O bolão faz parte da história esportiva do Vale do Taquari, mas ainda enfrenta dificuldades para conquistar o reconhecimento e o apoio necessários para crescer. Com atletas de diferentes gerações e municípios, a modalidade movimenta clubes, sociedades e comunidades e mantém uma tradição especialmente ligada à cultura germânica.
Para quem vive o esporte, a busca agora é por novos praticantes, mais visibilidade e parceiros dispostos a contribuir com sua manutenção. “O bolão é considerado o esporte da amizade”, resume Suélen Hammes Rodrigues, uma das integrantes da Associação de Bolão Imigrante (ABI).
A frase sintetiza uma característica que os praticantes apontam como uma das principais forças da modalidade. Além da competição, o esporte cria vínculos entre pessoas de diferentes idades e cidades.
A realidade regional ajuda a explicar a dimensão do bolão. Atletas de Teutônia, Estrela, Lajeado, Imigrante e outras cidades atuam em equipes que disputam campeonatos municipais, regionais e estaduais.
A falta de estruturas completas em alguns municípios também faz com que jogadores precisem representar clubes de cidades vizinhas para competir.
É o caso da equipe da ABI, que reúne atletas de diferentes pontos da região. Armin Tenn-pass, capitão e uma das referências do grupo, explica que jogadores de Teutônia passaram a atuar por Imigrante justamente pela ausência de uma estrutura adequada.
“Teríamos pessoas com qualidade para representar Teutônia. Porém, ainda é prematuro, por uma questão de falta de canchas adequadas”, explica.
Segundo ele, a estrutura necessária exige quatro pistas, o que representa um investimento significativo. A manutenção das canchas e dos equipamentos também exige recursos.
Custos pesam
Outro desafio está nos custos para participar das competições. Deslocamentos, hospedagem, alimentação, inscrições e demais despesas fazem parte da rotina de quem disputa torneios fora da região. Em muitos casos, os próprios atletas precisam financiar boa parte dessa estrutura.
David Sulzbach, um dos principais nomes do bolão nacional e destaque em competições de alto nível, ressalta que a modalidade exige comprometimento fora das pistas. “Há custos elevados em vários segmentos. Geralmente, precisamos tirar do nosso próprio bolso”, relata.
Por isso, eles destacam a importância de aproximar empresas, administrações públicas e demais instituições ao esporte. Para os praticantes, o apoio não é apenas uma contribuição para uma equipe, mas uma forma de preservar uma atividade que movimenta diferentes municípios.
A presença do bolão não fica só na parte esportiva. Competições de maior porte levam atletas, familiares e torcedores para as cidades-sede. Em determinadas ocasiões, a estrutura hoteleira de municípios próximos também é utilizada, o que amplia o impacto econômico dos eventos.
Para Armin, esse movimento ajuda a mostrar que o investimento no bolão pode gerar retorno social e comunitário. O esporte reúne diferentes gerações, estimula a convivência e mantém uma tradição que atravessa décadas.
Apoio para crescer
A modalidade apresenta sinais de crescimento em diferentes pontos do Rio Grande do Sul. Segundo Tenn-pass, novos investimentos em canchas foram realizados recentemente, inclusive com participação do poder público.
Para o Vale do Taquari, o desafio é fazer com que esse movimento também avance por aqui. “É importante que as prefeituras caminhem junto desses esportes que não são vistos pela sociedade, mas que agregam muito e podem crescer ainda mais”, defende David.
A busca por patrocinadores também está ligada à divulgação da modalidade. O grupo trabalha para ampliar a presença do bolão nas redes sociais e em transmissões pela internet, além de estimular novos atletas a conhecerem o esporte.
A intenção é criar uma rede de parceiros. Empresas podem contribuir com patrocínio, materiais ou outras formas de apoio. A comunidade também pode ajudar quando acompanham os eventos, divulgam as atividades e incentivam novos praticantes.
Portas abertas
O convite não se restringe a quem já conhece o bolão. Os representantes da modalidade reforçam que qualquer pessoa interessada pode procurar os clubes e conhecer o esporte.
Em Teutônia, há estruturas ligadas ao Grêmio Recreativo Canabarrense, à Associação dos Funcionários da Languiru e ao Clube Teutoniense. A proposta é aproveitar as estruturas existentes e aproximar novos atletas.
A própria diversidade de idades mostra a possibilidade de renovação. Segundo eles, jovens e mais experientes podem dividir a mesma pista, competir e aprender uns com os outros.
“Ninguém sabe jogar desde o início. Jogo há 30 anos e ainda não sei tudo”, completa Armin.
