As transformações no cenário geopolítico e macroeconômico foram tema de palestra do diretor de Relações Institucionais da Randoncorp, Joarez José Piccinini, na reunião almoço promovida pela Cacis nessa sexta-feira (24/7). Diante de empresários e lideranças da região, o executivo analisou os desafios impostos pelas mudanças no cenário internacional e defendeu planejamento, diversificação de mercados e gestão de riscos como pilares para a competitividade.
De acordo com Piccinini, a entrada em vigor de novas tarifas sobre produtos brasileiros, reforçam a necessidade de as empresas acompanharem constantemente o ambiente econômico. Para ele, esse tipo de movimento faz parte da dinâmica dos mercados internacionais e não deve ser encarado como um fato inesperado.
O executivo afirma que o fundamental é ter ciência de que essas oscilações são cíclicas e acontecem com frequência. “O Brasil, assim como outros países, aplica tarifas sobre importações. O essencial é acompanhar essas movimentações e antecipar-se”, afirmou.
A principal forma de reduzir a exposição a mudanças externas é ampliar a atuação comercial. A recomendação é evitar a concentração das vendas em poucos clientes ou mercados, tanto no Brasil quanto no exterior. “Com quase 200 países no mundo, é estratégico não limitar a atuação. A solução não virá de fora; ela precisa ser construída por nós”, destacou.
Piccinini defendeu que empresas de qualquer porte incorporem uma cultura de planejamento e preparação para diferentes cenários. Segundo ele, trabalhar com planos alternativos permite respostas mais rápidas diante de mudanças econômicas, políticas ou comerciais. “O mundo está em constante transformação e o papel da gestão é estar preparado, com planos A, B e C definidos antecipadamente”, afirmou.
Cenário doméstico
Outro tema abordado foi o ambiente econômico brasileiro. Segundo Piccinini, fatores como a política fiscal e o custo do dinheiro influenciam diretamente a capacidade de investimento das empresas. Na avaliação do executivo, o elevado nível de gastos públicos contribui para a manutenção de taxas de juros elevadas, tornando o crédito mais caro e reduzindo a competitividade da economia.
Apesar das incertezas, o diretor da Randoncorp afirmou que o Brasil mantém importantes vantagens competitivas, especialmente pela força do agronegócio, da indústria e pelo potencial do mercado interno. “O desafio das empresas é compreender o ambiente em que estão inseridas e transformar riscos em oportunidades por meio de informação e planejamento”, aponta.
Eventos Climáticos
Em entrevista à Rádio Popular, Piccinini ressaltou que os princípios de gestão utilizados por grandes corporações também podem ser aplicados por pequenos negócios. Segundo ele, embora os recursos e a escala sejam diferentes, a lógica da preparação permanece a mesma.
Como exemplo, citou os impactos das enchentes que atingiram o Vale do Taquari nos últimos anos. Para o executivo, os eventos climáticos reforçam a necessidade de construir operações mais resilientes e de incorporar o gerenciamento de riscos às decisões estratégicas.
“É preciso analisar, buscar informações e tomar decisões assertivas para se proteger de impactos variados, sejam eles climáticos, tarifários ou relacionados a políticas econômicas”, alega. Para o executivo, o objetivo sempre deve ser antecipar os riscos e posicionar a empresa para minimizar efeitos negativos.
Para Piccinini a busca permanente por conhecimento deve ser adotada pelos empresários de forma a qualificar a tomada de decisão. Segundo ele, a capacidade de adaptação tende a ser um dos principais diferenciais competitivos das organizações nos próximos anos.
