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Tais da Costa Silva: “Eu nunca soube o que era correr de verdade. Essa prótese pode realizar esse sonho”

Menina é considerada uma das maiores promessas do paradesporto gaúcho - Crédito: Arquivo Pessoal

Menina é considerada uma das maiores promessas do paradesporto gaúcho - Crédito: Arquivo Pessoal

Enquanto muitos adolescentes dividem o tempo entre a escola e atividades de lazer, a rotina da paveramense Tais da Costa Silva (16) é marcada por quilômetros de estrada, treinos intensos e competições em diferentes estados do país.

Estudante do 2º ano do Ensino Médio, ela passa boa parte da semana em viagens até Porto Alegre e Alvorada para treinar para badminton e vôlei sentado, modalidades nas quais já conquistou títulos importantes e constrói trajetória promissora.

Agora, porém, a atleta enfrenta uma das disputas mais difíceis da carreira. O desafio não está do outro lado da quadra, mas na busca pelos recursos necessários para adquirir uma prótese esportiva, avaliada em cerca de R$ 80 mil, além de um novo joelho protético, que custa aproximadamente R$ 22 mil.

O investimento é indispensável para que ela continue com as evoluções no esporte de alto rendimento. “É muito dinheiro. Claro que eu e meus pais poderíamos tentar parcelar, pagar aos poucos – de alguma forma íamos dar um jeito. Mas praticamente seria uma prótese por ano. Além da esportiva, eu também preciso trocar o joelho da prótese que uso hoje. Então corremos atrás de ajuda”, comenta.

A prótese atual já apresenta limitações para o nível de exigência dos treinamentos e competições. Segundo Tais, o equipamento específico para atletas faria diferença não apenas no desempenho, mas permitiria realizar um sonho que, para muitos, é ordinário: a simples ação de correr.

“Tenho vontade de correr desde pequena, mas nunca tive essa experiência. Ainda não consegui me adaptar com a prótese que uso hoje. Tenho certeza de que a nova poderia me ajudar muito e, principalmente, me dar a possibilidade de fazer isso”, relata ela.

Conquistas aumentam

Mesmo com as dificuldades financeiras, o ano de 2026 é um dos melhores da jovem atleta. No Campeonato Regional de Parabadminton, realizado em Caxias do Sul, ela disputou partidas contra atletas da modalidade convencional e conquistou medalha de prata nas categorias simples e duplas.

Depois, em uma competição em Santa Catarina, voltou ao pódio com ouro nas duplas femininas e prata na categoria simples.

O maior resultado da temporada, porém, veio no primeiro Campeonato Brasileiro de Parabadminton do ano. Ao lado da parceira de equipe, Tais conquistou o ouro nas duplas femininas de forma invicta. O feito é considerado histórico, por se tratar da primeira vez que uma dupla feminina da categoria Sub-23 conquistou essa medalha de ouro.

Além do parabadminton, ela compete no vôlei sentado. Neste ano, participou da primeira fase da torneio nacional da modalidade e já conquistou medalha.

Ela explica que o prêmio ainda não define a colocação definitiva, já que o campeonato será concluído apenas em novembro. “Essa medalha faz parte da competição. Ainda faltam outras fases. Só no fim do campeonato é que vamos saber se será ouro, prata ou bronze”, destaca.

O calendário segue cheio. Em agosto, ela disputa mais uma etapa nacional, no Rio de Janeiro, e ainda participará dos Jogos Escolares e de outras competições previstas para o segundo semestre pelo parabadminton.

Rotina puxada

A agenda da atleta exige muita disciplina. Pela manhã, frequenta as aulas no Ensino Médio. Nas segundas, quartas e sextas-feiras, viaja até Porto Alegre para os treinamentos de parabadminton. Em terças, após passar o dia inteiro na escola, retorna à capital para treinar vôlei sentado.

Já aos sábados, os treinamentos ocorrem em Alvorada, onde costuma permanecer desde a noite anterior, hospedada na casa de uma tia.

As despesas, no entanto, ficam praticamente por conta da família. “Muitos acham que atleta ganha tudo, mas não é assim. Sem contar os campings do Comitê Paralímpico e os Jogos Escolares, o resto é praticamente por nossa conta. Pagamos inscrição, uniforme, viagens, alimentação, tudo”, revela.

De acordo com ela, algumas pessoas ajudam financeiramente, mas os valores são quase insuficientes até mesmo para cobrir os gastos com combustível.

Além do esporte

Quem acompanha a trajetória de Tais sabe que ela já superou desafios muito maiores. Aos 6 anos, precisou amputar a perna direita após ser diagnosticada com osteossarcoma, um tipo de câncer ósseo. Foi durante a reabilitação que conheceu o esporte adaptado.

Hoje, a atleta acredita que suas conquistas dentro das quadras representam uma forma de incentivar outras pessoas. “Quero mostrar meu trabalho e que o que faço também é uma profissão. Se eu puder ter ajuda para continuar, ficarei muito feliz”, relata Tais.

Ela também acredita que nem toda ajuda precisa ser financeira. “Se a pessoa não consegue auxiliar com dinheiro, pode compartilhar a minha história. Sempre penso que um compartilhamento pode fazer o vídeo chegar até alguém que consiga ajudar. Isso também muda muita coisa”, destaca a atleta.

Ajude

Para arrecadar recursos destinados à compra da prótese esportiva e do novo joelho protético, Tais optou por receber doações diretamente pela chave PIX (CPF): 031.993.500-03.

Outra forma de colaborar é acompanhar e compartilhar a rotina da atleta nas redes sociais, por meio do perfil @silvataisdacosta, o que amplia a divulgação da campanha e da trajetória construída por uma jovem que já transformou a superação em medalhas – e que agora busca dar mais um passo para fazer história no esporte paralímpico brasileiro.

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