Vice-governador e candidato ao governo do Estado, Gabriel Souza (MDB) cumpriu agenda em Teutônia nesta sexta-feira (14/8). Ele foi o terceiro postulante ao Piratini a participar de Almoço Empresarial promovido pela Câmara de Indústria e Comércio (CIC-Teutônia). Antes, concedeu entrevista exclusiva para a Rádio Popular, reuniu-se com prefeitos da Amsol e atendeu a imprensa regional.
Souza iniciou a apresentação detalhando sua trajetória política e defendendo o legado administrativo dos últimos três governos gaúchos. Segundo ele, as reformas estruturais promovidas primeiramente pelo governo Sartori, também do MDB, e ampliadas a partir do governo de Eduardo Leite foram fundamentais para a recuperação das contas do Estado.
As diretrizes da proposta de governo para o Palácio Piratini se fundamentam a partir dessa base de estabilidade. Sob o conceito central de “evolução”, o candidato defende a continuidade, a consolidação e o aprimoramento das políticas em andamento, combinados com novas prioridades estratégicas.
Entre as diretrizes estão a formação profissional intensiva, a aceleração das concessões rodoviárias e o fortalecimento descentralizado da saúde pública. Entre as propostas está a de formalizar a adesão do RS ao Propag, mecanismo federal voltado à revisão dos encargos e à redução dos juros incidentes sobre a dívida do Estado. “A economia anual com essa repactuação, projetada em cerca de R$ 600 milhões por ano”, afirma.
A meta estabelecida pelo candidato é dobrar, no prazo de 4 anos, o número de alunos matriculados em escolas estaduais no formato de tempo integral com dupla formação. Para isso, propõem a compra direta de vagas junto ao Sistema S, além de parcerias estratégicas com universidades comunitárias regionais, como a Univates, e escolas técnicas, como o Colégio Teutônia.
“A nossa juventude precisa ter a oportunidade real de concluir o ensino médio já portando um diploma profissional na mão, pronta para ingressar no mercado formal de trabalho”, destacou Souza. Segundo ele, os cursos serão alinhados às aptidões econômicas regionais, como agronegócio, logística e tecnologia.
Modelo de concessões
Na área de transportes e logística, o candidato defendeu uma mudança profunda e definitiva no modelo de gestão das rodovias estaduais. Souza criticou a atuação da Empresa Gaúcha de Rodovias (EGR) e defendeu a ampliação das concessões à iniciativa privada como o único caminho viável acelerar as obras necessárias para a melhoria da infraestrutura.
“O gargalo logístico é incomparavelmente mais caro para a sociedade e para as empresas do que o pagamento de uma tarifa de pedágio justa que viabilize obras de duplicação e segurança”, defendeu. Segundo ele, o planejamento logístico para o Vale do Taquari passa pela concessão do Bloco 2 de rodovias, que prevê mais de R$ 6 bilhões em investimentos privados, especialmente nos primeiros 10 anos de contrato.
Conforme Souza, a ampliação das concessões privadas, como na ERS-128 (Via Láctea) e na ERS-129, liberta o orçamento público para aplicar recursos estatais nas rodovias não concedidas.”Isso diminui o custo da logística e melhora a competitividade numa região tão produtora como o Vale do Taquari”, pontuou.
O plano de infraestrutura contempla a adequação das pontes e estradas aos severos eventos climáticos enfrentados pelo Estado. Souza citou como exemplo a ponte da ERS-130, entre Arroio do Meio e Lajeado, a nova Ponte dos Vales, que será construída entre Estrela e Cruzeiro do Sul. “A primeira foi concluída em 9 meses e projetada 5 metros acima da anterior, com estrutura reforçada. A segunda é a maior ponte rodoviária da história do Estado, com investimento superior a R$ 300 milhões”, destaca.
UTI do Hospital Ouro Branco
Outro ponto central do programa de governo de Gabriel Souza está na saúde pública. Uma das ações propostas é um robusto aporte financeiro do Tesouro Estadual, com R$ 6 bilhões adicionais até o ano de 2030, viabilizados por meio do fortalecimento do programa SUS Gaúcho. O aporte tem como meta compensar a histórica defasagem do financiamento federal e aumentar o custeio estadual da rede hospitalar do interior.
O candidato ainda assumiu publicamente o compromisso com o Hospital Ouro Branco (HOB), destacando como prioridade de governo a implantação e viabilização financeira de uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) na instituição. “Essa UTI é peça estratégica para regionalizar os serviços de alta complexidade e criar uma rede sólida de retaguarda hospitalar no Vale do Taquari”, afirma.
Segundo ele, a descentralização visa aliviar a pressão sobre os grandes centros, de forma a evitar deslocamentos longos de pacientes em estado crítico. “O HOB é estratégico nesse sentido, pois está fora do alcance de enchentes, podendo servir de hospital de retaguarda para a região, já que hospitais como os de Roca Sales e Estrela foram muito afetados pelas enchentes de 2024”, reforça.
Frigorífico de Poço das Antas
Gabriel Souza ainda abordou a situação do frigorífico de Poço das Antas, inativo desde 2023. Segundo ele, o Estado bateu recorde na atração de investimento privado, que superou R$ 100 bilhões. “Com a abertura do mercado chinês e o reconhecimento do RS como zona livre de febre aftosa sem vacinação, potencializamos o mercado de proteínas”, afirma.
Segundo ele, o plano de desenvolvimento econômico tem na Invest RS papel fundamental, justamente na atração de investidores privados ao Estado. “É assim que vamos viabilizar que plantas industriais como a de Poço das Antas recebam investimentos privados para voltar a gerar emprego e renda”, concluiu.
