A estrutura do Clube Tiro e Caça (CTC), em Lajeado, tem condições de receber torneios internacionais de maior porte e contribuir para o desenvolvimento do tênis brasileiro. A avaliação é do presidente da Confederação Brasileira de Tênis (CBT), Alexandre Farias, que visitou pela primeira vez o clube que é palco do Lajeado Open, torneio internacional realizado entre os dias 16 e 22 de novembro. Para o dirigente, a presença de competições desse nível no interior do Rio Grande do Sul demonstra a força da região como polo de formação de atletas.
“É um belíssimo clube, uma belíssima estrutura, que já recebe esse evento da Federação Internacional de Tênis por cinco anos seguidos. Estamos extremamente satisfeitos e maravilhados com a estrutura que o clube oferece”, afirmou Farias.
O presidente da CBT destacou que o CTC apresenta condições para ampliar o nível das competições realizadas em Lajeado. A experiência de percorrer clubes de diferentes regiões do país mostra que o interior brasileiro possui estruturas capazes de receber eventos de relevância internacional.
“Este clube tem amplas condições de receber torneios ainda maiores. Tem tudo para crescer e, no futuro, inclusive aumentar o tamanho desse torneio”, avaliou.
Interior como celeiro de talentos
Para Farias, a realização de torneios internacionais no interior do Estado tem importância que vai além da competição. O calendário gaúcho reúne eventos de diferentes níveis, criando oportunidades para atletas que buscam pontos e experiência para avançar na carreira profissional.
Entre os exemplos citados pelo dirigente estão o W75 de Vacaria, o M25 de Santa Cruz do Sul, o M25 de Lajeado e a Brasil Juniors Cup, em Porto Alegre. Na avaliação dele, essa estrutura ajuda a formar uma cadeia de desenvolvimento que começa nas categorias de base e pode chegar ao circuito profissional.
“Todo esse interior do Estado do Rio Grande do Sul é rico. O Estado já teve muitos expoentes, tenistas em nível nacional e mundial, grandes técnicos e profissionais que hoje também representam a Federação Brasileira de Tênis”, destacou.
Farias também citou o projeto Lapidando Cidadãos, desenvolvido em Vacaria, como exemplo de iniciativa que combina competição e formação. Um dos atletas beneficiados pelo projeto, Victor, representou o Brasil no Mundial Sub-14 e terminou como vice-campeão.
A estratégia, segundo o dirigente, passa por ampliar o número de torneios e fortalecer também o tênis infantojuvenil e as categorias kids. “A tendência é aumentar o volume desses torneios, incentivando ainda mais o tênis, não só o profissional, mas também o infantojuvenil e o tênis kids.”
Lajeado Open como porta de entrada
Diretor do Lajeado Open, Nei Arruda Filho considera a presença do presidente da CBT um reconhecimento ao trabalho realizado pela organização. O torneio é chancelado pela Federação Internacional de Tênis (ITF) e integra o circuito profissional.
A competição oferece uma oportunidade importante para atletas que ainda não possuem ranking suficiente para disputar diretamente os principais torneios internacionais. Os pontos conquistados em eventos como o Lajeado Open podem ajudar na progressão dos jogadores dentro do circuito.
“São torneios profissionais que dão oportunidade para jovens tenistas e para aqueles não tão bem ranqueados, que não conseguem entrar nos torneios ATP, fazerem seus pontos e poderem jogar os torneios qualificatórios”, explicou.
O dirigente também destacou que o Lajeado Open recebeu reconhecimento como um dos torneios de excelência de sua categoria. Para ele, a visita da principal autoridade do tênis brasileiro reforça a importância de manter a competição no calendário.
Tênis além dos muros do clube
A organização do Lajeado Open também pretende ampliar o acesso ao esporte na cidade. Arruda afirma que há conversas com o município para criar um projeto de iniciação e massificação do tênis em escolas públicas e parques.
A proposta é utilizar quadras poliesportivas já existentes para introduzir a modalidade a crianças e adolescentes, levando a prática para além do CTC e de condomínios particulares.
A iniciativa busca transformar o tênis em uma ferramenta de formação. “O tênis é um esporte formativo, é um esporte que lapida cidadãos, que forma caráter. Nós vemos no tênis uma forma de educação paralela à educação tradicional, através do esporte.”
Arruda também defende que uma das características da modalidade contribui diretamente para esse processo: a necessidade de o próprio jogador respeitar as regras e reconhecer os pontos durante partidas de iniciação.
“Se a bola pegar 1 milímetro na linha e o menino cantar fora, ele vai ser reconhecido pelo grupo como ladrãozinho e será excluído. Então o tênis tem essa diferença. Por isso eu mencionei que o tênis lapida cidadãos, que o tênis forma caráter.”
Brasil mira novos resultados
O presidente da CBT vê um cenário positivo para o tênis nacional nos próximos anos. Farias citou nomes que já se destacam no circuito profissional e nas categorias de base e ressaltou resultados recentes obtidos pelo Brasil em competições internacionais.
Entre eles estão o vice-campeonato mundial Sub-14, o título sul-americano masculino Sub-16 e o vice-campeonato sul-americano feminino da mesma categoria.
Para o dirigente, os resultados refletem o trabalho conjunto entre atletas, técnicos, preparadores físicos, federações estaduais, clubes e a própria CBT.
“Todo o ecossistema do tênis está remando para o mesmo lado. Isso é importante. Se todos remarmos para o mesmo lado, temos certeza de que teremos um futuro muito promissor no tênis brasileiro”, afirmou.
A expectativa de Farias é que uma nova geração de atletas ganhe ainda mais espaço no circuito profissional a partir de 2027, impulsionada por uma estrutura que combina grandes torneios, formação de base e maior presença da modalidade fora dos grandes centros.
