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Armindo mantém viva a vontade de fazer música

Com a gaita nas mãos, Armindo mantém viva uma história que começou na infância / Crédito: Rafaela Zappaz

A música chegou cedo à vida de Armindo Kluge. Aos 9 anos, quando ainda era menino, ele teve o primeiro contato com uma cordiona Hohner trazida da Alemanha pelo tio de seu pai. Foi a partir daquele instrumento que começou a aprender a tocar e, sem imaginar, deu início a uma relação com a música que atravessaria toda a sua vida.

Aos 84 anos, o senhor guarda na memória histórias de bailes, viagens, bandas e encontros que marcaram sua trajetória. Natural de Três Passos e morador de Teutônia há cerca de 20 anos, ele aprendeu a tocar diferentes instrumentos e também se dedicou ao canto. “O tio do meu pai veio da Alemanha e trouxe uma Hohner. Foi assim que comecei a aprender música”, lembra.

O gosto pela música evoluiu e, mais tarde, Armindo passou a integrar a Banda México Show, formada por nove integrantes. O grupo tocava principalmente músicas germânicas e xotes e levava o repertório para diferentes lugares. Naquela época, a estrutura era simples. Os músicos nem sempre tinham os equipamentos necessários e, no início, chegaram a viajar quilômetros para tocar sem caixas de som. Isso, porém, nunca foi motivo para deixar de tocar. Com o tempo, conseguiram adquirir os equipamentos e melhorar a estrutura das apresentações.

As viagens também fazem parte das lembranças. O baterista Kuhn, de Montenegro, tinha um caminhão que ajudava a transportar os músicos e os instrumentos. “A gente colocava os instrumentos e até mesmo itens de cozinha e seguíamos viagem”, conta Armindo.

Pausa necessária

Depois da Banda México Show, veio a Banda México Brás. A música continuava presente, mas a vida acabou levando Armindo para outros caminhos. Durante um período, precisou se afastar das apresentações para cuidar da família. O sogro, o pai e a avó, que enfrentava um câncer, precisaram de atenção, e as responsabilidades familiares passaram a ocupar boa parte do seu tempo.

Foi também nesse período que a relação com o canto mudou. Depois de uma cirurgia nas cordas vocais, Armindo precisou parar de cantar. Antes, costumava interpretar músicas em alemão, mas ao longo da trajetória também passou a cantar em italiano e português. Mesmo sem poder cantar como antes, nunca deixou de ter a música por perto.

Agora, anos depois, ele começa a reencontrar esse universo ao lado do irmão, que também voltou a fazer música. Os dois estão retomando a parceria e iniciando novas gravações. Para Armindo, é uma forma de voltar a um lugar que sempre fez parte de sua história.

Quando fala sobre o passado, ele não lembra apenas das músicas. Lembra dos amigos, das viagens, dos bailes, dos instrumentos e das dificuldades que precisavam superar para conseguir tocar. Eram outros tempos, com menos equipamentos e mais improviso, mas também com uma vontade enorme de fazer a música acontecer.

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