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Lajeadense aposta em experiência, organização e força da torcida para buscar o acesso em 2026

Objetivo é alinhar bom vestiário com resultados em campo - Crédito: Divulgação

Objetivo é alinhar bom vestiário com resultados em campo - Crédito: Divulgação

A pouco mais de uma semana da estreia na Divisão de Acesso, o Lajeadense entra na reta final da preparação cercado por um clima de confiança.

Depois de temporadas em que o principal objetivo era garantir a permanência na competição, o clube acredita ter reunido condições para fazer uma campanha mais sólida em 2026.

A aposta fica na experiência do elenco, manutenção do trabalho da comissão técnica e em uma gestão que, mesmo com recursos limitados, conseguiu fortalecer a estrutura do departamento de futebol.

O desafio, no entanto, continua grande. A Série A2 deste ano reúne clubes tradicionais do futebol gaúcho e equipes que investiram pesado na montagem de seus elencos.

Mesmo com a diferença financeira em relação aos principais concorrentes, o presidente Marcos Mallmann entende que o Lajeadense conseguiu dar um passo importante em relação aos anos anteriores.

“É a primeira vez que acredito que formamos um grupo mais experiente e preparado. Sabemos que os adversários também investiram muito, mas conseguimos qualificar o elenco dentro das nossas possibilidades”, afirma;

Preparação física e evolução

A pré-temporada começou com um tempo menor do que o considerado ideal. Segundo Mallmann, isso ocorreu porque o clube passou a exigir que todos os atletas realizassem uma bateria completa de exames médicos antes da assinatura dos contratos, medida adotada para oferecer mais segurança durante a temporada.

O primeiro teste aconteceu diante da Apafut, em Caxias do Sul. Apesar da derrota por 2 a 0, a avaliação foi positiva. O dirigente lembra que o adversário iniciou os trabalhos cerca de dez dias antes, o que naturalmente representava vantagem física naquele momento.

“O professor Serginho Almeida disse que estava dentro do cronograma. As primeiras duas ou três semanas são muito pesadas. O corpo sente a carga física e só depois de cerca de 30 dias o atleta consegue render o seu melhor”, ressalta.

A expectativa é de que o grupo alcance o auge da preparação justamente na abertura da competição, quando o Lajeadense recebe o Pelotas na Arena Alviazul.

Efeito Viçosa e finanças

A principal contratação para a temporada foi o atacante Júnior Viçosa, conhecido pelas passagens por Grêmio, Bahia, Goiás e outros clubes do futebol brasileiro.

A negociação aconteceu de forma inesperada, quando o jogador estava em Lajeado enquanto concluia um tratamento no tornozelo.

Mesmo sem acreditar que seria possível fechar o acordo, a direção decidiu procurar o atleta. As conversas avançaram rapidamente e terminaram com a assinatura do contrato.

“Ele tinha uma proposta, fizemos uma contraproposta e aceitou. Ele treina com o restante do grupo desde a semana passada”, diz.

Mallmann ressalta que a contratação foge da realidade financeira do clube, mas surgiu em um momento oportuno. “Gostaríamos sempre de contratar atletas desse nível, mas normalmente isso não cabe no nosso orçamento”, avalia o presidente.

Apesar do reforço de peso, o presidente não esconde que o Lajeadense continua distante da realidade financeira de vários adversários. Enquanto alguns clubes disputam jogadores vindos das séries A, B e C do Campeonato Brasileiro com folhas salariais elevadas, o Alviazul trabalha com um orçamento bem mais enxuto.

Mesmo assim, a avaliação é que o elenco deste ano representa uma evolução importante. “O nosso maior medo era cair nos anos passados. Mas o Serginho sempre conseguiu tirar água de pedra. Este ano conseguimos montar um grupo mais experiente, mesmo com uma das menores folhas da competição”, aponta.

De acordo com Mallmann, o objetivo inicial segue em garantir classificação às quartas de final, mas o grupo acredita que pode sonhar mais alto caso consiga um bom início de campeonato.

Profissional x Amador

A ligação histórica do Lajeadense com o futebol amador do Vale do Taquari faz com que a utilização de atletas da região seja um tema frequente. Mallmann explica, porém, que a transição entre as duas realidades nem sempre é simples.

