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Tanzfest celebra tradição das danças alemãs em Poço das Antas

Ao todo, 14 grupos de danças típicas estiveram representados no evento, dos quais 12 realizaram apresentações / Crédito: Thiago Maurique

A 17ª Ein Deutsches Tanzfest reuniu grupos de danças folclóricas, famílias e comunidade em uma noite marcada pela cultura. Realizado na noite de sábado (8/8), o evento contou com apresentações de 12 grupos e culminou com uma apresentação que misturou o teatro, as danças e a celebração das tradições trazidas pelos imigrantes.

Promovido pelo Grupo de Danças Folclóricas Alemãs Musikfreunde, o evento ocorre a cada dois anos como uma das principais programações de valorização da cultura germânica na região. Mais do que um espetáculo de dança, o encontro funciona como espaço de convivência e troca entre comunidades que preservam costumes semelhantes.

Para o prefeito de Poço das Antas, Glicério Ivo Junges, a realização do evento representa a manutenção de uma parte importante da identidade do município. Segundo ele, a presença da cultura alemã permanece forte na comunidade e encontra na dança uma das principais formas de transmissão entre gerações. “Ver esse monte de jovens dançando também traz esperança de que essa cultura vai continuar preservada”, afirma.

A relação entre os grupos é justamente uma das características do Tanzfest. Os participantes mantêm uma agenda de encontros ao longo do ano, visitando eventos promovidos por outras comunidades. A presença em Poço das Antas também representa uma retribuição às visitas realizadas pelo Musikfreunde em outros municípios.

A organização do evento fica a cargo do próprio grupo anfitrião. Coordenadora do Musikfreunde, Glaci Kunzler Dickel destaca que a preparação envolve um grande número de pessoas e começa muito antes da noite da festa. Os próprios integrantes do grupo participam do preparo dos alimentos e da estrutura da noite. “Estamos desde de manhã picando cebola e tomate. Os atores principais de hoje à noite estão na churrasqueira. A gente faz essa janta com muito carinho”, afirma.

A cada edição, o grupo procura apresentar algo diferente, utilizando dança, teatro e elementos da história local. A intenção é fazer com que a apresentação não seja apenas uma sequência de coreografias. “Buscamos construir uma narrativa que envolva os participantes e permita apresentar aspectos da cultura e da realidade da comunidade”, destaca Glaci.


Anfitrião do evento, grupo Musikfreunde apresentou espetáculo que misturou dança, teatro e a história dos imigrantes / Crédito: Thiago Maurique

Dança como terapia

Entre os participantes da programação estava Amanda Felisberto, segunda princesa da Expovale e integrante do Grupo Sonnenlicht, de Imigrante. Aos 22 anos, ela já acumula uma década de envolvimento com a dança folclórica alemã. “É a nossa terapia. A gente arruma tempo para dançar, porque dançar é o que faz a gente ficar bem da cabeça e do coração”, afirma.

Para Amanda, preservar a cultura significa também reconhecer a trajetória de quem veio antes. “A partir do momento em que carregamos uma cultura que é tão forte na nossa região, levamos conosco todos os nossos antepassados, que nos fizeram estar aqui hoje”, destaca.

Da Alemanha para Poço das Antas

Entre os visitantes da 17ª Tanzfest estavam os moradores da Alemanha, Denis Simões, Elisângela Nietzke e Stephanie Schubert. Eles aproveitaram a passagem pelo Brasil para conhecer de perto a forma como a cultura germânica é preservada no Vale do Taquari.


Moradores da Alemanha, casal de brasileiros Denis Simões e Elisângela Nietzke / Crédito: Thiago Maurique

A história de Denis Simões com a Alemanha começou em 2015, durante uma viagem de turismo. Natural de Porto Alegre, ele enfrentou um problema com as malas e acabou conhecendo Elisângela, por intermédio de uma amiga. O que começou como um encontro casual acabou se transformando em uma relação.

Depois da viagem, Denis e Elisângela mantiveram contato. Ele retornou à Alemanha para revê-la e, com o tempo, os dois construíram uma vida juntos. Hoje, Denis vive há 7 anos no país europeu e o casal tem dois filhos.

A relação com o Vale do Taquari, entretanto, permaneceu. Denis conta que teve a oportunidade de conviver com amigos da região e também deu aulas no curso de Comunicação da Univates, em Lajeado. Entre essas amizades está Glaci Kunzler Dickel, coordenadora do Musikfreunde, que fez o convite para que ele participasse do Tanzfest.

A viagem ao Brasil desta vez teve ainda a companhia de Stephanie, uma amiga alemã do casal. Como ela não tinha muito contato com a história dos grupos de dança e das manifestações folclóricas na Alemanha, Denis aproveitou a oportunidade para apresentar a tradição germânica preservada pelos descendentes de imigrantes no Sul do Brasil.

Ao chegar a Poço das Antas, Stephanie se mostrou surpresa com a recepção e com o ambiente da festa. “Eu me sinto muito amada por todos”, enalteceu. Ela também chamou atenção para as músicas, o teatro e os diferentes elementos da cultura alemã encontrados durante o evento.

Stephanie também destacou as diferenças entre as tradições alemãs apresentadas no Brasil e a cultura difundida no país europeu. “É como se nós tivéssemos ressignificado isso de uma maneira diferente de como os alemães interpretariam aquela mesma história, aquela mesma música”, traduz Simões.

Segundo ele, a amiga viu como a cultura alemã foi abrasileirada, algo normal nesses 200 anos de migração. “Mesmo que a gente diga que é a bandinha alemã e gastronomia alemã, tem um toque de Brasil, com novas originalidades”, aponta.

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