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Languiru prorroga liquidação extrajudicial e cria núcleos regionais

Assembleia Languiru

A Cooperativa Languiru aprovou, na manhã de quinta-feira (16/7), a prorrogação por mais 12 meses do procedimento de liquidação extrajudicial em continuidade operacional, além da manutenção do liquidante e do conselho fiscal.

A decisão foi tomada durante Assembleia Geral Extraordinária realizada com os associados, que também aprovaram alterações no estatuto social, incluindo a mudança do endereço da sede e uma nova organização da cooperativa em núcleos regionais.

Outro dado apresentado pela administração foi a redução de aproximadamente R$ 280 milhões do passivo da cooperativa nos últimos 24 meses. Em junho de 2026, a dívida total da Languiru foi atualizada para R$ 837.455.861,71. Do montante, R$ 617,4 milhões correspondem a credores financeiros e cerca de R$ 220 milhões a credores não financeiros.

A dívida da cooperativa chegou a superar R$ 1 bilhão no auge da crise. Segundo a administração, a redução ocorreu por meio de negociações realizadas desde a apresentação do plano de pagamentos, em julho de 2024. Atualmente, cerca de metade dos credores já aderiram ao plano.

O presidente da Languiru, Paulo Birck, destacou que mais de 800 credores já foram quitados integralmente. “São valores que não precisamos mais pagar. Conseguimos reduzir mais de R$ 280 milhões da dívida, o que traz mais tranquilidade para associados, produtores e credores”, afirmou.

Quarto ano da liquidação


Com a aprovação da assembleia, a Languiru ingressa no quarto ano do procedimento especial de liquidação extrajudicial em continuidade operacional – começou em julho de 2023. O modelo permite a manutenção das atividades econômicas enquanto a cooperativa negocia o pagamento dos débitos.

A operação mantém faturamento mensal próximo de R$ 50 milhões, concentrado nos segmentos de leite, aves e grãos. Desde o início do processo, a gestão trabalha sem acesso a linhas tradicionais de crédito bancário, dependendo exclusivamente do fluxo de caixa operacional.

O controle financeiro é realizado diariamente. “Todo dia, às 11 horas, fazemos o fluxo de caixa para avaliar o que temos para receber e para pagar. Há 3 anos trabalhamos apenas com o giro da cooperativa, conseguindo pagar credores e reduzir a dívida”, ressaltou.

Ele ainda destacou que a transparência do processo tem contribuído para recuperar a credibilidade da instituição perante o mercado e os próprios associados.

Justiça centralizou cobranças


Entre os avanços apresentados durante a assembleia está a decisão judicial obtida em junho deste ano, que centralizou as cobranças contra a cooperativa. Aproximadamente 70 execuções judiciais foram suspensas, evitando bloqueios de caixa e penhoras que poderiam comprometer a continuidade das operações.

A medida é considerada estratégica pela administração para garantir maior previsibilidade financeira durante as negociações com credores. Além disso, a antiga gestão financeira da cooperativa segue sendo alvo de auditoria investigativa conduzida com acompanhamento da Polícia Federal e do Ministério Público.

12 núcleos regionais

Os associados também aprovaram alterações estatutárias relacionadas ao sistema de nucleação da cooperativa. A partir da reorganização territorial, foram definidas 15 regiões administrativas. Destas, 12 contarão com núcleos ativos e lideranças regionais, enquanto três permanecem criadas formalmente, mas sem representantes por não possuírem associados atualmente. A expectativa é que, a partir de 2027, a Languiru retome as tradicionais reuniões de núcleo, ampliando o contato entre a administração e os cooperados.

O superintendente administrativo e financeiro, Gustavo Marques, explicou que a mudança busca aproximar novamente a cooperativa dos produtores. “Queremos que a informação chegue ao associado de forma rápida e correta. Os núcleos serão importantes para levar as decisões da administração para cada região e também trazer as demandas dos produtores”, afirmou.

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