfriamento de leite terão taxa de 2% ao ano.
Liane Brackmann destaca que linhas voltadas a equipamentos menores podem representar alternativas mais adequadas à realidade regional. “Nem todas as propriedades necessitam de máquinas de grande potência. Equipamentos menores atendem melhor às necessidades das famílias, com menor custo de manutenção e operação”, explica.
A dirigente também destaca o desafio de ampliar a cultura do seguro agrícola. “As questões climáticas têm impactado cada vez mais a produção, e é importante que o agricultor avalie não apenas o financiamento, mas também a proteção da atividade”, aponta ela.
Perfis distintos
Apesar de considerar o volume de recursos significativo e as condições interessantes, Liane ressalta a diferença existente entre os valores destinados à agricultura familiar e à agricultura empresarial. Enquanto o Plano Safra empresarial disponibiliza R$ 525 bilhões, a agricultura familiar terá acesso a pouco menos de um quinto desse montante.
A dirigente sindical lembra que a agricultura familiar ocupa aproximadamente 23% a 25% da área agricultável do país, mas é responsável por produzir entre 70% e 80% dos alimentos básicos consumidos pela população. “Produzimos feijão, leite, carnes, hortaliças e outros itens essenciais da cesta básica. Mesmo assim, recebemos uma parcela muito menor dos recursos disponíveis”, observa.
Segundo ela, garantir políticas específicas para a agricultura familiar sempre foi e continuará sendo uma das lutas dos sindicatos. “São modelos de produção que possuem características, necessidades e capacidade de investimento muito diferentes”, conclui Liane.
