A Sicredi Ouro Branco RS/MG escolheu transformar seus 45 anos em uma oportunidade para impulsionar o futuro. A cooperativa promoveu a primeira edição do Summit Empreender e Inovar nessa quinta-feira (9/7), na Associação Pró-Desenvolvimento de Languiru (APDL) em Teutônia.
O encontro reuniu mais de 600 pessoas entre empresários, gestores e profissionais, com programação estratégica. Presidente da Sicredi, Neori José Abel afirma que o Summit representa uma evolução natural da atuação da cooperativa.
Segundo ele, a instituição sempre promoveu encontros voltados ao agronegócio, mas o crescimento do número de empresas associadas fez surgir a necessidade de criar um espaço dedicado ao empreendedorismo e à gestão empresarial.
“A reforma tributária, os cases de empreendedorismo, os pitches de negócios e a palestra motivacional representam diferentes perspectivas de um mesmo objetivo: preparar empresários para um mercado cada vez mais dinâmico”, afirma.
Conforme o presidente, o empreendedorismo faz parte do DNA do Sicredi, que incentiva essa cultura desde as cooperativas escolares. “Acompanhamos o desenvolvimento das pessoas até que elas se tornem empreendedoras e geradoras de oportunidades”, ressalta.
Para Neori, um dos principais resultados esperados do Summit é justamente a geração de conexões entre os participantes. “Mesmo empresas que atuam no mesmo segmento conseguem aprender umas com as outras e construir soluções conjuntas. A prosperidade acontece quando existe colaboração”, afirmou o presidente.
De acordo com o diretor-executivo da Sicredi Ouro Branco, Francisco Diel, a programação do evento foi organizada para oferecer conteúdos práticos e aplicáveis à realidade das empresas. “Falamos sobre reforma tributária, governança, estratégia, propósito, sustentabilidade dos negócios e liderança. Cada empresário pode absorver aquilo que faz sentido para sua realidade e aplicar em sua empresa”, reforçou ele.
Presidente da Sicredi Ouro Branco RS/MG, Neori José Abel destacou o papel da cooperativa no incentivo ao empreendedorismo / Crédito: Thiago Maurique
Desafios da reforma tributária
A primeira palestra técnica do Summit foi conduzida por Fernando Ataíde, que abordou os impactos da reforma tributária sobre o ambiente empresarial. Embora considere que o novo modelo tende a tornar o sistema mais simples e eficiente ao fim da transição, Ataíde alertou que os próximos anos exigirão atenção redobrada das empresas.
Segundo ele, é necessário investir em treinamento, atualização tecnológica, revisão de processos e reavaliação da formação de preços durante o período de transição entre as regras atuais e o novo sistema.
“O sistema ficará melhor, mas a mudança exige muito cuidado”, alega. Para Ataíde, um dos pontos de maior atenção será a mudança no fluxo de caixa provocada pelo mecanismo conhecido como split payment. Ele explicou que, hoje, o valor correspondente aos tributos permanece temporariamente no caixa das empresas até seu recolhimento.
No novo modelo, esse recurso será destinado automaticamente ao governo no momento da operação: “A empresa perderá parte desse fôlego financeiro que hoje existe entre a venda e o recolhimento do imposto. Para organizações que trabalham com margens apertadas e dependem de capital de giro, isso exigirá ainda mais planejamento financeiro.”
Fernando Ataíde apresentou os principais impactos da reforma tributária para as empresas / Crédito: Thiago Maurique
Cultura organizacional
Um dos pontos altos do evento foi o painel que reuniu os empresários Rodrigo Tomasi, da Tomasi Logística, Junior Sulzbach, da STW e Augusto Hassmann, da Hassmann S.A. O painel discutiu decisões que impulsionam o crescimento das organizações e mostrou como a cultura empresarial influencia diretamente os resultados.
Ao falar sobre a importância da cultura organizacional, Rodrigo Tomasi relembrou as origens da empresa familiar, cujos valores seguem como parte fundamental da identidade do negócio. Segundo ele, a Tomasi nasceu a partir do sonho do pai, Germano Tomasi, que, ao lado da esposa Edi, deu início aos trabalhos com apenas um caminhão.
Representante da segunda geração da família, Tomasi compartilhou sobre seu início na empresa, ao lado do irmão Diego, com quem hoje divide a gestão: “Nós começamos fazendo carga e descarga de caminhão. Essa simplicidade permanece na essência da empresa. A cultura nasce justamente dessa dedicação diária, do respeito às pessoas e da vontade permanente de crescer.”
Junior Sulzbach falou sobre a trajetória da STW, que começou em uma garagem em Teutônia e hoje é referência nacional nas áreas de automação, robótica e tecnologia. A empresa se desenvolveu no Tecnovates e, em 2016, transferiu as operações para sede própria às margens do Rio Taquari, em Lajeado.
Em 2023 e 2024, a empresa foi duramente atingida pelas enchentes que assolaram o Vale do Taquari. Segundo ele, a empresa funcionou praticamente em cima de sete caminhões durante 10 dias. “Foi naquele momento que percebemos que a nossa maior força não era o prédio, mas a cultura construída ao longo dos anos. Ninguém duvidou que conseguiríamos recomeçar”, destacou.
Augusto Hassmann abordou um desafio comum às empresas familiares em crescimento: preservar os valores dos fundadores mesmo com centenas de colaboradores. Hoje com aproximadamente 600 funcionários, ele afirmou que a disseminação da cultura depende principalmente das lideranças. “Meu avô ensinava pessoalmente cada colaborador. Hoje isso não é mais possível”, ressaltou.
Conforme Hassmann, o crescimento da empresa tornou fundamental o investimento na formação de líderes que transmitam os valores, o propósito e a forma como a família entende conceitos como qualidade, comprometimento e respeito às pessoas. “Cultura precisa começar pelo exemplo”, enfatizou o empresário.
Painel com Rodrigo Tomasi, Junior Sulzbach e Augusto Hassmann abordou cultura organizacional, liderança e crescimento sustentável / Crédito: Thiago Maurique
Alta performance e gestão emocional
Quem encerrou a programação foi o especialista em comportamento humano, Ronan Mairesse, com a palestra “Mente de Campeão”. Para Mairese, o desempenho das organizações está diretamente relacionado à forma como as pessoas lidam com emoções, desafios e tomada de decisão.
Segundo ele, crescer não significa evitar dificuldades, mas desenvolver a capacidade para enfrentá-las. Ao superar situações complexas, o cérebro cria novas referências que fortalecem decisões futuras, o que torna líderes e equipes mais preparados para ambientes de constante transformação.
Mairesse também alertou que alta performance não está associada ao excesso de trabalho, mas à capacidade de utilizar bem os recursos disponíveis. “O autoconhecimento como ferramenta essencial para liderar pessoas. A tecnologia deve servir como apoio às decisões, sem substituir o pensamento crítico e a capacidade humana de análise”, afirmou o especialista.
Ronan Mairesse encerrou a programação com a palestra “Mente de Campeão” / Crédito: Sicredi Ouro Branco – Divulgação
Summit terá novas etapas
A edição realizada em Teutônia abriu uma programação de três eventos que levarão conhecimento às diferentes áreas de atuação da Sicredi Ouro Branco RS/MG. As próximas etapas ocorrerão em Montenegro, no dia 16 de julho, e em Ipatinga (MG), em 21 de julho. A programação mantém o formato com palestras, painéis, pitches de negócios e momentos de networking voltados ao fortalecimento da gestão, da liderança e do desenvolvimento empresarial.
