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A engenharia de uma vida equilibrada entre negócios e família

Bruna Finger Arnholdt / Crédito: Luciana Brune

No cenário dinâmico da construção civil do Vale do Taquari, um nome tem se destacado não apenas pela competência técnica na reconstrução de centenas de lares, mas por uma trajetória que equilibra, com precisão cirúrgica, os desafios do CNPJ e as demandas do coração. Bruna Arnholdt, diretora da Artem Construtora e Incorporadora, é o rosto por trás de uma gestão que une a sensibilidade da educação, o olhar estratégico da comunicação e a força de uma parceria de vida que atravessa décadas.

Parceria de 22 anos: “Ele Sonha, Eu Organizo”

A história da Artem não pode ser contada sem mencionar a união entre Bruna e seu marido, Carlos, engenheiro civil e idealizador da empresa. Juntos há 22 anos, o relacionamento começou na adolescência, em Travesseiro, e amadureceu em uma sociedade sólida. Na dinâmica da empresa, a complementaridade é o segredo do sucesso: enquanto Carlos é o visionário focado nas exatas e no futuro do negócio, Bruna é a força operacional, voltada para as humanas e para a organização de processos.

“Ele tem a visão, eu levo para o time e faço acontecer”, define Bruna. Essa conexão não foi imediata no ambiente corporativo. Foi necessário um processo de estudo conjunto, iniciado por volta de 2022, focado em alta performance e mentalidade, para que ambos se conectassem como sócios. Hoje, eles reconhecem suas fragilidades e potencializam o que cada um tem de melhor, entendendo que, embora as leituras de mercado sejam diferentes, o objetivo é comum. O apoio mútuo foi fundamental, especialmente quando Bruna assumiu seu lugar de liderança, com Carlos chancelando sua voz em um ambiente majoritariamente masculino.

O segredo das 4h30

Para sustentar a pressão de gerir uma empresa que atua em frentes tão complexas quanto licitações e incorporações, Bruna encontrou no autocuidado a sua base. A rotina do casal é regrada e começa muito cedo: às 4h30 da manhã. Esse período, que vai até 6h30, é o único momento de “conversa sem filho e sem colega de trabalho”, dedicado à leitura, ao café da manhã e, fundamentalmente, ao exercício físico.

A atividade física diária é descrita por Bruna como uma ferramenta de “calibragem” para a ansiedade e para a saúde mental, um caminho para a felicidade. “Para eu funcionar bem em casa como mãe e na empresa como gestora, eu tenho que estar feliz”, afirma ela, destacando que o treino matinal e os esportes ao fim do dia são prioridades inegociáveis na agenda da família. Essa disciplina permite que ela enfrente a rotina intensa com a clareza necessária, garantindo que, por volta das 18h30 ou 19h, o foco retorne plenamente para o ambiente doméstico.

Da sala de aula ao canteiro de obras

A chegada de Bruna à Artem não foi um improviso, mas uma transição de carreira amadurecida e segura. Com uma carreira consolidada de 15 anos na educação, Bruna atuou como professora de educação infantil e alfabetização, possuindo uma vasta formação que inclui Pedagogia, Relações Públicas, mestrado e um doutorado em andamento.

A transição começou em 2019, durante a gravidez de seu filho, Lucas. O que inicialmente era uma intenção de apenas “ajudar” o marido transformou-se em uma ocupação integral. Para garantir a segurança dessa mudança, Bruna solicitou uma licença de 2 anos do serviço público municipal. “Viemos de uma cultura onde o concurso público traz aquela estabilidade. Transitar de carreira foi uma escolha, assim como o casamento é uma escolha”, reflete. Sua formação em Relações Públicas foi o diferencial para profissionalizar a Artem, permitindo que ela organizasse processos internos, cuidasse da imagem da marca e estabelecesse fluxos estratégicos que potencializaram o crescimento da empresa.

Transformação pela Maternidade

Se a carreira e os negócios exigem firmeza, a maternidade trouxe para Bruna a dose necessária de sensibilidade e leveza. A chegada de Lucas transformou sua visão de mundo, ensinando-a a desacelerar e, principalmente, a ser frágil. “O Lucas me mostra todo dia: ‘Mãe, pode ser mais leve? Não complica'”, conta ela.

A maternidade também foi o ponto de ruptura com a necessidade de ser autossuficiente o tempo todo. Pela primeira vez, Bruna sentiu a necessidade de dizer “me ajudem”, conectando-se de forma mais profunda com seus pais e sogros. Hoje, ela vive uma maternidade sem comparações, entendendo que ser uma mãe que ama trabalhar e que valoriza a escola do filho não a torna menos dedicada. Para Bruna, o segredo da plenitude está em estar inteira em cada papel: seja na diretoria da Artem ou nas brincadeiras com Lucas no fim do dia.

Protagonismo feminino na Construção Civil

Atualmente, Bruna lidera, ao lado de Carlos, um dos projetos mais significativos da história recente do Vale do Taquari: a reconstrução de unidades habitacionais após as enchentes.

Com a entrega de quase 300 unidades habitacionais, incluindo seis loteamentos e um condomínio com 71 apartamentos apenas em Lajeado, ela descreve esse trabalho não apenas como uma operação técnica, mas como uma verdadeira “missão”. Bruna fala com visível emoção sobre o impacto social de ver as casas sendo erguidas em um ritmo impressionante de uma unidade concretada por dia e destaca que a gratidão das famílias e o envolvimento da comunidade transformaram o canteiro de obras em um símbolo de esperança. Para a empresária, ver o projeto se concretizar após um longo e burocrático processo é algo “muito especial”, pois representa o momento em que “as pessoas certas colocam a mão e todo mundo se envolve na causa maior” para devolver dignidade a quem perdeu tudo.

Com uma equipe estratégica, composta por homens e mulheres, ela defende que o olhar feminino traz usabilidade e praticidade aos projetos técnicos. A trajetória de Bruna é um exemplo de que a liderança feminina na construção civil vai além de ocupar um espaço; trata-se de imprimir uma marca de organização, empatia e resiliência. Entre o concreto moldado em loco e a rotina familiar, ela constrói não apenas prédios e casas, mas um legado de equilíbrio e autenticidade.

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