A experiência acumulada na odontologia e o desejo de construir um negócio próprio levaram Francisco de Freitas e Tainara Quadros a Teutônia. Os dois deixaram Lajeado para investir na implantação de uma unidade da Oral Unic no Bairro Languiru. A mudança representou também uma nova etapa profissional, marcada pela necessidade de conciliar a atividade clínica com decisões administrativas, financeiras e de gestão de equipe.
Há quase um ano à frente da operação, o casal destaca a adaptação à nova rotina e a receptividade encontrada na comunidade. Para Francisco, que atua na odontologia há quase duas décadas, o desafio passa por aplicar a experiência técnica na condução do negócio.
Grupo Popular – Qual é a origem de cada um e como chegaram até o empreendedorismo?
Francisco de Freitas – Sou dentista há quase 19 anos. Nasci no Paraná, mas sou filho e neto de gaúchos da região de Três Passos. Aos 18 anos fui para a faculdade e, depois de formado, morei no Mato Grosso, Santa Catarina e Paraná. Há quase cinco anos vim para Lajeado. Na clínica onde trabalhava, acabei entrando na sociedade e passei a cuidar da gestão da equipe clínica, dos dentistas e dos protéticos. Foi onde conheci a Tainara. Começamos a namorar, casamos, tivemos uma filha e, com o tempo, surgiu a vontade de construir algo nosso.
Tainara Quadros – Sou natural de Coronel Bicaco e morei em Lajeado por mais de 20 anos. Minha família foi para lá em busca de estudo e oportunidades. Antes da odontologia, trabalhei em concessionária e também tive um e-commerce de moda feminina. Depois fui trabalhar na clínica onde conheci o Francisco. Começamos a relação pela admiração que eu tinha pelo profissionalismo dele, e ele me ensinou muito sobre o setor. Quando surgiu a oportunidade de Teutônia, por meio de um sócio, decidimos vir.
GP – O que mudou na operação?
Francisco – Em Lajeado nosso foco estava muito mais na produção e no atendimento. Aqui assumimos também a gestão administrativa e financeira. Isso muda bastante a rotina, porque precisamos olhar para o negócio como um todo. Temos o apoio do nosso sócio Antônio Brum, que vem mensalmente e contribui com uma visão empresarial, e também da administradora Jodonto, que atua como matriz do nosso grupo regional. Escolhemos Teutônia porque é uma cidade acolhedora, de interior, perto de tudo e com um forte senso de comunidade.
GP – Como funciona o modelo da Oral Unic?
Francisco – A Oral Unic tem mais de 300 clínicas no Brasil, e o grupo Jodonto administra mais de 50 unidades. O grande diferencial é que o sócio-operador precisa obrigatoriamente ser dentista. Em alguns modelos de franquia, o proprietário não é da área da saúde e o foco pode ficar muito concentrado na parte comercial. Na Oral Unic existe um controle bastante rígido sobre a qualidade do produto final. Eu também já tinha experiência em cirurgia, implantes, prótese e na parte técnica de laboratório, então o modelo fazia sentido para o nosso perfil.
GP – Como foi a recepção em Teutônia?
Tainara – Fomos muito bem recebidos. Inclusive, mudamos para a cidade antes da abertura para acompanhar de perto toda a obra e a implantação da clínica.
Francisco – Hoje recebemos pacientes de Teutônia e também de Lajeado, Taquari, Westfália, Imigrante, Poço das Antas, Roca Sales, Paverama, Bom Retiro do Sul e Cruzeiro do Sul. Temos até paciente que mora na Europa e já deixou tratamento agendado para novembro. As indicações entre os próprios pacientes são muito fortes aqui.
GP – O quanto a odontologia pode transformar a vida de uma pessoa?
Francisco – A odontologia vai muito além do dente. Lembro de uma paciente idosa que era muito depressiva e tinha vergonha porque não possuía dentes. Ela dizia que não sabia sorrir. Depois que instalamos uma prótese fixa sobre implantes, ela voltou 15 dias depois com o cabelo cortado, pintado e extremamente falante. Outra paciente tinha um sonho muito simples, de voltar a comer pipoca, algo que a dentadura removível não permitia. Devolver o prazer de comer e de conviver em sociedade é uma das nossas maiores satisfações.
GP – Nos quase 20 anos de profissão, o que mais mudou em tecnologia?
Francisco – As tecnologias ficaram muito mais acessíveis no Brasil. Hoje temos na clínica raio-X panorâmico e tomógrafo 3D próprios. A tomografia permite enxergar o volume ósseo em três dimensões e planejar o implante já durante a avaliação. O paciente não precisa esperar semanas por um exame externo. Também utilizamos scanner intraoral 3D, que substitui aquela moldagem tradicional com massa por uma câmera digital. Conseguimos fazer a cirurgia guiada virtualmente antes do procedimento. Isso reduz bastante o tempo cirúrgico e melhora o pós-operatório.
GP – Quais as dicas para quem busca empreender na área da saúde?
Tainara – É fundamental separar totalmente CPF e CNPJ. E também entender que faturamento não é lucro. O faturamento enche os olhos, mas o que mantém uma empresa saudável é o fluxo de caixa, o equilíbrio das despesas e um pró-labore definido. É preciso saber exatamente quanto entra, quanto sai e o que realmente fica. A inadimplência sai diretamente do lucro. Por isso, precisamos trabalhar com planejamento e também ter reservas financeiras para imprevistos. Não dá para olhar apenas para o movimento do mês.
