O perfil dos jovens que ingressam no mercado de trabalho foi o tema da reunião-almoço da Associação Comercial e Industrial de Lajeado (Acil) de quinta-feira (6/8). A vice-reitora da Univates, Cíntia Agostini, e o gerente de Marketing e Relacionamento com o Mercado da instituição, Daniel Wallerius, apresentaram pesquisa que identifica mudanças de comportamento que podem nortear a forma como as empresas atraem e retêm talentos.
O levantamento analisou características dos jovens do Vale do Taquari, especialmente estudantes do ensino médio que em breve estarão no ensino superior e no mercado profissional. A conclusão é que as novas gerações apresentam diferenças importantes na forma de enxergar carreira, educação, consumo e relações de trabalho.
O estudo mostra que a geração Alfa, formada pelos jovens que ainda estão na escola, observa as escolhas e os resultados obtidos pela geração Z. “A partir disso, começam a fazer suas próprias conclusões”, explica Daniel Wallerius.
Esse movimento de observação faz com que os jovens tenham uma postura mais pragmática diante das decisões. “Em vez de considerar apenas discursos ou expectativas, eles buscam entender quais benefícios concretos terão em cada escolha”, destaca.
Menos influenciadores
Outro ponto que chamou atenção na pesquisa foi a mudança na relação dos jovens com influenciadores digitais. Enquanto a geração Z teve forte aproximação com a chamada economia da influência, os adolescentes da geração Alfa demonstram uma postura mais crítica em relação a esse tipo de conteúdo.
De acordo com Wallerius, isso não significa que os influenciadores deixarão de ter relevância, mas que a tomada de decisão passa por mais etapas. “A composição de informações que eles vão pesquisar para tomar uma decisão será muito maior”, afirma.
As principais referências apontadas pelos jovens continuam sendo a família e a própria avaliação pessoal. A mudança representa uma ruptura em relação a um comportamento mais impulsivo observado em outros períodos. “Existe uma relação de confiança muito sensível, estabelecida e diferente daquela ideia de que alguém indicou determinado produto e todos precisam comprar para fazer parte daquele grupo”, aponta.
Trabalham e estudam
A pesquisa também desconstrói a percepção recorrente de que os jovens não têm interesse pelo trabalho. Conforme Cíntia Agostini, mais da metade dos participantes já possui algum tipo de atividade profissional ou fonte de renda. “É um jovem que trabalha e estuda. Ele indica que está cansado, que está ansioso, mas também mostra que quer construir sua experiência”, afirma.
Segundo a vice-reitora, aqueles que não trabalham geralmente estão em escolas privadas de ensino médio com jornada integral. Para a maioria, a busca por uma oportunidade profissional já faz parte da rotina. “Ele está conseguindo alguma renda de alguma forma. Isso dá uma formação muito importante”, destaca.
O desafio das empresas será encontrar pontos de conexão entre aquilo que oferecem e aquilo que os jovens buscam para suas trajetórias. “Como o empresário se aproxima do jovem e como o jovem se aproxima do empresário é a chave. Essa relação precisa encontrar o equilíbrio”, reforça Cíntia.
O preenchimento das vagas disponíveis no mercado regional depende, principalmente, do alinhamento entre as oportunidades existentes e as expectativas dessa nova geração. “Nós vamos precisar de trabalhadores em todas as funções, mas provavelmente teremos um reequilíbrio nos tipos de trabalho”, acredita a vice-reitora.