O primeiro obstáculo é financeiro. Em muitos casos, jogadores destacados no amador recebem remuneração superior à oferecida pelo clube profissional. Além disso, existe a exigência da rotina diária de treinos, preparação física e disciplina, realidade diferente daquela vivida pelos atletas que atuam apenas nos fins de semana.

“O craque do amador muitas vezes ganha mais e não quer se submeter a uma rotina pesada de preparação física. Não é uma questão de qualidade, mas de escolha pessoal”, destaca.

O dirigente também chama atenção para o lado humano dos jovens que chegam para disputar o primeiro campeonato profissional. Alguns deixam suas famílias, mudam de estado e precisam enfrentar uma realidade completamente diferente.

“Muitas vezes, a diretoria faz um trabalho quase de psicólogo. São meninos que saem de casa pela primeira vez, chegam sem conhecer ninguém e precisam disputar espaço diariamente”, revela.

Maratona de jogos e gramado

Outro fator que exige atenção é o calendário da Divisão de Acesso. A competição será disputada em aproximadamente três meses, com partidas praticamente a cada três dias durante boa parte da primeira fase.

Para Mallmann, o aspecto físico será determinante, mas existe outra preocupação: o gramado do Estádio Alviazul.

Mesmo após investimentos superiores a R$ 150 mil em infraestrutura e cerca de R$ 50 mil destinados exclusivamente à recuperação do campo, problemas na drenagem impedem que o piso apresente as condições ideais.

Ainda assim, ele acredita que jogar em um gramado pesado pode até se transformar em vantagem para uma equipe acostumada às condições do estádio.

Equilíbrio e torcida

Fora das quatro linhas, o clube comemora um resultado importante. Pela primeira vez desde 2014, o Lajeadense encerrou uma temporada sem aumentar sua dívida. Além disso, conseguiu realizar investimentos em infraestrutura, adquirir novos equipamentos e manter recursos em caixa.

Apesar do avanço administrativo, a arrecadação com patrocinadores ficou abaixo do previsto. A ausência das certidões negativas impede o acesso a projetos por meio de leis de incentivo e dificulta a aproximação com grandes empresas.

“Precisamos trabalhar dentro da realidade do clube. Gostaríamos de investir mais no futebol, mas isso só é possível se houver equilíbrio financeiro”, analisa.

Para compensar essa diferença em relação aos concorrentes, a direção deposita grande expectativa no apoio da torcida. A estreia diante do Pelotas é vista como um momento importante para criar confiança logo nas primeiras rodadas.

“Nosso sonho é colocar entre 1.500 e 2 mil pessoas no estádio. Começar com vitória faz diferença, principalmente quando se trabalha com um grupo novo”, espera.

Com um elenco mais experiente, uma contratação de impacto e uma gestão que busca estabilidade financeira, o Lajeadense inicia a Divisão de Acesso com a ideia de que pode voltar a disputar o protagonismo.

Calendário de jogos
#DataLocalPartida
2/8 – 15h30LajeadoLajeadensexPelotas
5/8 – 19hBagéBagéxLajeadense
9/8 – 15h30LajeadoLajeadensexEsportivo
12/8 – 20hFarroupilhaBrasil-FARxLajeadense
16/8 – 15h30LajeadoLajeadensexPasso Fundo
19/8 – 19hGramadoGramadensexLajeadense
23/8 – 15h30LajeadoLajeadensexGlória
26/8 – 19hVenâncio AiresGuarani-VAxLajeadense
29/8 – 19hPelotasBrasil-PELxLajeadense
10ª2/9 – 19h30LajeadoLajeadensexUnião Frederiquense
11ª6/9 – 15hSanta Cruz do SulSanta CruzxLajeadense
12ª9/9 – 19h30LajeadoLajeadensexGaúcho
13ª13/9 – 15hSão LeopoldoAimoréxLajeadense
14ª16/9 – 19h30LajeadoLajeadensexVeranópolis
15ª19/9 – 15hCaxias do SulAPAFUTxLajeadense

Assista à entrevista:

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