A trajetória empreendedora de Diogo Fontana, CEO da Vizet Cosmetics, começou longe dos grandes escritórios e das decisões estratégicas de uma indústria. Em 2014, decidiu, junto com a esposa, comprar a marca Vizet. A pequena equipe se transformou em uma indústria com planta de quase 2 mil metros quadrados e 45 profissionais.
Mas tudo começou aos 13 anos, quando iniciou a vida profissional como empacotador de supermercado, foi promovido a repositor. Chamou a atenção do proprietário de uma indústria de cosméticos do município, que o convidou para trabalhar na fábrica, aos 17 anos.
A experiência no chão de fábrica abriu uma nova perspectiva profissional. Aos 18 anos, após adquirir o primeiro carro, recebeu o convite do gerente comercial para experimentar a representação de vendas. Sem experiência na área, aceitou o desafio e acompanhou um representante durante uma semana.
Fontana permaneceu na área comercial por cerca de 14 anos. Foi nesse período que desenvolveu uma das competências que considera fundamentais para a construção de um negócio: saber vender, ouvir o cliente e lidar com as recusas.
A primeira venda, segundo ele, veio somente na quarta visita realizada naquele dia. O primeiro “sim”, depois de sucessivos “nãos”, tornou-se uma espécie de aprendizado para toda a trajetória.
“O ‘não’ a gente já tem”
Para Fontana, a experiência ensinou que vendas exigem persistência e maturidade. Mais do que conquistar novos clientes, porém, é necessário construir relações duradouras. Alguns dos clientes que atende hoje estão com ele há mais de 20 anos.
Em 2014, Fontana e a esposa, que mantinha uma loja de cosméticos em Encantado, identificaram uma oportunidade de negócio. A Vizet era uma das marcas comercializadas pela loja e o casal decidiu vender o estabelecimento para investir na aquisição da marca.
O início foi enxuto, com dois sócios e mais um funcionário. A experiência acumulada por Fontana como representante comercial ajudou a colocar os produtos no mercado e aproveitar uma carteira de clientes construída.
Dois anos depois, surgiu a oportunidade de adquirir uma indústria de cosméticos. A decisão marcou uma nova fase. Se vender era uma competência já dominada, administrar pessoas, produção, logística, finanças e todos os demais setores de uma fábrica representava um desafio diferente.
Validação antes da expansão
Um dos diferenciais da estratégia adotada pela empresa foi identificar que os produtos tinham dificuldades para ganhar espaço no canal em que eram comercializados. A empresa decidiu, então, reposicionar a Vizet no mercado profissional.
Entre 2014 e 2018, a marca concentrou esforços em cabeleireiros, salões de beleza e distribuidores especializados. O objetivo era fazer com que os profissionais utilizassem, testassem e validassem os produtos.
Eventos também fizeram parte da estratégia. A empresa chegou a reunir centenas de profissionais em encontros voltados à apresentação e ao desenvolvimento dos produtos, inclusive com participação de cabeleireiros internacionais.
Inovação como estratégia
A inovação tornou-se um dos pilares da empresa. Em um setor altamente competitivo, a Vizet busca desenvolver produtos com novas tecnologias, matérias-primas e fórmulas próprias, além de manter parcerias para acesso a conhecimento e desenvolvimento.
Entre 8 mil indústrias de cosméticos existentes no país, apenas 100 atua na fabricação de produtos como coloração e pó descolorante. O empresário destaca que o Brasil ocupa posição de destaque no mercado mundial de beleza e que produtos brasileiros para tratamento capilar também conquistam espaço no exterior. “Quando você chega dentro de um grande shopping, vê uma pessoa procurando a sua marca, isso é a sensação do gol na final de uma Copa do Mundo para o empresário, porque junto com aquele produto está todos os ‘nãos’ recebidos, todos os desafios superados.”
Pandemia acelerou a estratégia
O mercado profissional de beleza foi um dos setores mais afetados pela pandemia da Covid-19, devido às restrições aos salões, distribuidores e toda a cadeia de fornecimento. A empresa precisou rever a estratégia. Sem abandonar o público profissional, passou a ampliar a atuação no varejo e em grandes redes de supermercados. A mudança permitiu à marca alcançar novos consumidores e chegar a grandes grupos varejistas, entre eles Carrefour e Atacadão. A expansão também mostrou que a recompra é importante como indicador da empresa.
Marketing e relacionamento
A construção da marca também passou pelo investimento em marketing e comunicação. Para a empresa, a percepção do consumidor é formada por todos os pontos de contato como a qualidade do produto, a forma como ele é utilizado, o atendimento, o relacionamento com vendedores e a experiência proporcionada pela marca.
A estratégia do marketing ganhou ainda mais importância com a transformação dos hábitos de consumo e a aceleração digital provocada pela pandemia. Com mais de uma década à frente da Vizet, Fontana define a função do empresário como a busca constante pelo equilíbrio.
