Ícone do site Folha Popular

Encontro de Corais reforça tradição dos imigrantes alemães

Grupo Anfitrião do encontro, Coral Cultura foi homenageado pelos 30 anos de atuação na preservação da tradição / Crédito: Thiago Maurique

O Centro Comunitário Evangélico de Arroio da Seca sediou, no sábado (25/7), o 34º Encontro Municipal de Corais de Imigrante. Promovido pela Secretaria de Cultura, Desporto e Turismo, em parceria com o Coral Cultura, o evento celebrou a tradição do canto coral, reuniu cerca de 70 cantores e marcou também as comemorações pelos 202 anos da imigração alemã no Brasil e os 30 anos do Coral Cultura.

Participaram da programação o Coral Vozes, Coral Cultura, Coral da Oase Maria Madalena, Coral Municipal, Coral Concórdia e Coral Ana. Cada grupo apresentou duas canções e, ao final, todos os coralistas interpretaram juntos a Canção do Amigo. Os participantes também confraternizaram em um almoço e acompanharam a apresentação da Orquestra Jovem Municipal.

De acordo com o secretário municipal de Cultura, Desporto e Turismo, Charles Porsche, o encontro representa um reconhecimento ao trabalho desenvolvido pelos grupos ao longo do ano e reforça a identidade cultural do município. “O encontro motiva os grupos a continuarem cantando e reforça a importância de preservar essa tradição e essa cultura”, afirma.

Segundo Porsche, Imigrante é um celeiro de músicos, tanto instrumentistas quanto cantores, mas o impacto dos corais vai além da música. “Os corais fortalecem os vínculos entre as pessoas, mantêm vivas as tradições e unem as comunidades. Os coralistas ajudam a divulgar o nome de Imigrante e a preservar nossa identidade cultural”, reforça.

Anfitrião do evento, o pastor Clodoaldo Kampke, da Comunidade Evangélica de Confissão Luterana de Arroio da Seca, destaca que o canto também possui um importante significado espiritual e comunitário.

“Sempre digo que quem canta seus males espanta e quem canta ora duas vezes. Quando diversos corais se encontram, diferentes vozes se unem para celebrar a alegria, a fé e a gratidão”, aponta.

Elo entre imigrantes

Representante do Coral Cultura, Milton Tietze, contextualizou o cenário vivido pelos primeiros imigrantes, que deixaram uma Alemanha marcada pela pobreza, pelas doenças e pelos impactos das Guerras Napoleônicas em busca de uma nova oportunidade de vida. Segundo ele, a música teve papel fundamental na vida das famílias que chegaram ao Rio Grande do Sul a partir de 1824.

Conforme Tietze, os colonizadores chegaram ao Rio Grande do Sul trazendo poucos bens materiais, mas carregando esperança, fé e disposição para reconstruir a vida. “Precisaram erguer as próprias casas, aprender uma nova língua, adaptar-se ao clima e aos alimentos e organizar as primeiras comunidades praticamente do zero”, afirma. .

Foi nesse contexto que o canto coral ganhou importância. “A música era uma forma de amenizar a saudade da terra natal. Os corais nasceram dentro das comunidades organizadas pelos próprios imigrantes e ainda hoje representam um dos principais legados culturais deixados por eles”, destaca.

Três décadas de história

Um dos destaques do encontro foi a homenagem aos 30 anos do Coral Cultura, grupo que atua desde 1996 preservando a tradição do canto em Imigrante. Durante a solenidade, o representante do coral parabenizou as integrantes pela dedicação ao longo dessas três décadas e agradeceu o apoio do poder público e dos voluntários que mantêm viva a atividade.

O pastor Clodoaldo Kampke também destacou que a longevidade do grupo demonstra a força da comunidade e da cultura local. “Quando as pessoas se reúnem para cantar, elas encontram forças para seguir em frente. Essa tradição precisa continuar sendo transmitida às próximas gerações”, concluiu.

Sair da versão mobile