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Feira do Livro de Lajeado deixa legado de cultura e consciência de vida

Mais de 24 mil pessoas visitaram a Feira do Livro, em frente a Casa de Cultura, comercializando 9,6 mil livros / Crédito: Anderson Lopes

A 20ª edição da Feira do Livro de Lajeado comercializou 9,6 mil livros atraindo mais de 24 mil pessoas de quarta-feira (12/8) a domingo (16/8). A programação reuniu lançamentos, sessões de autógrafos, contações de histórias e apresentações teatrais.

O evento promovido pela Prefeitura em parceria com o Sesc Lajeado teve como um dos destaques o lançamento do livro ‘A origem da Patrulha Maria da Penha’, da escritora Raquel Arruda Gomes. A obra recupera a criação de um programa voltado ao enfrentamento da violência contra a mulher e ganha significado especial em um ano que marca duas décadas da Lei Maria da Penha.

Um dos destaques foi o lançamento do livro A origem da Patrulha Maria da Penha, da escritora Raquel Arruda Gomes / Crédito: Anderson Lopes

Durante a sessão de autógrafos, Raquel destacou que o cenário da violência contra a mulher torna ainda mais necessário discutir políticas públicas e iniciativas capazes de produzir resultados concretos.

Os indicadores de violência, como mortes violentas e latrocínios, apresentam redução no país, mas os índices relacionados à violência contra a mulher seguem em trajetória preocupante. “É realmente chocante a realidade que nós estamos vivendo. Os índices de violência contra a mulher aumentam diariamente. É de uma forma assustadora e sempre de uma perversidade brutal”, afirmou.

O livro foi escrito no ano em que a Lei Maria da Penha completa 20 anos. A legislação, conforme Raquel, representou um marco na criminalização da violência contra a mulher, mas a experiência relatada na obra demonstra que a existência da lei, por si só, não era suficiente para garantir a proteção das vítimas.

O trabalho retratado no livro foi desenvolvido entre 2011 e 2014, na Secretaria de Segurança Pública, a partir da análise dos dados de violência contra a mulher. A iniciativa contribuiu para uma redução de quase 30% nos índices de violência, especialmente nos casos de feminicídio.

Até 2011, os registros de homicídios não faziam a separação necessária para compreender a dimensão específica da violência contra as mulheres. A partir daquele período, a equipe passou a analisar os crimes com recorte relacionado à Lei Maria da Penha e a estudar individualmente os casos para identificar falhas no sistema de proteção. “Apesar de existir a lei, não tinha efetividade. Mesmo a mulher procurando o Poder Judiciário, procurando uma delegacia especializada, uma medida protetiva, ela morria da mesma forma”, pondera.

A partir dessa constatação nasceu a proposta da Patrulha Maria da Penha, destinada à Polícia Militar, para acompanhar mulheres consideradas em situação de maior risco e fiscalizar o cumprimento das medidas protetivas determinadas pela Justiça.

De acordo com Raquel, durante os 3 anos em que o projeto foi administrado pela equipe responsável, nenhuma mulher com medida protetiva acompanhada pela Patrulha Maria da Penha foi vítima de morte.

Quando a feira também provoca reflexão

A diversidade dos temas apresentados durante a 20ª edição reforça uma característica que vai além da comercialização de livros, pois transforma a literatura em ponto de partida para debates futuros.

Essa característica também esteve presente no encerramento da programação, com a performance “Casa do Rio”, que marcou a 10ª edição do projeto Planeta Ecos.

Coordenado pelo Teatro Social Tio Tony, em parceria com a Associação Grito dos Excluídos Continental, o projeto utiliza teatro, cultura e atividades educativas para estimular a sensibilização ambiental.

Ao longo de 2026, a iniciativa passou por escolas, praças e espaços comunitários de Lajeado. Foram realizadas 20 apresentações do espetáculo “O Serelepe e o Tião Lenhador” em escolas e dez oficinas “Teatro e Sustentabilidade nas Praças”, em diferentes bairros e espaços públicos.

Na Feira do Livro, a Casa do Rio levou essa proposta para dentro de um espaço de circulação de milhares de pessoas. A dinâmica da performance buscou surpreender o público e fazê-lo participar da intervenção, transformando espectadores em protagonistas.


Convite à reflexão: 10ª Oficina Casa do Rio interagiu com público na Feira do Livro e encerrou Projeto Planeta Ecos / Crédito: Anderson Lopes

O diretor do espetáculo, Antônio Lopes avaliou que o resultado foi justamente essa aproximação direta com a população. “De uma forma muito rápida e objetiva, conseguimos fazer parte de todo o trabalho. Eles interagiram, fizeram a própria performance, viraram protagonistas e saíram daqui sensíveis de que o rio nunca fez mal a ninguém. É a ação humana descoordenada que faz mal ao rio”, afirmou.

A mensagem dialoga diretamente com a proposta do Planeta Ecos, lançado em 5 de junho, Dia Mundial do Meio Ambiente, na Casa de Cultura de Lajeado. Mais do que transmitir informações sobre sustentabilidade, o projeto procura estimular uma relação de pertencimento com o território e mostrar que o cuidado ambiental está relacionado às escolhas cotidianas e à responsabilidade coletiva.

Legado

Com o fim da programação, a 20ª Feira do Livro deixa os números de público e vendas como indicadores de alcance, mas também experiências que não terminam com a desmontagem das estruturas na Praça da Matriz.

A próxima edição já tem data definida. A 21ª Feira do Livro de Lajeado será realizada de 17 a 22 de agosto de 2027, novamente na Praça da Matriz. Já o Planeta Ecos terá seu encerramento oficial em 3 de setembro, às 19h, no IFSul – Câmpus Lajeado, com a apresentação do espetáculo “Planeta Ecos” e uma mesa de encerramento sobre os desafios ambientais do Vale do Taquari.

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