O Tecnovates completou nessa sexta-feira (10/7) 12 anos de atuação consolidado como um dos principais ambientes de inovação do interior do Rio Grande do Sul. Vinculado à Univates, o parque tecnológico nasceu com a proposta de aproximar universidade, empresas e sociedade, transformando conhecimento científico em soluções aplicadas ao mercado.
A celebração ocorreu com um café da manhã especial promovido na Sala Aula+, na Biblioteca da Univates. O encontro teve como destaque o painel “Da Pesquisa ao Impacto: Ciência, Empreendedorismo e Desenvolvimento”, que apresentou trajetórias de empresas que surgiram ou se desenvolveram a partir da conexão com o ambiente de inovação.
Coordenadora do Tecnovates, Cristiani Reimers avalia que o aniversário simboliza uma fase de maturidade do parque tecnológico. Segundo ela, os resultados obtidos ao longo dos anos demonstram a consolidação de um trabalho que começou ainda na primeira metade da década passada e que hoje já apresenta impactos concretos para a economia regional.
Conforme Cristiani, desde sua inauguração, em 2014, o Tecnovates mantém atuação estratégica em três grandes áreas: alimentos, saúde e meio ambiente. Recentemente, a estrutura foi ampliada com novos ambientes especializados, entre eles o Hub Tecno Saúde, o que fortalece a capacidade de desenvolvimento de soluções voltadas ao setor.
Hoje, o ecossistema reúne 234 empresas conectadas em diferentes modalidades. São 12 negócios em pré-incubação, 42 incubados, 26 empresas graduadas ativas, 41 residentes e 113 associadas. Para os próximos anos, a expectativa é ampliar ainda mais a presença do parque tecnológico no cenário regional e estadual.
O planejamento inclui a revisão das áreas estratégicas de atuação, o fortalecimento dos programas de apoio a startups e a ampliação do número de empresas vinculadas ao ecossistema. “Esperamos consolidar cada vez mais nossas áreas de atuação e ampliar o número de empresas conectadas. Isso oxigena o ecossistema, promove novas conexões e fortalece um ambiente muito interativo e colaborativo”, projeta a coordenadora.
Biotecnologia aplicada
As empresas Syntalgae, Fermenta e Verde Água exemplificam a forma como o Tecnovates auxilia o desenvolvimento de negócios disruptivos. Sócia da Syntalgae, Gisele Buffon destaca que a empresa nasceu com uma visão de longo prazo e o objetivo de levar tecnologia desenvolvida no Brasil para o mercado internacional.
A startup apostou desde o início na pesquisa científica para transformar as microalgas em uma matéria-prima de alto valor agregado. “Vimos no parque tecnológico e no ecossistema de inovação uma maneira de conseguir colocar essa tecnologia no mercado”, afirma. Um dos principais produtos desenvolvidos pela empresa é a clorela, considerada um superalimento por apresentar elevado teor de proteínas e compostos bioativos.
A trajetória da Syntalgae inclui acelerações por meio do Pro_Move Lajeado e do Vibee Unimed, em programas como o Catalisa ICT e Ebulição Sebrae, além de destaque nos South Summit Brasil e Madri. Em 2023, a empresa foi adquirida por uma gigante do agronegócio.
Sócia da Fermenta, Marcela Mingireanov apresentou a história da startup, cuja ideia nasceu em 2020 para enfrentar a dependência brasileira de fermentos lácteos importados. Segundo ela, a startup surgiu a partir da constatação de que um país com uma das maiores biodiversidades do mundo, como o Brasil, depende da importação desses insumos. “A Fermenta é a primeira empresa do país e do mundo a desenvolver fermentos personalizados”, afirma.
Ela ressalta que o Tecnovates foi decisivo para transformar a ideia em negócio. A empresa iniciou as atividades em 2021 com uma bancada dentro da Microusina de Leite da Univates e, atualmente, mantém sua biofábrica instalada no parque tecnológico. “Foi a partir da parceria que conseguimos captar nosso primeiro projeto e tirar a empresa do papel”, aponta Marcela.
Hoje, a Fermenta produz fermentos a partir de bactérias da biodiversidade brasileira, desenvolvidos a partir da metodologia de identidade territorial. “Já despertamos o interesse de empresas de outros estados e até de países como Argentina, Uruguai e China”, argumenta.
Aproveitamento de resíduos
Sócio da Verde Acqua, Carlos Emílio Vieira da Silva relembrou a história da empresa, criada em 2019 com foco na produção de hortaliças e peixes por meio da aquaponia.
Segundo ele, o negócio enfrentou um dos maiores desafios logo no início, quando um miniciclone destruiu as estufas da empresa, justamente no momento em que as primeiras entregas já estavam programadas. “Tínhamos quase 80 clientes esperando pelas cestas. Foi um momento muito difícil, mas conseguimos reconstruir a estrutura e seguir em frente”, recorda.
O empreendedor afirma que a reconstrução também marcou uma mudança de estratégia. A empresa passou a investir no aproveitamento das carcaças de peixes para a produção de fertilizantes biológicos. “Percebemos que, para escalar o negócio, precisávamos agregar valor aos resíduos”, ressalta. A pesquisa deu origem a um processo próprio de hidrólise multimodal e a um projeto de doutorado em parceria com a Univates.
Hoje, a Verde Ácqua tem uma fábrica em Betim (MG) uma filial em Lajeado, e é residente do Tecnovates. “Boa parte desse crescimento foi possível graças ao ecossistema de inovação e ao acesso aos editais de fomento”, destaca Carlos.
Tecnovates em números
234 empresas conectadas ao ecossistema de inovação
12 negócios em pré-incubação
42 empresas incubadas
26 empresas graduadas ativas
41 empresas residentes
113 empresas associadas
