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Investimento em pessoas eleva desempenho da 3F1B

Adriana Borgelt / Crédito: Thiago Maurique

Empresa de móveis com sede em Teutônia e atuação em diferentes regiões do Brasil, a 3F1B tem sua trajetória marcada por empreendedorismo familiar, recomeços e decisões estratégicas que transformaram uma pequena marcenaria em referência. Sócia-administradora da empresa, Adriana Borgelt ingressou no negócio em 1999 e, ao lado do fundador, Lari Flach, firmou parceria que impulsionou o crescimento da empresa.

No programa Inteligência Empresarial, da Rádio Popular, Adriana relembrou o desenvolvimento da empresa, os períodos de dificuldades financeiras e o papel da qualificação da gestão para vencer as crises. Hoje, com 32 colaboradores, a 3F1B prepara a duplicação da estrutura fabril, amplia a automação dos processos e mantém como propósito crescer sem abrir mão da essência familiar e do compromisso com a comunidade.

Grupo Popular – Qual a trajetória trilhada até começar a empreender?

Adriana Borgelt – Eu nasci em Teutônia, no Bairro Canabarro, e sou filha de pais empreendedores: minha mãe é cabeleireira há mais de 50 anos e meu pai comandava uma equipe de pintura. Meus irmãos também empreendem, então venho de uma família totalmente voltada a isso. Minha entrada na marcenaria aconteceu após o casamento com o Lari Flach. Ele fundou a 3F1B em 1993, nos casamos em 1999 e entrei no negócio para somar. O Lari sempre teve um viés muito forte no comercial e na negociação, enquanto eu assumi a parte protocolar, da burocracia e da gestão. A gente se complementa muito bem.

GP – Nesses 33 anos de história, houve algum momento de dificuldade marcante?

Adriana – Em meados de 2004 e 2005 enfrentamos uma crise bem forte. Passamos cerca de 12 anos pagando contas, porque nosso compromisso e propósito principal era não ficar devendo nada para ninguém. Foram erros de gestão e um somatório de falhas nossas, até porque não tínhamos a maturidade de hoje. Eu fui me graduar em Administração, fiz pós-graduação em Gestão Estratégica de Negócios e Inovação, e o Lari foi para a rua fazer networking. Em 2015 tomamos a decisão crucial de nichar o mercado. Paramos de fabricar mobiliário residencial e focamos 100% no segmento corporativo, especializando a fábrica no atendimento a redes de farmácias e supermercados.

GP – A que você atribui a perenidade do negócio ao longo de tantas décadas?

Adriana – A perenidade do negócio tem tudo a ver com pessoas. A empresa pode investir na melhor tecnologia do mercado, mas se o colaborador que está ali operando não tiver o brilho no olho e os seus sonhos pessoais entrelaçados com o propósito da empresa, o resultado não aparece. Hoje temos 32 pessoas na equipe e quatro gerações trabalhando sob o mesmo teto: Baby Boomers, Geração X, Millennials e Geração Z.

GP – Como vocês buscam e retêm talentos em uma região que enfrenta falta de mão de obra?

Adriana – Nós buscamos soluções dentro da nossa própria cultura. Hoje nós temos seis “segundas gerações” trabalhando na fábrica, ou seja, pais que trouxeram seus filhos para aprender e trabalhar conosco. A própria filha do Lari é nossa arquiteta técnica e já está se estruturando para a sucessão. Além disso, a marcenaria se modernizou: somos uma indústria 4.0, com maquinário automatizado e processos integrados com inteligência artificial. Precisamos nos mostrar atrativos para que os jovens vejam o setor moveleiro como uma oportunidade real de carreira.

GP – Como é a relação da 3F1B com a comunidade e os clientes?

Adriana – Dentro da nossa filosofia, o funcionário é uma pedra preciosa e o cliente é uma joia. Se nós nos propomos a vender solução, temos que ser a solução na prática, entregando além do esperado. Em relação à comunidade, não existe a possibilidade de a empresa não devolver o que recebe. A gente se engaja com causas locais, apoia a APAE, cuida da causa animal com os nossos “cão-legas” que vivem na fábrica e colabora com a Liga Feminina de Combate ao Câncer.

GP – Quais são os próximos investimentos planejados para a expansão da empresa?

Adriana – Vamos duplicar o tamanho da nossa estrutura fabril até o final do ano que vem, construindo mais de 1.500 m² com o apoio da Cooperativa Sicredi. Hoje já temos automação no corte, na laminação e na usinagem, mas com essa ampliação a produção vai rodar 100% em linha. Também estamos estudando a implementação de robótica para o carregamento e descarregamento de peças, focando na produtividade e na ergonomia dos colaboradores.

GP – Qual a vantagem estratégica de atender grandes redes corporativas?

Adriana – A maior vantagem é a constância e a previsibilidade. Para se ter uma ideia, o nosso principal cliente planeja abrir 65 lojas este ano. Atender grandes redes nos força a evoluir processos constantemente, a prototipar novos modelos de expositores com agilidade e a manter um cronograma fabril e financeiro extremamente alinhado.

GP – O que você projeta para o futuro da 3F1B?

Adriana – O nosso objetivo é consolidar essa expansão física, dobrar a capacidade produtiva e avançar na automação, mas sem jamais perder a nossa essência familiar e o respeito às pessoas. Queremos seguir crescendo como uma referência nacional em mobiliário corporativo estratégico, mantendo a gestão redonda, a saúde financeira impecável e a nossa equipe motivada a construir o futuro junto conosco.

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