Teutônia viveu um fim de semana marcado por turismo, confraternização e solidariedade com a realização do Encontro de Motorhomes do grupo Unidos pelo Campismo.
Ao todo, 168 veículos foram registrados entre a sexta, sábado e domingo (14, 15 e 16/8), no Centro Administrativo Municipal.
O encontro colocou a cidade na rota de quem percorre o país em busca de novos destinos. A avaliação dos organizadores foi positiva, tanto pela participação quanto pela receptividade. O resultado rendeu uma nova data: a próxima edição ocorrerá de 12 a 15 de agosto de 2027.
Um dos organizadores, Renato Quadros, afirma que o movimento surpreendeu positivamente. “Foi além das expectativas. Tivemos um grande público, bastante gente de Santa Catarina e de todas as regiões do Rio Grande do Sul. Para nós, foi sensacional”, avalia.
Além da quantidade de participantes, Renato destaca o envolvimento do município na realização. Para ele, a estrutura e o apoio da Prefeitura foram fundamentais para receber os visitantes.
“Agradecemos à administração, que sempre nos auxilia e dá apoio. Fazemos o evento, mas usamos a área da prefeitura, então esse auxílio é muito importante”, reforça.
A resposta dos visitantes também deixou os organizadores otimistas para a próxima edição. Conforme Renato, a passagem por Teutônia teve aprovação dos motorhomeiros, que elogiaram a cidade e a estrutura.
Solidariedade e movimento
A programação também teve lado social. Ao longo do encontro, foram arrecadados 174 quilos de alimentos, entregues à Prefeitura de Teutônia para distribuição a pessoas em situação de vulnerabilidade.
Maico Rodrigo Eltz, integrante da organização, reforça que a iniciativa faz parte da proposta do grupo. “Não é um lugar apenas para aproveitarmos o momento com amigos, mas para pensar no próximo”, engrandece.
De acordo com Maico, o resultado geral também colocou a passagem por Teutônia entre as grandes experiências do grupo. “Fomos muito bem acolhidos. Com certeza, um dos melhores de nossa trajetória”, diz.
A presença dos motorhomes também é uma oportunidade para os municípios que integram o roteiro dos viajantes. Ele explica que o crescimento desse estilo de vida aumentou o interesse por viagens e pela descoberta de novos destinos.
“O motorhomeiro cresceu muito, ainda mais depois da pandemia. As pessoas querem passear, conhecer cidades e culturas novas. Esse é o propósito do evento: proporcionar experiências e girar a economia por onde passamos”, explica.
Uma vida na estrada
O casal Fred e Zeli, de Lauro Müller (Santa Catarina), esteve entre os visitantes. Eles percorrem o Brasil e aproveitaram a passagem pelo Rio Grande do Sul para conhecer Teutônia.
“Fomos bem recebidos aqui. É um povo querido, que nos acolheu de braços abertos e deixaram a vontade de ficar um pouco mais”, relata Fred.
Os dois estão há cerca de 5 anos nesse estilo de vida. Zeli conta que, depois da aposentadoria, o casal passou a dedicar boa parte do tempo às viagens.
“Ficamos na estrada por um tempo, cerca de 4 ou 5 meses. Depois voltamos para ver a família e saímos de novo. É uma vida que gostamos”, relata.
Fred destaca que, ao longo dos anos, o principal patrimônio construído na estrada não está dentro do veículo. “O mais gostoso é o legado de amizade. Por onde passamos, deixamos aquele rastro de amizade e isso não tem preço”, avalia o viajante.
A experiência também permite conhecer diferentes realidades e modos de vida. “Fazemos muitas descobertas. Levamos, deixamos saudade e conhecemos os ritmos de vida nos lugares, nas outras cidades e estados. É muito bom, pois aprendemos muito”, analisa Fred.
Da barraca para a Kombi
Com 4 anos de estrada, o casal Armindo e Lúcia passou a viajar depois de uma experiência de acampamento que despertou o interesse por uma estrutura mais confortável.
Durante uma viagem, eles observaram pessoas com acampamentos em Kombis adaptadas e decidiram construir a própria. “Por que vamos de barraca? Podemos ter uma Kombi e garantir nossa privacidade”, lembram.
A compra veio pouco depois, e o casal levou 7 meses para transformar o veículo em uma de casa sobre rodas. “Nós mesmos montamos, artesanalmente, do nosso jeito e não paramos mais”, aponta Lúcia.
Hoje, a Kombi tem cozinha, geladeira, pia, sistema de água, cama e outros equipamentos necessários para a rotina na estrada. Quando retornam para casa, o casal faz a manutenção e prepara o veículo para as próximas viagens.
Para ela, o crescimento do segmento também está ligado a uma nova fase da vida de muitos viajantes. “Já trabalhamos, criamos os filhos e os netos estão grandes. Então, é a nossa vez de aproveitar e viver o momento”, brincam.
Crédito: Rafaela Zappaz
Viagens e trabalho
Natural de Boa Vista do Buricá, Isoldi Drechsler veio de Gaspar (Santa Catarina) e está na rotina de estrada há 2 anos e meio, ao lado do esposo. “Viajamos muito, passamos por Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul e participamos dos encontros”, conta.
Para Isoldi, a vida sobre rodas também abriu espaço para o trabalho. Durante os eventos, ela apresenta produtos e mantém o artesanato como uma das atividades realizadas durante as viagens.
Ela destaca o contato com pessoas como uma das principais razões para continuar na estrada. “Construímos amizades durante os encontros. Conhecemos pessoas e podemos crescer internamente. Sempre pensamos em levar o bem sem saber a quem”, reitera.
Isoldi e o esposo viajam em sua Kombi
Crédito: Rafaela Zappaz
2027
A edição deste ano em Teutônia terminou com saldo positivo e uma nova data já definida. O grupo Unidos pelo Campismo retorna ao município de 12 a 15 de agosto de 2027.
Antes disso, os organizadores planejam uma ação beneficente em setembro, em apoio a um motorhomeiro que perdeu o veículo em incêndio ocorrido em Novo Hamburgo. A cidade que receberá a iniciativa ainda será definida.
Em Teutônia, no entanto, o próximo encontro tem lugar garantido no calendário. Depois de um fim de semana que reuniu 168 motorhomes, arrecadou 174 quilos de alimentos e aproximou visitantes de diferentes regiões, a expectativa agora é ampliar ainda mais o evento no próximo ano.
Para quem vive na estrada, o retorno já está marcado e, para Teutônia, fica a oportunidade de transformar o encontro em mais uma atração capaz de unir turismo, convivência e movimentação econômica.
