O projeto Planeta Ecos – A Noite Mais Longa do Mundo encerra, nesta quinta-feira (3/9), em Lajeado, um ciclo de 13 anos de ações voltadas à conscientização ambiental. A última apresentação do espetáculo adulto ocorre às 19h, no Auditório do IFSul – Campus Lajeado, com entrada gratuita para a comunidade. A peça aborda o aquecimento global, os impactos das catástrofes ambientais e o desequilíbrio ecológico, relacionando a ficção às experiências vividas pela população do Vale do Taquari diante de eventos climáticos extremos.
Coordenado pelo Teatro Social Tio Tony, em parceria com a Associação Grito dos Excluídos Continental, o projeto utiliza o teatro e atividades educativas como ferramentas para aproximar temas ambientais do cotidiano da população. Em 2026, a iniciativa passou por escolas, praças, feiras e outros espaços comunitários de Lajeado, com foco na valorização do Rio Taquari, dos recursos hídricos e da biodiversidade local.
A apresentação desta quinta-feira ocorre na Rua João Goulart, 2150, no bairro Olarias. O espetáculo adulto é considerado o encerramento oficial de um ciclo iniciado há 13 anos.
Teatro para conscientizar
O projeto desenvolveu atividades voltadas principalmente ao público infantil. Foram realizadas 20 apresentações gratuitas da peça “O Serelepe e o Tião Lenhador” em escolas públicas, além de oficinas e ações educativas relacionadas à sustentabilidade e à preservação ambiental.
A proposta é utilizar a linguagem artística para facilitar a compreensão de assuntos como prevenção de desastres climáticos, descarte correto de resíduos, sustentabilidade, preservação dos recursos naturais e solidariedade coletiva.
As ações também ultrapassaram os muros das escolas. Oficinas e intervenções foram realizadas em praças e espaços públicos de Lajeado, aproximando as famílias e a comunidade das discussões trabalhadas com os estudantes.
“Casa do Rio”
Entre as ações realizadas em 2026 esteve a performance “Casa do Rio”, que chegou à sua 10ª edição durante a 20ª Feira do Livro de Lajeado, na Praça da Matriz. A intervenção buscou surpreender os visitantes e estimular a participação direta do público. Em vez de apenas assistir, as pessoas eram convidadas a integrar a performance e assumir o papel de protagonistas da atividade.
Para o diretor do espetáculo, Antônio Lopes, a interação demonstra a importância de aproximar a população das questões ambientais. “De uma forma muito rápida e objetiva, conseguimos fazer parte de todo o trabalho. Eles interagiram, fizeram a própria performance, viraram protagonistas e saíram daqui sensíveis de que o rio nunca fez mal a ninguém. É a ação humana descoordenada que faz mal ao rio”, avaliou.
História se conecta às enchentes
O espetáculo “Planeta Ecos – A Noite Mais Longa do Mundo” foi escrito originalmente em 2005 por Antônio Lopes. O drama psicológico aborda questões relacionadas ao aquecimento global, às catástrofes ambientais e ao desequilíbrio ecológico.
O título faz referência às experiências enfrentadas por pessoas durante eventos climáticos extremos, como situações de isolamento em telhados durante períodos de chuva, frio e enchentes. A narrativa ganhou uma dimensão ainda mais próxima da realidade após as históricas inundações registradas no Vale do Taquari.
Apesar de tratar de situações dramáticas, a proposta não é provocar medo no público. A intenção é estimular a reflexão e mostrar que a prevenção e a preservação ambiental dependem de ações coletivas.
Um ciclo de 13 anos
O Planeta Ecos foi lançado em 5 de junho, Dia Mundial do Meio Ambiente, na Casa de Cultura de Lajeado. Ao longo de sua trajetória, o projeto passou a utilizar diferentes linguagens artísticas e atividades educativas para discutir a relação entre sociedade e meio ambiente.
A programação de 2026 reforçou essa proposta ao levar as discussões para diferentes territórios da cidade. Além das apresentações teatrais nas escolas, as oficinas “Teatro e Sustentabilidade nas Praças” e a performance “Casa do Rio” ampliaram o alcance das atividades.
O encerramento com “A Noite Mais Longa do Mundo” retoma os principais temas trabalhados pelo projeto e busca deixar uma mensagem sobre responsabilidade coletiva. A iniciativa defende que a preservação do meio ambiente não está distante da rotina das pessoas, mas relacionada às escolhas feitas diariamente e à forma como a comunidade se relaciona com o território onde vive.
