O pré-candidato ao Governo do Rio Grande do Sul pelo PSDB, Marcelo Maranata, cumpriu agenda em Teutônia na manhã dessa terça-feira (21/7). A programação começou às 10h, com entrevista exclusiva ao Grupo Popular. Na sequência, às 11h30min, o tucano participou de Almoço Empresarial promovido pela CIC Teutônia, onde apresentou as propostas ao empresariado da região.
Advogado, empresário e ex-prefeito de Guaíba por dois mandatos, Maranata construiu sua pré-candidatura tendo como principal argumento a experiência na gestão municipal. Na entrevista e na palestra, ele afirmou que é o único entre os pré-candidatos ao governo que já administrou um município. “Quem não teve essa vivência, não deveria administrar o Estado”, declarou.
Maranata afirma que a trajetória política nasceu a partir da atuação como empresário. Ele iniciou a vida profissional como engraxate e entregador de jornais e, ainda jovem, ingressou no comércio varejista, abrindo lojas em Camaquã, Guaíba e Eldorado do Sul. A mudança para Guaíba coincidiu com a promessa de instalação da Ford no município.
Foi após a desistência da montadora em instalar a fábrica no município que, segundo ele, surgiu o interesse pela vida pública. Na época, Maranata assumiu a presidência do Sindilojas e da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), passando a defender maior participação do setor produtivo nas decisões do poder público. Posteriormente foi eleito vice-prefeito e, após cinco disputas eleitorais, conquistou a prefeitura em 2020.
O pré-candidato alega que assumiu o município em meio à pandemia de Covid-19 e que enfrentou, ao longo do mandato, vendavais, temporais com granizo e as enchentes históricas que atingiram o Rio Grande do Sul em 2023 e 2024. “Mesmo diante desse cenário, conseguimos ampliar investimentos em saúde, educação, infraestrutura e desenvolvimento econômico”, destaca. Foi reeleito com mais de 78% dos votos.
O ex-prefeito atribuiu os resultados à desburocratização da máquina pública e ao fortalecimento do ambiente de negócios. Para Maranata, o crescimento econômico precisa ser a principal ferramenta para ampliar a capacidade de investimento do Estado. “Saúde, educação e segurança pública dependem diretamente de um ambiente favorável ao empreendedorismo”, acredita.
Dívida e saúde
A situação financeira do Rio Grande do Sul foi um dos temas destacados pelo pré-candidato. Maranata classificou a dívida do Estado como um dos principais desafios do próximo governador e defendeu uma ampla negociação com a União. Segundo ele, antes de discutir novos investimentos será necessário reduzir despesas administrativas e promover uma revisão da estrutura do Estado.
“Pretendo reunir outros estados para discutir, em bloco, mudanças na forma de cálculo da dívida pública”, aponta. Segundo o ex-prefeito, parte dos valores acumulados ao longo das últimas décadas decorre de distorções contratuais. Ele também defendeu a continuidade das negociações envolvendo o Regime de Recuperação Fiscal e mecanismos de financiamento voltados à reconstrução do Rio Grande do Sul após as enchentes.
Na área da saúde, o pré-candidato defende uma divisão do Estado em sete grandes regiões de atendimento, o que reduziria deslocamentos e fortaleceria os hospitais regionais. Segundo Maranata, os municípios acabam assumindo uma parcela crescente dos custos da saúde pública e muitos já destinam mais de um terço do orçamento próprio para manter os serviços funcionando. “Atualmente, cerca de 850 mil gaúchos aguardam consultas, exames ou procedimentos especializados e defendeu a regionalização dos serviços.
Na área empresarial, quer um estado menos burocrático – em Guaíba reduziu a abertura d empresas de 30 dias para 15 horas – e a formação técnica de jovens para reter os talentos no Estado.
Infraestrutura e reconstrução
Ao abordar a situação do Vale do Taquari, uma das regiões mais atingidas pelas enchentes de 2023 e 2024, Maranata afirmou que a prioridade deve ser a proteção das pessoas e da atividade econômica. Ele citou como exemplo as dificuldades enfrentadas por empresas da região para escoar a produção após os desastres climáticos e defendeu a aceleração de obras consideradas estratégicas.
Entre elas, mencionou a conclusão da Ponte dos Vales, ligando Estrela e Cruzeiro do Sul, melhorias nos acessos rodoviários da região. Também defendeu a continuidade da duplicação da ERS-453, integrada às ERSs-130 e 129, de forma a fortalecer a conexão logística entre o Vale do Taquari, a Serra Gaúcha e o futuro aeroporto de Vila Oliva. Ainda reforçou a necessidade de investimentos em hidrovias e voltou a citar o Porto de Arroio do Sal como um projeto importante para ampliar a competitividade do Estado.
Alternativa à polarização
Ao comentar o cenário eleitoral, Maranata voltou a defender uma candidatura independente.
O pré-candidato afirmou que não pretende se posicionar como representante de nenhum dos principais grupos políticos nacionais ou estaduais. “Não sou Lula, nem Bolsonaro, nem Eduardo Leite. Meu padrinho é o povo”, afirmou.
Segundo ele, durante sua gestão como prefeito buscou recursos tanto junto ao governo do ex-presidente Jair Bolsonaro quanto da administração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “O governador precisa dialogar com diferentes correntes políticas para obter investimentos para o Rio Grande do Sul”, defende.
