Em um mundo acelerado e dominado por telas digitais, a fotografia ressurge como guardiã das memórias afetivas. Em entrevista ao Programa Empreendedoras em Ação na Rádio Popular, a publicitária, fotógrafa e fundadora do Estúdio Criativo Markitanda, Andrieli Magedanz, compartilhou um pouco da sua trajetória empreendedora e destacou o valor da fotografia enquanto arquivo da história e memória das famílias.
O despertar para a Comunicação
A trajetória de Andrieli não iniciou com um sonho de infância na fotografia. O ponto de partida foi sua forte veia comunicativa. Esse traço a guiou à graduação em Publicidade e Propaganda, campo onde a imagem tem impacto crucial. Seu vínculo com a comunicação cresceu nos 3 anos em que trabalhou no Grupo Popular, onde o contato diário com as câmeras lapidou seu olhar. Foi na faculdade que a fotografia sacramentou esse interesse, migrando de hobby para negócio e, mais adiante, para sua empresa de fato.
A paixão pela Fotografia: o valor do palpável
Sua filosofia na fotografia contrapõe-se ao imediatismo digital. Embora use a tecnologia e a inteligência artificial de forma saudável como referências, Andrieli valoriza o original. Para ela, arquivos em celulares ou nuvens são vulneráveis: “a imagem é uma garantia a mais que tu vai poder estar contando a tua história”, reflete. Trazendo o exemplo de uma perda de arquivos digitais, exemplifica: “ficaria uma lacuna na tua história”.
Essa busca pelo autêntico motivou a criação de seu estúdio de luz natural. O estúdio Markitanda assemelha-se a um lar acolhedor, com sofá, colchão, tapete, cortinas… Nele, a luz e a sombra da janela guiam as sessões, deixando famílias e crianças livres para vivenciar o momento com naturalidade. “A fotografia não pode ser aquela chapa, a emoção também está na sombra”, ressalta.
A decisão de empreender
Andrieli é a primeira pessoa de sua família a empreender. Seus pais trabalhavam em fábrica e ela cresceu sem referências de negócios em casa. Ainda na graduação, com muita coragem, convenceu seu pai a lhe ceder R$ 2 mil para comprar sua primeira câmera fotográfica. A veia empreendedora já estava presente. Confiando no próprio potencial, calculou: “Pai, se eu cobrar R$ 50,00 por ensaio, em 10 ensaios eu tenho R$ 500,00”.
A abertura do CNPJ trouxe responsabilidade e clareza, gerando empoderamento, e foi um passo importante no crescimento da sua empresa. O nome da marca, Markitanda, surgiu de uma sugestão do marido, unindo o início de seu sobrenome (Magedanz) à simplicidade acolhedora de uma “quitanda”. Essa determinação ilustra sua coragem: “Se precisasse fazer suco de laranja e sair vendendo na rua, eu ia fazer e ia dar conta”.
Maternidade: transformação e sensibilidade
A chegada de Elizabeth (hoje com 5 anos), fruto de seu relacionamento com o parceiro de vida Maiglon, ressignificou sua carreira. A gravidez ocorreu na pandemia, período em que o recuo nos eventos permitiu que Andrieli vivesse a gestação com mais calma.
A maternidade a conectou profundamente ao universo das famílias e outras mães, intensificando a sensibilidade de seu trabalho e estimulando sua especialização em bebês e famílias. “Faço questão de levar ela algumas vezes para sentir o amor que tenho pelo meu trabalho”, destaca.
Andrieli reflete muito sobre a importância dos registros físicos diante da fragilidade da vida. Ela se emociona ao lembrar que questionou o marido, que não gostava de aparecer em fotos, sobre como contaria à filha quem ele era caso ele viesse a faltar. Essa urgência ganhou força com a perda recente de uma cliente que planejava um ensaio para seus 40 anos, mas faleceu semanas antes. “Por isso não devemos esperar o momento certo, temos que viver o hoje”, afirma.
Cuidar de si para estar bem
Sustentar a rotina física da fotografia, de pé por horas segurando equipamentos pesados, exige cuidados inegociáveis. Suas manhãs iniciam cedo, às 5h30, quando sai para correr com um grupo de amigas que serve de rede de apoio. Ela também pratica spinning, musculação e prioriza sono e hidratação. Esse equilíbrio levou anos para se consolidar.
Por trabalhar aos sábados e domingos, seus “dias de ouro”, ela se culpava ao fazer atividades de lazer em horário comercial tradicional. “Demorei para aprender isso, mas hoje tenho total clareza. Se eu cuido de mim, eu consigo cuidar de todo o resto”, pontua.
O desafio da Gestão
Enquanto fotografar é natural, a gestão é o principal “dodói” de Andrieli. O maior desafio é o gerenciamento do tempo. O desejo de atender a todos e a conexão digital estendem sua rotina algumas vezes para 12 a 14 horas diárias. Além de planilhas e logística, ela enfrenta a dificuldade de delegar tarefas. Encontrar colaboradores que aceitem trabalhar em fins de semana (setor de eventos) é outro obstáculo. Para compartilhar experiências e evoluir na parte administrativa, ela atua junto à coordenação do grupo de mulheres empreendedoras da CIC de Teutônia.
Como inspirar a Criatividade
Em uma área que requer constante criatividade, Andrieli adota práticas manuais offline para inspirar sua mente e evitar os bloqueios do excesso de informações digitais. Inquieta, ela encontra estímulo cuidando de sua horta, fazendo cerâmica, pintando com a filha e organizando piqueniques.
Outro pilar de sua desaceleração é a leitura noturna de romances leves, substituindo o uso do celular antes de dormir, o que já rendeu mais de dez livros lidos em seu Kindle. Para ela, desacelerar é o combustível essencial para continuar criando.
