A saúde mental de quem ocupa posições de liderança foi tema do almoço empresarial promovido pela CIC Teutônia na quinta-feira (24/9). Realizado em parceria com a Unimed Vales do Taquari e Rio Pardo (Unimed VTRP), o encontro teve como tema “Cuidar de quem lidera”, com palestra do psicólogo Ezequiel Calegari, especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental da cooperativa.
A discussão partiu de uma mudança na forma de olhar para a saúde mental dentro das organizações. Conforme Calegari, a atenção costuma estar mais concentrada nos colaboradores, nas equipes e na performance, enquanto os próprios gestores podem acabar ficando em segundo plano.
Para o psicólogo, o gestor exerce uma função de ligação entre os objetivos da empresa e as equipes, o que também o coloca diante de cobranças e responsabilidades. Por isso, a posição de liderança não afasta o risco de adoecimento mental. “A combinação entre pressão, responsabilidades e envolvimento excessivo com o trabalho pode contribuir para um processo de esgotamento”, afirma.
Entre os sinais de atenção, Calegari citou alterações no sono, aumento da irritabilidade, mudanças de comportamento e uma imersão cada vez maior nas atividades profissionais. Segundo ele, esses sinais podem surgir gradualmente e, quando não são percebidos, avançar para situações limítrofes. “Pode chegar a um quadro de esgotamento capaz de interferir inclusive na tomada de decisões”, alerta. .
“A partir da compreensão sobre a própria forma de funcionamento, o gestor pode identificar alterações que antes passavam despercebidas e buscar formas de interromper esse processo”, ressalta.
Equilíbrio na rotina
Conforme Calegari, a prevenção do adoecimento passa pela construção de uma rotina que não esteja concentrada exclusivamente nas demandas profissionais. Segundo ele o trabalho e a pressão fazem parte da atividade de quem lidera, mas é necessário criar espaços para reduzir a intensidade da rotina.
Sono adequado, alimentação, atividade física e momentos de lazer foram citados pelo psicólogo como práticas que contribuem para esse equilíbrio. A proposta não é eliminar o estresse da rotina, mas criar condições para que ele não se acumule de forma contínua. “Esses momentos de pausa ajudam a manter a capacidade de lidar com as demandas e tomar decisões ao longo do tempo”, reforça.
O palestrante ainda ressalta a necessidade de manutenção das relações sociais. Segundo ele, o contato com outras pessoas, a troca de ideias e a participação em atividades que vão além do ambiente de trabalho são fundamentais para a saúde mental. “O próprio processo de adoecimento, trazendo aqui como exemplo a depressão, faz justamente o contrário: tira essa pessoa desse convívio, isola e ela vai ficando cada vez mais reclusa”, afirmou.
