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Debate aponta desafios nas relações de trabalho em Teutônia

Painel reuniu as especialistas Paulina Zart, Rocheli Kunzel e Taís Altmann em debate com mediação de Lucas Leandro Brune / Crédito: Thiago Maurique

Painel reuniu as especialistas Paulina Zart, Rocheli Kunzel e Taís Altmann em debate com mediação de Lucas Leandro Brune / Crédito: Thiago Maurique

As relações de trabalho passam por uma transformação que desafia as empresas. A entrada em vigor da NR-1, as discussões sobre a possível mudança na escala 6×1, a pejotização do trabalho e o novo perfil dos trabalhadores exigem revisão de processos, planejamento e adaptação na gestão de pessoas.

O tema foi debatido durante o Almoço Empresarial promovido pela CIC Teutônia na quinta-feira (16/7). O encontro reuniu as advogadas Paulina Zart e Rocheli Kunzel e a contadora Taís Altmann em um painel mediado pelo jornalista e diretor do Grupo Popular, Lucas Leandro Brune.

Para as palestrantes, esperar que as mudanças aconteçam para só então reagir aumenta custos, amplia os riscos jurídicos e reduz a competitividade das empresas. De acordo com a advogada Paulina Zart, o momento exige uma mudança de postura por parte dos empresários. “As constantes alterações na legislação representam uma oportunidade para revisar processos e fortalecer a gestão”, destaca.

As transformações acontecem independentemente da vontade do empresário. “A questão não é escolher se quer ou não mudar, mas entender como transformar esse cenário em oportunidade para melhorar a empresa”, afirma.

Conforme Paulina, a rotina operacional faz com que muitos gestores permaneçam focados apenas na resolução de problemas imediatos. “O empresário precisa parar para olhar o negócio de forma mais assertiva. Essa talvez seja a principal mudança de cultura que precisamos desenvolver”, observa.

Cita como exemplo o debate sobre a possível redução da jornada de trabalho. Mais importante do que discutir apenas a quantidade de horas trabalhadas é buscar formas de aumentar a produtividade. “Se as pessoas permanecerem menos tempo dentro da empresa, o desafio passa a ser como tornar esse período mais produtivo. Também precisamos discutir redução de retrabalho, uso de tecnologia e eficiência dos processos”, defende.

Planejamento reduz riscos

Para a advogada trabalhista Rocheli Kunzel, a principal ferramenta das empresas diante das incertezas é o planejamento. Antes de qualquer adequação, o empresário precisa compreender exatamente quais normas se aplicam à realidade do seu negócio. “Nem toda mudança na legislação afeta todos os segmentos da mesma forma. É preciso entender o contexto em que cada empresa está inserida”, explica.

Rocheli defende que as organizações realizem um inventário de riscos e construam planos de ação permanentes, envolvendo áreas como contabilidade, jurídico e segurança do trabalho. “É assim que se constrói uma nova cultura dentro da empresa”, ressalta.

A advogada também recomenda que os empresários iniciem desde já estudos sobre possíveis cenários envolvendo a escala 6×1, mesmo antes da aprovação definitiva de mudanças. “Tudo indica que alguma alteração ocorrerá. O momento é de fazer simulações e entender qual será o impacto caso a empresa precise adotar uma jornada diferente”, reforça.

Rocheli ainda destacou as discussões no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a terceirização irrestrita. A chamada pejotização não pode ser utilizada como alternativa para reduzir custos quando há vínculo empregatício. “A empresa precisa avaliar cuidadosamente aquilo que realmente pode ser terceirizado e acompanhar não apenas a legislação, mas também o entendimento da Justiça do Trabalho”, alerta.

Pessoas no centro da estratégia

Para a contadora e consultora tributária Taís Altmann, as empresas precisam compreender que o perfil do trabalhador mudou, o que exige novas práticas de gestão. “Quanto antes o empresário entender isso, mais preparado estará para competir”, afirma.

A lógica de permanência por décadas na mesma empresa deixou de fazer parte da realidade das novas gerações. “Hoje precisamos convencer o colaborador de que faz sentido permanecer na empresa. Essa relação mudou completamente”, avalia.

Além das transformações comportamentais, Taís destaca que temas ligados à saúde mental ganharam protagonismo e exigem atenção permanente das organizações. “Quanto melhor cuidamos das pessoas, menor é a rotatividade, menor o número de afastamentos e melhores são os resultados”, salienta.

Taís afirma que pequenas mudanças podem produzir impactos significativos na produtividade. Como exemplo, cita a política adotada no próprio escritório, que passou a flexibilizar horários e incentivar a prática de atividades físicas. “Pessoas que estão bem consigo mesmas entregam mais resultado. O investimento no bem-estar retorna em forma de produtividade e desempenho”, aponta.

Para Taís, eventos como o promovido pela CIC Teutônia ajudam justamente a desenvolver uma visão mais estratégica sobre os negócios. “É esse olhar que fará diferença nos próximos anos”, conclui.

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