Feridas que permanecem abertas por meses ou até mesmo anos podem afetar a mobilidade, provocar dores, reduzir a autonomia e comprometer a qualidade de vida. Para pessoas com diabetes e outras condições que dificultam o processo de cicatrização, o acompanhamento especializado é fundamental. No Vale do Taquari, moradores que convivem com esse tipo de lesão podem contar com atendimento gratuito oferecido pelo Ambulatório de Assistência para Tratamento de Feridas da Universidade do Vale do Taquari (Univates).
O projeto de extensão iniciou as atividades em setembro de 2021 e, desde então, já acompanhou dezenas de pacientes da região. Atualmente, cerca de 12 pessoas realizam acompanhamento regular. Entre os municípios de origem estão Lajeado, Arroio do Meio, Marques de Souza e Estrela. Os pacientes chegam ao projeto por meio de encaminhamentos dos serviços de saúde da Univates, de estágios curriculares ou pela procura direta da comunidade.
Projeto nasceu de uma demanda regional
A criação do ambulatório ocorreu após a identificação de uma demanda crescente por atendimento a pessoas com úlceras, principalmente nos membros inferiores. Esses casos eram observados na Clínica-Escola de Fisioterapia e durante os estágios curriculares. A partir disso, foi criado um espaço permanente que une atendimento à comunidade e formação prática de estudantes dos cursos de Fisioterapia e Estética e Cosmética.
Os atendimentos são realizados no campus da Univates, em Lajeado, nos laboratórios do curso de Estética e Cosmética, localizados no prédio 18. O serviço funciona três vezes por semana, com a participação de estudantes voluntários e acompanhamento de acadêmicos do curso de Medicina da universidade. A iniciativa é coordenada pela professora Giovana Sinigaglia.
Grande parte dos pacientes apresenta feridas crônicas relacionadas a outras condições de saúde, como diabetes melito e hipertensão arterial. Por isso, cada caso exige uma avaliação individual, considerando as condições clínicas do paciente e a evolução da lesão.
Entre os recursos empregados no tratamento está a fototerapia. Também são realizados procedimentos e repassadas orientações para o cuidado com a pele e as feridas. A definição da conduta ocorre a partir da avaliação de cada paciente, que pode envolver anamnese, exame da pele, registros fotográficos da lesão, higienização, escolha dos curativos e orientações para os cuidados que devem ser realizados em casa.
Acompanhamento permite avaliar evolução
O acompanhamento contínuo possibilita observar a evolução dos pacientes ao longo do tratamento. Em 2023, professores e estudantes passaram a utilizar registros fotográficos das lesões como parte do acompanhamento clínico. A ferramenta permite comparar os resultados e ajustar as condutas de acordo com a resposta apresentada por cada paciente.
No mesmo período, o projeto também realizou oficinas voltadas à eletroterapia e ao manejo de feridas crônicas. Em 2024, foram mantidos os atendimentos com avaliação individualizada, controle por imagens, escolha dos curativos e orientações de prevenção.
A partir de 2025, os atendimentos passaram a ocorrer três vezes por semana. Entre os benefícios relatados pelos participantes estão uma cicatrização mais rápida, redução das queixas de dor, maior socialização, aumento da autoestima e mais autonomia para realizar atividades do dia a dia.
Os registros do projeto mostram a continuidade do trabalho ao longo dos anos. Em 2022, foram atendidas 10 pessoas, que somaram 340 participações. No ano seguinte, 14 pacientes participaram do projeto, com 236 participações. Em 2024, oito pessoas foram acompanhadas, totalizando 358 participações. Já em 2025, foram 11 pacientes e 167 participações.
Além de contribuir para a recuperação dos pacientes, o ambulatório também oferece aos estudantes uma oportunidade de vivenciar situações práticas da área da saúde. O contato com diferentes tipos de feridas permite aos acadêmicos desenvolver habilidades relacionadas à avaliação das lesões, acompanhamento dos resultados, definição de condutas e orientação aos pacientes.
Ao longo da trajetória do projeto, pelo menos cinco pacientes tiveram as feridas completamente cicatrizadas e receberam alta. O resultado demonstra que o trabalho vai além da realização de procedimentos, buscando auxiliar os pacientes durante o processo de recuperação e contribuir para o aumento da autonomia.
A iniciativa também fortalece a relação entre a universidade e as necessidades da população do Vale do Taquari. Por meio da extensão, os conhecimentos desenvolvidos no ambiente acadêmico são aplicados em situações reais, enquanto as demandas encontradas durante os atendimentos também contribuem para a formação dos estudantes.
Pessoas interessadas em buscar atendimento podem entrar em contato com o curso de Estética e Cosmética da Univates pelo e-mail estetica@univates.br.
